Se Clarice matasse Teresa, ela mesma não sairia viva dessa situação!
Sua avó acabara de falecer, e Clarice precisava manter a calma e preservar sua vida para organizar um funeral digno.
Quanto às contas com Teresa, ela resolveria mais tarde.
Teresa, por sua vez, olhava fixamente para a barriga de Clarice. O ventre parecia plano, sem nenhum sinal aparente de gravidez. Mas Teresa havia investigado e descoberto que Clarice tinha feito um registro de pré-natal em um hospital do Grupo Baptista.
O tempo de gestação de Clarice coincidia perfeitamente com o dela, com apenas um mês de diferença. Na época em que Clarice engravidou, Teresa estava no início da sua gravidez, sofrendo com fortes enjoos. Sterling passava quase todas as noites ao lado dela, cuidando de suas necessidades. E, ainda assim, ele encontrava tempo para voltar para casa e dormir com Clarice?
Sterling já tinha deixado claro que não gostava de Clarice. Para Teresa, era impossível imaginar que ele tivesse procurado a esposa por vontade própria. Era óbvio que Clarice, essa mulher desprezível, o havia seduzido.
Só de pensar no que eles fizeram juntos, Teresa sentia uma inveja corrosiva. Durante todos esses anos, ela havia dado sinais claros de interesse por Sterling. Chegou até a se despir na tentativa de atraí-lo, mas ele nunca cedeu.
No início, Teresa achou que Sterling ainda estava de luto por Durval. Depois, começou a acreditar que ele apenas queria evitar comentários maldosos, esperando até se divorciar de Clarice para oficializar algo com ela.
Teresa nunca imaginou que Sterling, que dizia odiar Clarice, teria se deitado com ela. Pior ainda, ele a engravidou.
A única sorte de Teresa era que Clarice ainda não havia contado a Sterling sobre a gravidez. Isso lhe dava a chance perfeita de resolver o problema antes que fosse tarde demais.
Com esse pensamento, Teresa agiu por impulso. Levantou a perna e tentou chutar a barriga de Clarice.
Clarice, num reflexo rápido, desviou-se. Teresa colocou tanta força no chute que perdeu o equilíbrio e caiu da cama, atingindo o chão com força. Um grito de dor escapou de seus lábios.
— Clarice, você me empurrou de propósito! Está tentando me fazer perder o bebê, né? — Acusou Teresa, enquanto, em segredo, ativava o gravador do celular.
Clarice olhou para Teresa, ainda tremendo. Se aquele chute tivesse atingido sua barriga, seus bebês já estariam mortos, reduzidos a uma poça de sangue.
O horror percorreu seu corpo como um arrepio gelado. Ela percebeu que Teresa sabia da gravidez e estava decidida a eliminar seus filhos. A maldade de Teresa parecia não ter limites.
Clarice tentou conter o turbilhão de tristeza e raiva que a consumia. Com um sorriso frio, respondeu:
— Não! Eu preciso vê-la pela última vez! — Respondeu Clarice, com os olhos vermelhos e o corpo tremendo.
Sua avó era seu único pilar de apoio neste mundo. Agora que ela havia partido, o que seria de Clarice?
Jaqueline hesitou, mas acabou soltando-a.
— Tudo bem, veja sua avó pela última vez.
Como ela podia impedir Clarice de se despedir?
Clarice ergueu a mão, tremendo, e puxou o lençol devagar. Assim que viu o rosto da avó, sua dor explodiu em um grito desesperado.
— Vovó… Como você pôde ser tão cruel e me deixar sozinha nesse mundo? — Lamentou Clarice, enquanto soluçava de forma incontrolável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...