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Um Vício Irresistível romance Capítulo 264

Quando Clarice acordou, percebeu que estava deitada em uma cama de hospital. O cheiro forte de desinfetante invadia suas narinas, deixando o ambiente ainda mais opressivo.

Jaqueline, ao vê-la despertar, suspirou de alívio.

— Clarinha, como você está se sentindo? Está tudo bem?

Clarice balançou a cabeça levemente.

— Estou bem.

Sem dizer mais nada, ela afastou o cobertor e tentou se levantar.

— Descansa mais um pouco. — Jaqueline disse, segurando-a pelo braço para impedir que ela saísse da cama.

— Quero passar um pouco mais de tempo com minha avó. Quando o dia amanhecer, ela será reduzida a cinzas, guardada em um pequeno recipiente. Depois disso, nunca mais poderei vê-la novamente. — A voz de Clarice era calma, quase indiferente, o que deixou Jaqueline preocupada.

Clarice estava lidando com a morte da avó de maneira fria demais. Jaqueline preferia mil vezes vê-la chorando e desabafando sua dor, como havia feito no início, do que reprimindo tudo dentro de si. Guardar tanto sofrimento só a levaria ao limite, e Jaqueline temia que Clarice desmoronasse completamente.

— Clarinha, já está muito tarde. Você é uma mulher grávida, o seu corpo não aguenta tanta pressão. — Jaqueline hesitou antes de continuar. Ela queria dizer que grávidas deveriam evitar lugares como um necrotério e que tanta tristeza poderia prejudicar a saúde de Clarice, mas não teve coragem de completar a frase.

Afinal, aquela era a avó de Clarice, a única pessoa no mundo que sempre a tratou com amor incondicional. Como Jaqueline poderia impedir Clarice de se despedir?

— Não se preocupe, eu não vou demorar. — Clarice já tinha se levantado.

Jaqueline rapidamente pegou um casaco e o colocou sobre os ombros de Clarice.

— Vista algo mais quente. Não quero que você passe frio.

Clarice a abraçou com delicadeza e, com a voz baixa, disse:

— Obrigada, Jaque.

Depois de se despedir da avó, ela se abaixou para massagear as pernas. Foi nesse momento que percebeu algo estranho. As mãos da avó estavam cerradas, como se estivessem segurando algo com força.

Clarice se endireitou e respirou fundo antes de tentar abrir os dedos rígidos da avó. Com cuidado, ela foi soltando os dedos um a um.

Sob a luz fraca do ambiente, um pingente de pedra rosa brilhou intensamente na palma da mão da avó.

Clarice pegou o pingente e imediatamente o reconheceu. Era de Teresa.

Se a avó segurava aquilo com tanta força, era porque havia passado por algo terrível antes de morrer. Clarice se perguntou o que Teresa tinha feito para ela.

Ela respirou fundo mais uma vez, fechou as mãos da avó com delicadeza e ajeitou o corpo dela antes de sair do necrotério com o pingente em mãos.

Clarice sabia que confrontar Teresa diretamente não levaria a nada. Teresa tinha Sterling como proteção, e enfrentá-la só a faria passar mais raiva.

Em vez disso, ela decidiu investigar o que realmente havia acontecido. Clarice queria reunir provas. Mesmo que não conseguisse mandar Teresa para a prisão, faria de tudo para garantir que ela nunca tivesse um minuto de paz pelo resto da vida.

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