— Não se assuste sozinha! Espere eu chegar. — Disse Agnaldo, com a voz carregada de urgência.
Clarice assentiu obediente:
— Está bem!
Ela queria muito dizer que não estava com medo, mas a verdade era que estava sim, e muito. Se o homem do lado de fora não fosse Thiago, mas alguém disfarçado, qual seria o objetivo?
— Não desligue o celular. Qualquer coisa, me chame — Agnaldo aconselhou em um tom baixo, tentando tranquilizá-la.
— Agnaldo, não precisa correr. Vá com calma, dirija devagar!
— Pode deixar!
Clarice ouviu o som do motor sendo ligado através do celular, e, de alguma forma, isso lhe trouxe um pouco de alívio.
Agnaldo, preocupado com a segurança de Clarice, acelerou o carro o máximo que pôde.
Clarice ficou parada na porta por um tempo, mas, quando olhou novamente, o homem do lado de fora havia desaparecido. Ela sentiu um arrepio subir pela espinha, deixando-a completamente aterrorizada.
As cenas de filmes de terror que havia assistido anos atrás, e que já deveriam estar esquecidas, vieram à sua mente com uma clareza perturbadora. Ela se irritou com sua própria memória tão eficiente.
Quando Agnaldo chegou, ele examinou minuciosamente cada canto do prédio, mas não encontrou ninguém. Ele começou a desconfiar que Clarice poderia ter se confundido.
Ainda assim, ele preferiu não dizer nada. Ele sabia que, no estado emocional em que Clarice se encontrava, qualquer comentário poderia deixá-la ainda mais abalada. Era melhor apenas ficar ao lado dela em silêncio.
— Que tal você ir comigo para minha casa? Passa a noite lá e amanhã pensamos em algo. — Sugeriu Agnaldo, em um tom gentil.
— Vou para a casa da minha amiga. Você pode me levar até lá? — Respondeu Clarice, com firmeza. Apesar de todo o cuidado de Agnaldo, ela sabia que não podia depender dele para tudo. Afinal, eram apenas colegas.
— Claro. Arrume suas coisas.
— Me espere um instante. Não vou demorar. — Disse Clarice, enquanto subia as escadas após indicar que ele podia se sentar no sofá.
Agnaldo se sentou e, depois de dar uma olhada rápida na sala de estar, pegou o celular e começou a revisar alguns documentos.
Clarice desceu pouco depois, carregando uma bolsa. Ao ver Agnaldo concentrado na tela do celular, ela apertou os lábios e o chamou:
— Agnaldo, estou pronta. Podemos ir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...