Norberto dirigiu por um tempo e então estacionou o carro na beira da estrada.
Seu rosto estava abatido, e em sua voz havia certa decepção. "Yara, como está o trabalho?"
Para não deixar Norberto preocupado, ela elevou propositalmente o tom de voz ao responder: "Está tudo ótimo, finalmente posso trabalhar como designer agora!"
Norberto forçou um sorriso, amargo. "Os trâmites para sair do país estão quase prontos, mas… ainda falta um documento."
"Mano, deixa isso de sair do país pra lá!"
Norberto soltou um riso frio. "Você não vai perguntar que documento está faltando?"
Yara, surpresa, seguiu o assunto: "Qual documento?"
Norberto ficou em silêncio por alguns segundos, com o rosto sombrio e os olhos úmidos. Ele apertou os lábios antes de dizer, devagar: "Certidão de casamento."
O rosto de Yara foi ficando cada vez mais fechado, o nariz ardeu e uma onda de culpa tomou conta de seu coração. Ela respondeu com a voz embargada: "Mano, me desculpa! Eu não devia ter escondido isso de você…"
Norberto questionou friamente: "Por que fez isso? Você prometeu pra mim e pro papai que ficaria em casa. O visto está quase saindo, por que não podia esperar só mais um pouco…"
Yara permaneceu em silêncio.
Norberto virou-se para ela, as sobrancelhas franzidas, olhando-a atentamente. "Foi aquele homem que te forçou? Fala pra mim, que eu dou um jeito."
Sua irmã sempre fora tão obediente, jamais teria se casado com alguém sem o consentimento do pai.
"Não, foi por vontade minha!" Yara não teve coragem de encarar o olhar profundo do irmão; manteve os olhos fixos à frente e respondeu de maneira suave.
"Mano, eu sei que você sempre quis o meu bem, mas agora já é tarde demais!" Yara disse entre soluços. "Não tem mais volta pra nós!"
"Yara, sabe… quando a gente estudava, aqueles colegas que te paqueravam, ou até quando você namorava o Elvis, eu nunca achei que fosse grande coisa, porque eu aceitava que você teria suas próprias experiências. Eu tinha confiança de que, depois de passar por essas desilusões, você acabaria voltando pra mim…"
Os lábios de Norberto tremiam e sua voz era tomada pelo choro. "Mas agora… por que você teve que se casar com outro…"
Ele agarrou o braço dela e a sacudiu, as lágrimas caindo pelo rosto. "Yara, sai de perto dele, por favor, eu não posso te perder!"
Ele sempre esperou que Yara voltasse pra ele um dia. Mesmo que ela tivesse outros homens, isso não importava, desde que ela voltasse.
"Mano… eu gosto dele."
Yara sempre quis encontrar uma oportunidade para contar a verdade, mas tinha medo de que, ao descobrir, o irmão nunca mais quisesse saber dela. Agora, vendo-o tão arrasado, o coração de Yara também doía demais.

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