PONTO DE VISTA DE SYDNEY
Eu ajudei Grace a entrar no carro. Voltei para dentro e peguei o celular dela no meio do conteúdo espalhado da bolsa. Nem precisei procurar muito, bem na tela de bloqueio tinha uma foto dela com um homem que parecia familiar.
Guardei o celular no bolso de trás, encontrei um par de chinelos e voltei para o carro. Enquanto eu dirigia para o hospital, ela não disse nada. Sua cabeça estava inclinada para o lado, olhando pela janela, com uma expressão assombrada e triste em seus olhos.
Eu não fazia ideia do que dizer ou de como confortá-la. E se ela quisesse o silêncio? Então, de tempos em tempos, eu dava um aperto na mão dela, e devagar, bem devagar, seus dedos se enrolavam nos meus também. Senti um alívio imediato. Ela ainda estava ali. A Grace destemida que conhecia ainda estava ali.
Quando chegamos ao hospital, uma enfermeira me encontrou no meio do caminho, e juntas ajudamos Grace até um quarto. Eles começaram a tratá-la assim que resolvi as contas.
Eu segurei a mão de Grace enquanto o médico limpava o sangue seco do rosto dela e começava o tratamento. O aperto dela na minha mão ficou mais forte, e ela fez uma careta enquanto o médico fazia o seu trabalho.
Enquanto ele estava ocupado cuidando dela, tirei o celular dela do bolso e olhei de novo para a foto na tela de bloqueio. Toquei nela repetidamente, tentando lembrar onde tinha visto aquele rosto.
De repente, me sentei ereta quando a ficha caiu! Sim! Era isso. Joel. Como eu poderia ter esquecido? Ele tinha sido o padrinho de Mark no nosso casamento, e até depois disso, eu o tinha visto algumas vezes na nossa casa. Sem dúvida, ele era amigo de Mark.
"Eu vou precisar dar sedativos para ela conseguir dormir", a voz do médico interrompeu meus pensamentos.
Olhei para Grace e levantei as sobrancelhas. "Tudo bem pra você, querida?"
Ela assentiu debilmente, os olhos sem o brilho que sempre tiveram. "Se isso me fizer parar de pensar nele, então, sim."
Apertei gentilmente a mão dela enquanto trocava um olhar de concordância com o médico. Ele saiu do quarto logo depois.
Enquanto esperávamos, Grace olhou para mim. "Você está machucada," ela comentou.
Desdenhei a preocupação dela com um gesto. "É só um arranhão, nada com que se preocupar."
Ela assentiu sem dizer mais nada, virando o rosto para o outro lado.
Pouco depois, o médico voltou acompanhado por uma enfermeira, que carregava uma bandeja que suspeitei conter os sedativos para Grace. Ele aplicou os sedativos, e logo, o aperto dela na minha mão foi diminuindo gradualmente enquanto o sono tomava conta dela.
Deixando o hospital, fui direto para a mansão da família Torres, esperançosa de que Mark ainda estivesse lá. Ele era minha melhor – e única – chance de encontrar Joel agora.

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