Se Sterling tivesse ouvido tudo, a imagem de Teresa como uma pessoa frágil e bondosa desabaria completamente!
Antes que Sterling pudesse dizer qualquer coisa, Asher tomou a iniciativa e disse, com a voz fraca:
— Sterling, antes de eu morrer, eu te imploro, proteja Clarinha por toda a sua vida!
Clarice era tão injustiçada. Desde pequena, tinha sofrido tanto. Agora, mais uma vez, ela estava envolvida em uma situação terrível. Era como se o destino fosse cruel demais com ela.
Com um som seco, o corpo de Asher caiu no chão.
O barulho tirou Clarice de seus pensamentos. Foi então que ela se lembrou do ferimento de Asher. Por um momento, sentiu-se culpada por ter perdido tempo pensando em Sterling e Teresa, enquanto Asher estava gravemente ferido.
Ela balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos inúteis. Sem hesitar, Clarice se abaixou rapidamente ao lado de Asher. Ao ver o sangue escorrendo sem parar do ferimento, ela tirou a gravata dele e começou a improvisar um torniquete. Enquanto fazia isso, gritou com toda a força:
— Tem alguém aí fora? Entrem aqui e chamem ajuda, rápido!
Sterling observou Clarice, que estava claramente desesperada e à beira das lágrimas. Um sentimento estranho se manifestou em seu peito.
Teresa, que estava próxima, percebeu algo que a deixou inquieta: os olhos de Sterling tinham um brilho de afeto.
Aquilo era inaceitável! Depois de tantos anos de esforços, ela não podia deixar tudo desmoronar agora. Ela precisava agarrar Sterling, não importava o que fosse preciso.
Clarice terminou de improvisar o curativo em Asher, mas ainda estava muito preocupada. Ninguém tinha atendido ao seu pedido de ajuda, e o estado de Asher piorava a cada segundo.
Com o coração apertado, ela reprimiu todos os sentimentos conflitantes e, com os lábios trêmulos, pediu:
— Sterling, por favor, ajude Asher! Não podemos deixá-lo morrer!
A ideia de que Asher pudesse morrer por causa dela era insuportável. Clarice sabia que, se isso acontecesse, ela passaria o resto da vida consumida pela culpa.
Teresa cerrou os dentes, tentando conter a frustração. Em um tom baixo e quase suplicante, ela disse:
— Sterling, você pode me levar para casa? Eu não quero mais ficar aqui!
Ela estava testando Sterling. Queria saber se ele ouviria a ela ou a Clarice. Perder para Clarice estava fora de questão.
Sterling lançou um olhar frio para Teresa. Seus lábios se moveram devagar, mas sua voz era cortante:
— Isaac, traga os homens para cá.
Clarice não perdeu tempo em agradecer.
— Obrigada, Isaac! De verdade, muito obrigada!
Isaac apenas balançou a cabeça, tentando parecer indiferente.
— Não precisa agradecer. Só estou fazendo meu trabalho.
No entanto, ele lançou um olhar rápido para Sterling, hesitando por um momento. Ele queria revelar a verdade para Clarice, mas sabia que ela provavelmente não acreditaria.
Se ele dissesse que tudo aquilo era parte de um plano de Sterling, Clarice jamais aceitaria.
— Você é uma pessoa boa e generosa, Isaac. Tenho certeza de que Deus vai te abençoar com uma vida longa e feliz. — Disse Clarice, em um tom mordaz. — Não como algumas pessoas, frias e cruéis, que assistem alguém morrer sem mover um dedo…
Sterling interrompeu, sua voz carregada de ironia:
— Já está cuspindo no prato que nem comeu, Clarice?
O tom dele fez Clarice sentir um arrepio. Ela sabia que Sterling não era o tipo de homem que deixava insultos passarem despercebidos. Será que ele estava pensando em exigir algo em troca por sua ajuda?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...