Clarice decidiu que só contaria tudo para Jaqueline depois de se estabelecer. Caso contrário, Jaqueline ficaria ainda mais preocupada com ela.
— Então eu vou morar com você por uns dias. — Jaqueline insistiu, desconfiada.
— Jaque, eu estou bem de verdade! — Clarice respondeu com uma sinceridade que quase convenceu até a si mesma.
— Tá bom, então. — Jaqueline finalmente cedeu e desligou o celular.
Clarice ficou segurando o celular por um momento, respirou fundo e murmurou para si mesma: “Jaque, me desculpa.”
Ela havia decidido deixar Londa, mas não queria contar para Jaqueline por enquanto. Precisava que Jaqueline a ajudasse a manter as aparências. Se Jaqueline soubesse para onde ela iria, não conseguiria sustentar a mentira com naturalidade. A única opção era mantê-la no escuro.
De volta ao apartamento, Clarice arrumou apenas o computador, documentos importantes, dois pequenos cofres do armário e alguns papéis. Todo o restante ficou para trás.
Quando desceu, com apenas uma mochila nas costas, Agnaldo a esperava no carro. Ele franziu o cenho ao notar que ela não carregava nada além disso.
— Você não vai levar mais nada?
— Quando eu chegar lá, compro o que for necessário. — Clarice ajeitou uma mecha de cabelo e disse com firmeza. — Primeiro, me leva até o túmulo da minha avó. Depois disso, pode ir embora.
— Tudo bem. — Agnaldo assentiu.
Ele sabia que, mesmo que ela fosse para longe, se quisesse, seria fácil encontrá-la. Mas decidiu não pressioná-la agora. Clarice já tinha preocupações suficientes.
Pouco tempo depois, ela chegou ao cemitério com um buquê de gypsophilas nas mãos. Ela se ajoelhou diante do túmulo da avó, colocou as flores com cuidado e, segurando a barriga, sentou-se lentamente ao lado da lápide.
— Vovó, eu vou embora. Vou para outra cidade começar uma nova vida.
Ela fez uma pausa, acariciou levemente o ventre e continuou:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...