— Já falei tudo o que precisava. Cuide-se! — Sterling disse antes de encerrar a ligação.
Ele só podia aconselhar até aquele ponto. O resto ficava por conta de Simão, que precisava entender sozinho o que fazer. Sterling não podia tomar decisões por ele.
Ao colocar o celular de lado, ele percebeu que o sono tinha ido embora completamente. As palavras de Simão ainda ecoavam em sua mente.
Clarice, aquela mulher, estaria bem sem ele?
Sterling balançou a cabeça, tentando afastar a imagem dela de seus pensamentos. Mas quanto mais ele tentava esquecer, mais vívida Clarice se tornava em sua mente.
Uma irritação inexplicável tomou conta dele. Incapaz de continuar na cama, ele se levantou, vestiu um casaco e foi até ao escritório.
Nos últimos tempos, o relacionamento estremecido com Clarice tinha afetado diretamente sua produtividade. O trabalho se acumulava. Já que não conseguia dormir, decidiu colocar as pendências em dia.
Ao abrir a porta do escritório, seus olhos caíram imediatamente no vaso sobre a mesa, onde ainda havia um buquê de pequenas flores brancas, conhecidas como "mosquitinhos". Aquela visão o levou de volta a tempos passados.
Desde que Clarice havia se mudado para a Villa Serenidade, após o casamento, a casa sempre tinha flores frescas. O aroma suave preenchia o ambiente, trazendo uma sensação de calma e leveza. Além disso, todas as manhãs, havia uma variedade de cafés da manhã, sempre diferentes.
Clarice também cuidava de cada detalhe no dia a dia dele. Mesmo que suas roupas fossem sempre pretas ou cinza, ela conseguia dar um toque especial às combinações, tornando-as mais vivas e elegantes.
Os três anos de casamento com Clarice haviam transformado pequenos gestos em hábitos. Tudo isso havia se infiltrado na vida dele de forma tão natural que, agora, sem ela, ele se sentia preso a uma rotina que, por fora, aparentava ser a mesma, mas, por dentro, estava completamente vazia.
Sterling passou a mão pela testa, tentando aliviar a tensão. Ele se sentou à mesa, abriu o computador e começou a trabalhar.
O tempo voou enquanto ele se ocupava. Quando percebeu, o sol já estava nascendo, e a luz da manhã atravessava a janela, aquecendo o ambiente.
Sterling se levantou e caminhou até a janela. Ele acendeu um cigarro, uma prática que se tornara cada vez mais frequente nos últimos tempos. Tragou profundamente, enquanto seus olhos procuravam algo lá fora, no jardim. Mas não havia sinal de Clarice.
Uma pontada de frustração o atingiu, e seu humor azedou instantaneamente.
O som de batidas na porta o trouxe de volta à realidade. Ele respirou fundo e se recompôs, deixando qualquer emoção escondida.
Sterling virou-se, encostando as costas na janela. Um leve desconforto percorreu seu corpo. As dores nas costas, deixadas pelos golpes de Túlio, ainda incomodavam.
Túlio tinha batido com tanta força porque queria que ele usasse isso como desculpa para trazer Clarice de volta. Mas, no final, em vez de reconquistá-la, ele acabou perdendo-a definitivamente.
Sterling franziu o cenho imediatamente. Ele tirou o casaco que usava e o colocou sobre os ombros dela.
— Há empregados passando por aqui o tempo todo. Cuide da sua aparência. — Sua voz era firme, quase autoritária.
Naquele momento, imagens de Clarice vieram à mente dele novamente. Ela nunca saía do quarto vestindo algo tão provocante. Mesmo em casa, preferia roupas simples e confortáveis, que lhe davam um ar elegante e sereno.
Sterling piscou, tentando afastar esses pensamentos. Por que, de repente, estava pensando tanto em Clarice?
Teresa, percebendo o desconforto, ficou visivelmente constrangida, mas logo tentou disfarçar.
— Desculpe, vou me lembrar disso da próxima vez. — A voz dela era baixa e quase tímida.
Teresa havia planejado algo completamente diferente. De manhã, homens geralmente estão mais vulneráveis aos desejos, e ela achou que poderia aproveitar isso para seduzir Sterling. No entanto, ele a cortou antes que ela pudesse tentar algo, o que a deixou desconcertada.
— A mobília da sua casa já foi entregue. Daqui a pouco, Isaac vai levá-la de volta. À tarde, os empregados irão se apresentar lá. — Sterling falou, enquanto fechava a porta atrás de si. Ele passou por Teresa sem sequer olhá-la novamente e começou a descer as escadas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...