O mordomo queria convencer Túlio a não se preocupar mais com Sterling. Alguém como ele, com aquele temperamento rebelde, jamais seguiria o caminho traçado por outra pessoa.
O rosto de Túlio ficou sombrio de repente.
— Tudo o que a Clarice sofreu nesses três anos foi causado por mim! Eu sempre soube que ela estava sendo tratada de forma injusta, mas me recusei a encarar a realidade. Chega! Que ele faça o que quiser! Se Clarice decidir pedir o divórcio, será mais do que merecido!
…
Três dias depois, chegou o dia do enterro de Fernanda. Uma chuva fina caía do céu, tornando o ambiente ainda mais melancólico.
Clarice vestia roupas pretas e segurava um guarda-chuva enquanto estava parada diante da lápide. Sua expressão permanecia calma, sem demonstrar tristeza ou alegria. Era como se sua avó não tivesse partido para sempre, mas apenas viajado para algum lugar distante e que, um dia, voltaria.
Jaqueline estava ao lado dela e não conseguia esconder sua preocupação. Nos últimos três dias, Clarice tinha dormido, no máximo, duas horas.
O que realmente preocupava Jaqueline, no entanto, não era a falta de sono, mas a calma excessiva de Clarice. Ela não chorava, não reclamava, não demonstrava nenhuma emoção. Era um silêncio assustador, que fazia Jaqueline temer que Clarice estivesse à beira de fazer algo impensado.
Asher se aproximou lentamente e trocou um olhar com Jaqueline antes de falar baixinho:
— Clarinha, sua avó já foi sepultada. Deixe-me te levar para casa.
Nos últimos três dias, ele havia tentado de tudo para convencê-la a descansar, mas ela não cedia. Ele só pôde assistir enquanto ela se desgastava cada vez mais, dia após dia. Agora que o enterro havia acabado, ele precisava tirá-la dali para que finalmente pudesse descansar.
Clarice virou a cabeça para ele e, com uma voz suave, disse:
— Você e a Jaque podem ir. Eu quero ficar mais um pouco com a minha avó.
— Mas você está há três dias sem dormir! Se continuar assim, seu corpo não vai aguentar! — Jaqueline disse, com os olhos vermelhos de tanto segurar as lágrimas.
Nos últimos três dias, ela havia chorado inúmeras vezes escondida em um canto. Ver Clarice naquela situação partia seu coração.
— Clarinha, o que aconteceu com você? Por favor, não me assuste assim!
Asher rapidamente a pegou nos braços, mantendo a calma na voz:
— Pegue o guarda-chuva e cubra ela. Vamos levá-la ao hospital agora!
Jaqueline enxugou as lágrimas com pressa, pegou o guarda-chuva do chão e o abriu, protegendo Clarice da chuva.
Asher, sempre tão sereno, dirigiu como nunca. Ele acelerou o carro pela estrada, ignorando as regras de trânsito, até chegar ao hospital. Quando Clarice finalmente foi levada para a sala de emergência, Asher sentiu suas pernas fraquejarem e caiu no chão, exausto.
Jaqueline tentou ajudá-lo a se levantar, mas antes que pudesse dizer algo, uma voz gelada e cortante ecoou pelo corredor:
— Então era por isso que você estava me evitando? Já arranjou outro homem?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...