Agora que Clarice não gostava mais dele, Sterling também achava isso irritante. Não entendia por que se importava tanto com isso.
O toque do celular interrompeu seus pensamentos. Ele atendeu.
— Sr. Sterling, encontramos os outros dois mercenários. Mas já era tarde. Arrancaram a língua deles e quebraram seus braços e pernas. Estão vivos, mas... Vegetando. Não conseguem falar, não podem escrever. Não há nada que possamos extrair deles. Quem fez isso não teve piedade. — A voz do outro lado soava despreocupada, mas carregava um certo tom de provocação. — Ah, e sobre aquilo... Você já perguntou para sua esposa sobre o mentor dela, Thiago? Ou ainda não fizeram as pazes?
A última frase veio carregada de um humor malicioso.
Sterling soltou um riso frio.
— Eu e minha esposa estamos muito bem. Quem disse que brigamos?
No entanto, não pôde evitar que um pensamento surgisse. Quando, exatamente, as coisas entre ele e Clarice começaram a desandar?
Provavelmente no dia em que ela pediu o divórcio pela primeira vez.
— Claro, claro, vocês estão ótimos. Foi só uma impressão minha. — O tom do outro lado era visivelmente irônico. — Quer que eu investigue a Sra. Virgínia?
— Sim. — Sterling estreitou os olhos, e memórias daquele inverno sangrento inundaram sua mente.
Ele e sua mãe fugindo, sendo caçados. Correndo por suas vidas.
Se ela não tivesse lutado até o último segundo, teria sido ele a morrer naquele dia. Seu corpo ainda lembrava do cheiro de sangue que impregnava o chão. Da visão do corpo dela, perfurado por balas.
Sua mãe sempre teve pavor de dor. Mas, por ele, suportou o inimaginável.
— Dei uma olhada nos registros da sua esposa desde a infância. Quer saber o que descobri? — A voz do outro lado fez uma pausa antes de soltar uma leve risada. — Sr. Sterling, sua mulher tem um espírito fascinante. Melhor segurá-la bem, antes que alguém a leve.
Sterling bufou.
— Em toda Londa, quem ousaria roubar minha mulher? Estão cansados de viver?
— Sr. Sterling... Trinta anos de vida e você ainda é um robô sem emoções. Amar e ser amado são coisas que você jamais entenderá. — A voz do outro lado veio carregada de um suspiro. — Para Clarice, amar você foi uma maldição.
Sterling era incapaz de amar. E um homem assim jamais aprenderia o significado disso.
No dia em que Clarice fosse embora, talvez ele compreendesse. Mas, quando isso acontecesse, seria tarde demais.
— Você ligou para defender Clarice? — Sterling retrucou, a impaciência evidente.
Ele era Sterling Davis. Amar alguém como ele era uma honra para Clarice, não um infortúnio.
— Certo, chega. Não vou falar mais nada. — Do outro lado, o homem riu, soltando um suspiro resignado. Se Sterling ouviria ou não, não era problema dele.
— Você vai à festa de aniversário do avô de Asher? — Sterling perguntou, o tom mais sério.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...