Suíte presidencial 919.
A cama grande e macia, o ambiente tomado por um aroma indefinido e sugestivo...
Yara Franco estava encolhida sob o edredom, tímida e envergonhada.
Sentia ao lado o calor de um corpo, e ao se aconchegar mais ao homem ao lado, acabou sendo novamente envolvida por ele, numa tempestade de emoções.
Uma noite de enroscos intermináveis.
Seu corpo inteiro doía, como se tivesse levado alguns golpes de jiu-jitsu, e seus lábios ardiam, rasgados, tornando até virar-se uma tarefa difícil.
Na noite anterior, havia tomado alguns copos de cachaça, e a cabeça ainda latejava. Com os olhos semicerrados, murmurou: "Agora eu sou sua, você tem que ser responsável por mim pra sempre, viu?"
O homem soltou uma risada fria e não respondeu.
Yara insatisfeita virou-se, os olhos turvos sob a luz tênue...
O rosto do homem apareceu diante dela, difuso.
A mão quente dele afagou seu rosto delicado, e Yara, de olhos fechados, sussurrou baixinho: "Elvis... por que você não fala nada?"
Um aroma cortante de cedro se espalhou. A mão quente dele começava a se afastar de seu rosto. Yara franziu o cenho e, num impulso, agarrou a mão dele: "Elvis, não vai embora, responde pra mim..."
De repente, a luz se acendeu forte!
Dois olhos negros, brilhando frios, surgiram em seu campo de visão, trazendo-lhe de volta à realidade num choque.
O homem estava nu da cintura para cima, o peito firme, sem um grama de gordura, apoiando-se com o cotovelo no travesseiro, deitado de lado, exalando uma aura de predador divertido.
"Ah! Você... quem é você?"
Yara ficou paralisada de susto, apertou o edredom contra o corpo e, instintivamente, tentou se afastar o máximo possível dele.
A Mônica Andrade me disse o número do quarto ontem: 919. Será que eu ouvi errado depois de tanto beber?
Ele se levantou, completamente à vontade, e caminhou decidido ao banheiro, sem se preocupar em esconder nada do corpo, ignorando completamente os sentimentos daquela estranha mulher.
E agora? Tudo culpa daquele conselho da Mônica: ficar bêbada pra criar coragem de dar o próximo passo.
Quem era ele, afinal?
Acabou. Sua primeira vez foi com um desconhecido. Será que Elvis ainda a aceitaria?
Yara coçava freneticamente o couro cabeludo, balançando a cabeça em desespero enquanto as lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos.
Depois de alguns minutos, respirou fundo, enxugou as lágrimas e, aproveitando que ele estava no banheiro, levantou-se devagar, juntando as roupas espalhadas pelo chão. Sua camisa, comprada por duzentos reais e usada pela primeira vez, agora não passava de duas mangas intactas.
Deu um aperto no coração ao perceber o prejuízo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Viciado Em Você