Os olhos de Clarice brilharam com uma mistura de determinação e desprezo enquanto ela soltava uma risada fria na direção de Teresa.
— Sterling não ama você! Mesmo que eu morra, ele nunca vai me esquecer, muito menos casar com você! Admita, Teresa, para ele você não significa nada. Ele só sente pena de você, porque você é uma viúva miserável!
A palavra "viúva" atingiu Teresa como uma lâmina. Seus olhos se estreitaram, e ela inclinou o corpo para frente, pressionando a ponta da faca contra o coração de Clarice. Um sorriso insano surgiu em seus lábios enquanto ela sussurrava com um tom de ameaça que beirava a loucura:
— Acredite ou não, basta eu aplicar um pouco mais de força, e hoje será o aniversário da sua morte! Sabe qual foi o meu maior fracasso, Clarice? Foi passar anos planejando cada detalhe da minha vida… Só pra terminar casada com aquele inútil do Durval!
A faca, afiada como um bisturi, fazia Clarice sentir o toque gelado da lâmina contra sua pele. Ela prendeu a respiração, sabendo que, se Teresa perdesse o controle, sua vida terminaria ali.
Tentando acalmar os ânimos, Clarice perguntou com uma voz controlada:
— Você e Sterling cresceram juntos. Por que, no fim, escolheu Durval? E a morte de Durval... Você teve algo a ver com isso?
Clarice lembrava de Virgínia comentando que havia muitas dúvidas em torno da morte de Durval. Apesar das investigações, nunca se descobriu quem poderia estar por trás de tudo.
Naquela ocasião, Teresa estava no mesmo carro que Durval. Ele morreu, mas ela sobreviveu. Era quase óbvio que Teresa seria a principal suspeita. No entanto, a cena do acidente não mostrava nenhum sinal de sabotagem. Tudo parecia tão perfeito que era difícil acreditar que fosse algo premeditado. O relatório final concluiu que era apenas um acidente.
Clarice sabia que as evidências que Agnaldo havia reunido sobre os crimes de Teresa ainda não eram suficientes. Precisava de mais.
Teresa soltou uma gargalhada histérica, sua risada ecoando pelas paredes do armazém. A faca em sua mão acompanhava o ritmo de sua risada, subindo e descendo perigosamente perto do coração de Clarice. Um movimento em falso, e o pior poderia acontecer.
Clarice segurou o ar, tentando não demonstrar o pavor que sentia. No entanto, o medo de que Teresa a esfaqueasse a qualquer momento era real.
— Se não quiser responder, tudo bem! — Disse Clarice, tentando desviar a tensão. — Mas, por favor, tire essa faca de perto!
Teresa parou de rir, seus olhos fixando-se no rosto de Clarice. Era uma beleza que a deixava profundamente invejosa, uma beleza que ela queria destruir.
— Não se preocupe, Clarice. Eu não estou mentindo. Tudo o que estou te dizendo é verdade! — Afirmou Teresa, com os olhos arregalados, sua expressão se tornando cada vez mais perturbadora. — Durval era um inválido, um doente mental! Ele vivia em uma cadeira de rodas e não era capaz de fazer nada... Nem mesmo de ser um homem de verdade para mim! Toda vez que estávamos juntos, ele me torturava na cama!
A última frase foi dita com os dentes cerrados, carregada de ódio. Teresa parecia reviver o sofrimento que havia suportado durante anos. Naquele momento, era possível ver claramente o quanto ela desprezava Durval.
— Então você o matou por isso? — Perguntou Clarice, incrédula.
Para ela, era impossível aceitar que alguém pudesse tirar a vida de outra pessoa por algo assim. Era cruel demais.
— Na verdade, foi uma coincidência. — Respondeu Teresa, com um sorriso estranho se formando em seu rosto. — Acho que até o céu se cansou de ver aquele miserável e decidiu levá-lo embora!
A gargalhada de Teresa preencheu o ar novamente, ressoando como o riso de alguém que havia perdido completamente o senso de realidade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...