Capítulo 4
Vinícius Strondda
Estacionei o carro de qualquer jeito e saí primeiro. Abri a porta do lado dela e a puxei pelo braço sem paciência. A garota não falava nada, mas o silêncio era mais irritante do que se tivesse gritado. Entrei com ela em casa, levei-a direto para o mesmo cômodo onde estava. Fechei a porta com força e encostei-a contra a parede.
— Agora tá resolvido, porra! — gritei, batendo a palma da mão ao lado da cabeça dela. — Eu dei o que você queria. O cara morto, o problema apagado, e você não teve coragem de abrir a boca. Por quê? Tá mentindo pra mim? Como alguém ainda ousa tentar mentir e enganar um Strondda?
Ela respirava rápido, olhos brilhando de fúria. De repente, me empurrou com força, encostando a arma que eu ainda segurava contra o próprio peito.
— Quer me matar? Então mata! — a voz dela saiu trêmula, mas cortante. — Vocês homens são todos iguais! Eu fugi de um monstro pra encontrar outro pior? Prefiro morrer!
A garota avançou até mim e agarrou meu punho, levando a arma até a própria testa. O metal encostou na pele branca dela. Claro que eu poderia ter evitado, mas iria perder de ver isso de perto? Ela é inusitada. Diferente. Audaciosa.
— Mata. Já vi que gosta de matar. Mata logo. — Que vontade do caralho de beijar essa ragazza.
Segurei firme o cabo da pistola, mas não puxei o gatilho. Aproximei o rosto, meu hálito batendo no dela.
— Eu mato quem eu tenho vontade, ragazza. — minha voz saiu baixa, cheia de autoridade. — Ninguém me diz o que fazer. Ninguém me dá ordens. O único que ainda ouço é meu pai. E não porque ele manda, mas sim, o admiro — porque até a minha mãe já desistiu de mandar. Só aconselha. Mas eu… eu só obedeço quando quero. E não vai ser você que vai decidir quando a minha bala sai, principessa.
Ela não piscou. Um fio de lágrima desceu, mas sem quebrar o olhar. Preciso admitir... Tem coragem.
— Eu ouvi falar que seu pai é um homem bom. Justo. Honesto. Pelo visto, você não herdou nada dele.
Ri alto, um riso seco que ecoou no cômodo.
— Meu pai? Um homem bom? Em que mundo você vive, piccola? Ele é o demônio. Bom só com a minha mãe. E, às vezes, com a famiglia. Pode até ser justo, pode até ser honesto… mas se alguém pisa nas rosas dele, é enterrado vivo. E você pisou.
O choro dela ficou mais pesado, mas ainda assim não abaixou a cabeça.
— Foda-se. — murmurou, engolindo a dor. — Me mata de uma vez.
Guardei a pistola devagar no coldre, o olhar cravado nela.
— Claro que não. Você vai casar comigo. Estou começando a achar que tem aminesia.
— Eu não quero. — cuspiu, sem pensar. — Terei que me matar pra isso não acontecer?
Inclinei a cabeça, olhando para cada detalhe do rosto dela.
— Não terá essa oportunidade. — respondi frio. — Aliás… vou te levar para um quarto. Precisa de um banho, ficar apresentável. Caso algum idiota do conselho apareça. Ou minha famiglia volte da viagem.
Ela não respondeu. Só ficou calada, o que já era uma vitória. E nos olhos dela vi um brilho diferente: queria o banho, queria limpar o sangue que tinha visto.
— Escuta bem, piccola. — aproximei o rosto, minha voz roçando seu ouvido. — Vai ficar comigo. Pode andar pela casa, pode respirar. Mas não pode sumir. Se eu ver um fio do seu cabelo pra fora da janela, eu vou saber. Meus homens vão saber. E a ordem não é de matar… é de te tratar como traidora. E eu já contei pra onde vão os traidores, não contei?
O corpo dela estremeceu, mas não abriu a boca.

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