TESSA
Respirei fundo antes de bater na porta.
“Entre.”
Entrei, tentando parecer o mais profissional possível. “O senhor me chamou?”
Ergui o olhar e quase dei um passo para trás. A fúria em seu rosto era palpável.
Sério? O que há com essa montanha-russa emocional?
“Acha que pode me seduzir só porque passamos uma noite juntos? Não sou tão fraco assim, sabia”, ele rosnou.
A confusão deu lugar à indignação. Se alguém estava fazendo insinuações no elevador, era ele!
“Não entendo o que quer dizer. E não estou interessada no senhor.”
Ele riu, um som seco e desdenhoso. “Não te entendo. Às vezes parece doce, outras vezes… manipuladora. E odeio mulheres manipuladoras.”
A raiva ferveu dentro de mim. “Manipuladora? Como?”
Eu causei a aglomeração no elevador? Pedi que se esfregasse em mim?
Se ele não fosse meu chefe, já teria ouvindo muita coisa.
“Diz que não está interessada, mas ‘esquece’ sua calcinha para mim?”
Meus olhos arregalaram-se ao vê-lo segurar, entre o polegar e o indicador, minha calcinha descartável azul-celeste.
Minha nossa.
A humilhação foi instantânea e avassaladora. Devia tê-la deixado no lounge. Estava com pressa… Ai, Deus.
Agora entendia. Já ouvi histórias de mulheres que fazem isso de propósito.
Mas não foi o caso!
Abri a boca, mas as palavras engasgaram. Recuperando um resto de dignidade, estiquei a mão, peguei a peça íntima e enfiei-a no bolso do meu casaco.
“Sr. Hudson, admito… é minha. Iria descartá-la após o banho, mas esqueci. Estávamos com pressa para me tirar dali. Foi um descuido, não uma investida. Não tenho intenção de seduzi-lo, então… não pense demais nisso.”
Mentalmente me dei os parabéns pela frieza.
“Pensar demais?”, ele repetiu, a voz carregada de ceticismo.
Sério? Ainda nisso?
“Sim. Foi um erro inocente. Não se repetirá.”
Ele lançou-me um olhar penetrante e suspirou, como se cansado do assunto. “Espero que não. Só para constar, não me envolvo com funcionárias.”
Soltei uma risada curta e sarcástica. E aquilo tudo no elevador, então, foi o quê?
Cruzei os braços. “Também tenho meu código de conduta. Não ultrapasso limites com superiores.”
“Bom dia! Vi suas ligações.”
“É, queria saber como foi ontem. Você havia dito que o projeto terminava na segunda.”
“Terminou sim! E foi bem. Até ganhei três dias de folga.”
“Que bom! Gostaria de… dedicar uma dessas noites a mim?”, ele perguntou, e rapidamente se corrigiu. “Quero dizer, que tal jantarmos hoje?”
Sorri. “Adoraria.”
“Perfeito. Passo aí às 18h30.”
“Combinado.” Desliguei, ficando um momento a olhar para a tela.
Eu sabia que o Edgar gostava de mim. Mas ainda não sentia o mesmo. Ele era estável, gentil, bonito… Tudo apontava para um bom parceiro. Talvez só precisasse de mais tempo para deixar o sentimento florescer.
A noite com Edgar foi divertida. Ele me fez rir e foi generoso em seus elogios. Talvez… apenas talvez… ele pudesse fazer meu coração acelerar um dia.
Os três dias passaram rápido. Voltei ao trabalho revigorada, quase cantarolando ao caminhar pelo corredor.
Foi então que os vi.
Vindo na direção oposta, Declan caminhava ao lado de uma mulher elegantíssima.
Ao reconhecê-la, meu passo quase falhou. Era Anna.
Olhei em volta. Não havia desvio possível. Respirei fundo e continuei andando, o bom humor se dissipando como fumaça.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Uma Noite Com Meu Chefe
Team Declan...
Posta maaaaaais...