Simão viu o rosto de Jaqueline corar de repente e estreitou os olhos enquanto um pensamento lhe passava pela cabeça:
— Jaqueline, o que você está pensando?
Será que essa mulher estava achando que ele ia fazer alguma coisa com ela ali, no hospital? Mesmo que o hospital fosse dele, ele não era tão sem limites assim.
Mas, pensando bem, fazer amor ali, com o risco de serem pegos, definitivamente teria um certo sabor de adrenalina. Algo que ninguém esqueceria facilmente.
— Estava pensando... Hoje à noite vamos para a sua casa ou para a minha? — Jaqueline respondeu, sem nem piscar, como se mentir fosse algo natural para ela.
No fundo, ela sabia que os homens nem sempre queriam ouvir a verdade. A verdade, às vezes, machucava.
— Comprei um apartamento para você. Assim que eu resolver umas coisas, te levo para ver. — Disse Simão, agora em um tom muito mais calmo.
— Eu já falei que não quero! — Jaqueline respondeu, firme. Ela não queria os presentes dele. Não queria parecer uma mulher que se vendia.
— O lugar onde você mora é muito pequeno. Não tem espaço suficiente para a gente... Se soltar. — Disse ele, puxando-a para perto e olhando diretamente nos olhos dela. — Mandei meu assistente trocar o sofá por um maior e colocar uma cama enorme. Hoje à noite, a gente testa.
A voz dele era carregada de provocação, mas, no fundo, ele parecia estar realmente ansioso para isso.
O rosto de Jaqueline ficou ainda mais vermelho. Aquele homem era impossível! Parecia que ele só pensava em sexo o tempo inteiro.
— Você não disse que ia cozinhar para mim? Pois bem, a cozinha lá é grande... E o balcão é bem espaçoso... — Sussurrou ele, com os lábios quase tocando o ouvido dela.
Jaqueline sentiu o rosto queimar até as orelhas. Aquele homem era terrível. Tudo o que ele dizia parecia ter um duplo sentido, e ela não sabia onde enfiar a cara.
Foi nesse momento que o toque do celular quebrou o clima, dando a ela uma oportunidade de escapar.
Simão tirou o celular do bolso, olhou para o número na tela e disse:
— Vai indo. Eu preciso atender essa ligação.
— Eu entendi. — Simão já sabia há muito tempo que seu casamento nunca seria decidido por ele. Agora, ao ouvir as palavras da mãe, ele não sentiu raiva nem tristeza.
Os pais dele, vistos como um casal perfeito por todos, haviam vivido juntos por décadas, mas ele nunca os considerou felizes.
E ele certamente não queria seguir o mesmo caminho.
— Ah, a Sra. Luiza veio hoje e mencionou que gostaria de ver a Rafaella com o filho dela. Descubra mais sobre o filho mais velho da família Martinez.
A família Martinez era uma das quatro famílias mais influentes de Londa. Talvez, apenas talvez, fosse uma união aceitável para a família Baptista.
— Consulte a Rafaella antes de prometer qualquer coisa. Não tome decisões sem a opinião dela. — Disse Simão. Ele sabia que a irmã tinha alguém em mente, embora nunca tivesse contado isso para a mãe.
— Ela aproveitou todo o prestígio de ser uma Baptista. Então, deve aceitar as responsabilidades que vêm com isso! — A voz de Mariana tornou-se incisiva, sem deixar espaço para discussão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...