— O que o Sr. Kadu acabou de dizer? Que vai me bater também?
A voz do homem soava zombeteira; parecia não haver um pingo de raiva, mas ainda assim fazia com que uma sensação de frio exsudasse do fundo do coração de quem a ouvisse.
— A porta não estava fechada, então entrei. Imagino que não se importem, certo? — Enquanto falava, ele continuava segurando o pulso de Kadu por trás. Kadu já estava numa posição meio ajoelhada, sem sequer ousar tentar se soltar.
Os demais na sala trocaram olhares assustados, e ninguém ousou emitir um som sequer.
Stella seguiu a direção da voz para ver quem era, pensando consigo mesma que não era surpresa que aqueles sujeitos, antes tão arrogantes, agora exibissem expressões amedrontadas e bajuladoras.
O recém-chegado era alto, dono de pernas longas e de uma postura preguiçosa, que, no entanto, não conseguia esconder sua elegância inata.
Seus olhos cativantes estavam semicerrados, revelando uma frieza marcante mesclada com um toque de rebeldia. O nariz reto e os lábios finos explicavam facilmente o porquê de ele ser o homem ideal de milhares de socialites da Capital.
Mas apenas a sua aparência não seria suficiente para fazer aqueles ricaços mimados se portarem como ratos na frente de um gato.
Bernardo Barros era o atual líder do Grupo Barros, uma corporação cujo poder financeiro superava em muito as fortunas combinadas de todos os presentes ali; na verdade, eles não chegavam nem a um décimo da riqueza dele.
Nas listas dos homens mais ricos, Bernardo nunca caíra do top três.
Com uma popularidade dessas, era impossível para Stella não o reconhecer.
— Senhor... Senhor Barros, está doendo! Por favor, solte! — O tom de Kadu era de total submissão; seu rosto estava pálido e retorcido de dor.
No entanto, Bernardo agia como se não ouvisse as súplicas de Kadu; ele apenas observava Stella com muito interesse.
As sobrancelhas de Fabrício formaram um nó apertado e sua expressão ficou terrivelmente sombria. Dando um passo à frente, questionou:
— O que o Senhor Barros pensa que está fazendo?
— Você é cego para não ver o que estou fazendo? — Bernardo ergueu uma sobrancelha, sorrindo de canto de boca, mas com um olhar gélido e assustador. — Ou será que o Senhor Nobre está me interrogando por eu não ter deixado esse soco atingir o rosto da sua esposa?
Fabrício estava claramente bem ao lado de Stella e, ainda assim, não havia feito menção alguma de tentar protegê-la do golpe.


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