Sterling ficou com o rosto sombrio de tanta raiva. Como ele nunca tinha percebido antes o quão afiada era a língua de Clarice?
Agnaldo lançou um olhar para Sterling e, com um sorriso provocador, disse:
— É bom você arrumar um tempo pra cuidar da sua mulher, antes que todo mundo comece a te chamar de corno! E quanto à Clarinha, pode ficar tranquilo, ela sabe muito bem se virar sozinha!
Clarice, que até então estava de mau humor, não conseguiu conter o riso ao ouvir isso. O canto de seus lábios se curvou, e seus olhos brilharam num sorriso tão bonito que parecia iluminar o ambiente.
Sterling, irritado com a provocação de Agnaldo, avançou e agarrou a gola da camisa de Clarice com força.
Clarice, sentindo o aperto no pescoço que quase a sufocava, reagiu rapidamente. Ela levantou a perna e deu um chute para trás.
Sterling soltou um grito de dor e imediatamente largou Clarice.
Recuperando o fôlego, Clarice se virou e, sem hesitar, levantou a mão e deu um tapa no rosto de Sterling.
No mesmo instante, Agnaldo também partiu para cima de Sterling.
O tapa de Clarice ressoou pelo ambiente, deixando um som claro e agudo.
Sterling respirou fundo, surpreso com o golpe, mas não teve tempo de reagir. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, sentiu um soco forte no peito.
Agnaldo, propositalmente, evitou acertar o rosto de Sterling para não deixar marcas visíveis. Ele sabia que Sterling poderia usar isso como desculpa para complicar as coisas depois.
Sterling, furioso por ter sido atingido pelos dois, estava prestes a explodir, mas foi interrompido pelo som do elevador que se abriu.
Clarice aproveitou o momento, agarrou a mão de Agnaldo e correu com ele antes que Sterling pudesse dizer qualquer coisa.
Sterling ficou parado, olhando os dois de mãos dadas, e sua raiva parecia materializar-se em fogo nos olhos.
— Clarice pega o meu dinheiro para sustentar outro homem e ainda tem a ousadia de me bater? É muita cara de pau!! — Gritou Sterling para si mesmo, fervendo de raiva.
Clarice e Agnaldo entraram apressados em um dos salões privados do restaurante. Assim que fecharam a porta, Clarice soltou a mão dele e disse, um pouco envergonhada:
— Agnaldo, me desculpa pelo que aconteceu agora há pouco.
Agnaldo olhou para sua própria mão, ainda sentindo o calor do toque dela. Ele deu um sorriso leve e respondeu:
— Minha mão é sua, Clarinha. Pode segurá-la o tempo que quiser. Não tem por que pedir desculpas.
Agnaldo desviou o olhar, apertando os lábios. Ele sentia uma pontada de amargura no peito. Aquela cena... Ele havia esperado cinco anos por isso.
Manuela, com os olhos marejados, deixou as lágrimas rolarem enquanto sua voz saía trêmula:
— Você não tem nada para me pedir desculpas, minha filha. A culpa foi do seu mentor Thiago!
Ela havia levado cinco anos para entender que a morte do marido foi consequência de seus próprios atos. Como ela poderia culpar outra pessoa?
Clarice segurou a mão de Manuela com firmeza e, enquanto enxugava suas lágrimas, disse com determinação:
— Dona Manuela, o que aconteceu naquela época pode não ter sido culpa do Thiago! Eu vou descobrir toda a verdade. Só preciso de um pouco mais de tempo.
Manuela soltou um suspiro cansado e, com um sorriso melancólico, respondeu:
— Talvez a verdade seja ainda mais cruel do que você imagina, Clarinha. Não procure mais por isso.
A tristeza em seus olhos parecia carregar o peso de uma vida inteira, enquanto ela tentava aceitar o destino que lhe fora imposto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...