Ele estava sentado no sofá, claramente um sofá de três lugares que agora parecia bem menor com ele ali, e a mesinha de centro à frente mal deixava espaço para que ele estendesse as longas pernas.
"Como é que alguém consegue morar num apartamento tão pequeno?", Eduardo franziu a testa enquanto a olhava.
Um rapaz como ele, nascido em berço de ouro, como poderia entender a rotina de alguém de uma família comum como ela?
Na verdade, sua situação em casa nem era tão ruim, mas a madrasta, Vanessa, não queria se esforçar por ela, muito menos dar-lhe dinheiro. Todo o controle financeiro do pai estava nas mãos de Vanessa, e ela só podia contar com o próprio salário ou, às vezes, com a ajuda do irmão.
Yara não respondeu, apenas serviu-lhe um copo de água morna.
Eduardo pegou o copo, bebeu um gole e comentou friamente: "Me arruma um par de chinelos e um pijama."
Ela não tinha ouvido errado? O senhor Eduardo queria passar a noite naquele apartamento minúsculo?
"Diretor Henriques, meu apartamento é pequeno, a cama também... Acho que..."
Os olhos de Eduardo a encararam com firmeza. "Nós dois não precisamos de uma cama grande."
Ela mal podia acreditar que ele estava falando sério!
Perguntou mais uma vez: "Você tem certeza?"
Ele suspirou, respondendo com impaciência: "Parece que eu estou brincando?"
O apartamento era pequeno, mas tinha de tudo, e era decorado com muito aconchego. Havia pequenos enfeites fofos sobre a estante, quadros pintados por ela mesma nas paredes, além de algumas fotos...
Eduardo também viu uma foto de Yara com Elvis pendurada na parede. Ele esticou o braço, tirou-a e jogou em sua frente.
Perguntou com frieza: "Por que ainda guarda uma foto de vocês dois? Para relembrar? Para incomodar os outros?"
Meia hora depois, a porta do banheiro se abriu. Eduardo saiu do banho, secando o cabelo, e aproximou-se dela, dizendo: "Você realmente vai se inscrever no concurso com esses desenhos que qualquer um faz, sem nenhuma originalidade?"
Yara sabia que não podia esperar palavras gentis daquele homem. Manteve-se em silêncio e continuou desenhando.
"Para com isso. Esses desenhos de criança nem eu quero ver, imagina o diretor de criação, o Lucky. Pura perda de tempo." Eduardo franziu a testa, demonstrando desprezo.
Yara não lhe deu atenção.
"Com esse tempo, seria melhor pensar em como me agradar, me fazer feliz. Posso te pagar muito mais do que um designer."
Yara virou-se e viu Eduardo só de toalha, ainda com algumas gotas de água escorrendo pelo corpo forte e definido, tão perto que seu rosto ficou corado, sentindo um calor diferente.
Naquele instante, Yara sentiu que estava prestes a se render.

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