Clarice apertou os punhos involuntariamente, com as unhas cravando fundo nas palmas das mãos, mas ela sequer percebeu a dor.
Ela fechou os olhos e tentou imaginar a cena de uma mulher sendo vítima de violência doméstica: móveis quebrados, um corpo coberto de hematomas e uma expressão de puro terror em olhos que não tinham para onde fugir.
E, além das agressões físicas, havia também a traição. O homem, além de violento, ainda cometia infidelidade. Era uma destruição brutal e implacável da dignidade e do espírito da vítima.
Essa traição era o golpe final, a pedra que esmagava o último resquício de força que a mulher tinha para resistir.
A vítima não aguentava mais viver naquele inferno. Queria o divórcio, queria se libertar. Mas esse desejo legítimo de recomeçar só acelerou sua tragédia.
O homem, desconfiado por natureza, não via problema nos próprios erros — nem nas agressões, nem nos casos extraconjugais. Para ele, o problema era a mulher. Quando ela pediu o divórcio, ele começou a suspeitar que o filho que ela carregava no ventre não era dele.
Essa paranoia absurda o consumiu, e foi o que o levou a tomar a decisão final: erguer a lâmina e tirar a vida da mulher.
Ao chegar nessa parte do relato, a respiração de Clarice ficou descompassada, e seu peito subia e descia de forma visível. Ela sentiu um arrepio gelado percorrer sua espinha, como se uma sombra vinda das profundezas do inferno tivesse tocado sua alma.
Ela não conseguia imaginar o tipo de frieza e crueldade que poderia levar alguém a cometer um ato tão desumano contra a pessoa com quem compartilhou uma vida, alguém que dormia ao seu lado todas as noites.
— Isso não é um ser humano! — Clarice murmurou, com a voz carregada de raiva e dor. Sua indignação parecia sufocá-la, apertando seu peito de maneira insuportável.
De repente, o toque do celular rompeu o silêncio, como uma sirene de alerta. Clarice levou um susto, sentindo o coração acelerar ainda mais.
Ela rapidamente saiu de seus pensamentos e atendeu o celular. Seu tom saiu ligeiramente urgente:
— Alô?
Do outro lado, uma voz feminina respondeu, leve e animada:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...