PONTO DE VISTA DE SYDNEY
Enquanto eu estacionava na mansão do meu pai, inspirei fundo, preparando-me mentalmente para o confronto inevitável. Sabia que ele não ficaria nada feliz ao me ver chegando sem Mark; ele sempre quer que eu corra atrás de Mark como um cachorrinho perdido. Por um tempo, admito, foi exatamente isso que fiz. Praticamente mudei minha vida inteira para agradá-los. Respirei fundo mais uma vez e saí do carro.
Caminhei pelo curto trajeto até o pátio da mansão, que ficava de frente para o jardim bem cuidado. Quando cheguei pela primeira vez, admirei o jardim. Sempre preferi passar meu tempo ali quando eles estavam bajulando Bella. Hoje, o jardim parecia ainda mais bonito e impecável. Não tinha dúvidas de que minha mãe devia ter surtado enquanto dava ordens aos jardineiros da casa sobre como aparar tudo perfeitamente.
A área já estava movimentada. Os empregados iam e vinham, atendendo aos convidados — jovens e idosos — que estavam sentados em volta das mesas, todos vestidos com roupas chiques e joias caras. Algumas moças jovens estavam ao lado de arbustos coloridos, segurando taças de vinho delicadamente. Elas mexiam nas flores enquanto conversavam, cobrindo ligeiramente a boca ao rir.
Vi meu pai conversando com alguns convidados, exibindo aquele sorriso condescendente. No instante em que seus olhos me encontraram, seu sorriso vacilou. Ele disse algo aos convidados e veio em minha direção. Sentia sua desaprovação em cada olhar, em cada passo... era como se emanasse dele em ondas.
Encontrei-me com ele no meio do caminho, mas ele apenas passou por mim, dizendo entre dentes: "Me segue."
Revirei os olhos e obedeci. Ele caminhou mais um pouco e parou longe o suficiente para que nenhum dos convidados nos ouvisse.
Assim que parou e se virou para mim, foi direto ao ponto, jogando sua pergunta óbvia na minha cara. "Por que você veio sozinha?" Sua voz era firme e cortante, atravessando o ar festivo como uma faca.
Encarei-o de volta com desafio, recusando-me a deixar seu tom frio me derrubar como costumava acontecer quando eu os encontrei pela primeira vez. "Não estava com vontade de correr atrás do Mark hoje," rebati, com indiferença no tom de voz. "O mundo não vai acabar só porque eu não fiquei atrás do meu marido na sua festa."
Ele me olhou por um momento, claramente surpreso com minha resposta. Franziu o cenho em frustração e respirou fundo. "Por que o assistente de Mark ligou procurando por você na última vez?"
Dei de ombros, não fazendo questão de oferecer uma explicação. "Não faço ideia," respondi num tom despreocupado, arqueando as sobrancelhas. "Por que você não pergunta pra o assistente dele? Ou melhor, pergunta pro próprio Mark."
Seus olhos se estreitaram, evidentemente irritados tanto com minha postura quanto com minha mudança de atitude. Mas eu não me importava com o que ele pensava. Estava cansada de tentar agradar a todos o tempo todo, especialmente eles.
"Desde a última vez que falamos, sua linha está bloqueada. Por quê?"
Conversamos? Tentei me lembrar de algum momento em que ele me ligou e de fato conversamos. Normalmente, ele só ligava para dar ordens e depois desligava.
"Ah, é mesmo?" Finji estar surpresa enquanto procurava o telefone na bolsa. Com uma expressão de dúvida, comecei a mexer nele. "O que será que aconteceu?"
"Não me venha com essa, Sydney. Você bloqueou o número dele," minha mãe apareceu ao lado dele, me olhando com raiva. Desde que me reuni com meus pais, não acho que minha mãe tenha sequer me dado um sorriso verdadeiro. Ah, na verdade, ela deu — no meu casamento.
"Ah, é mesmo?"
Ela abriu a boca para continuar, mas meu pai a interrompeu. "Não se exalte, Clarissa. Não temos tempo para isso agora." Ele deu uma olhada ao redor. "E não aqui."
"Onde está o Mark?" Ele repetiu a pergunta anterior, olhando firme para mim.
Antes mesmo que eu pudesse responder, o som de um carro chegando chamou nossa atenção. Todos viraram para olhar, incluindo eu, e aproveitei para apontar. "Tá aí o seu todo-poderoso Mark."
Mark saiu do banco de trás do carro, erguendo a cabeça enquanto ajustava a jaqueta com um leve gesto.
Logo atrás dele, uma cabeça loira apareceu. Ela exibia um enorme sorriso e agarrou-se ao braço de Mark.
Assisti os dois, assim como todos os outros no pátio. Sim, eles comandavam a atenção. Com os braços entrelaçados e o sorriso radiante de Bella, pareciam o casal perfeito. O casal ideal.
"Olha só," comentei, meu tom pingando sarcasmo, "Não estão uma maravilha juntos? Passando por aqui com a amante dele como se fosse a coisa mais normal do mundo."
"Baixa a voz, mocinha!" Meu pai virou para mim com um olhar fulminante. "Não fala besteira. Tem muitos convidados aqui. Não vá me envergonhar."
Ele voltou sua atenção aos dois, e eu podia ver seus olhos percorrendo o lugar. "Meu Deus. O que esses dois estão pensando?" Ele murmurou, e se pudesse separá-los por vontade própria, eu tinha certeza de que faria isso.
"Besteira?" Arqueei uma sobrancelha, desafiadora. Era evidente que meu tom fez meus pais se virarem para mim. "Dizer pra todo mundo que sua querida Bella fugiu com outra pessoa no dia do casamento dela," incrementei, elevando ainda mais a sobrancelha, "Isso não é besteira?"

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