Já era fim de tarde.
O sol poente tingia tudo de laranja.
Fumaça subia da velha mansão.
O aroma inebriante da comida se espalhava pelo ar, embalado pela brisa suave de maio.
No instante em que Yu Yun sentiu o cheiro da comida, perdeu todo o interesse em praticar e guardou sua espada.
Ela queria ver o que Dona Chu tinha preparado para o jantar daquela noite.
Yu Yun já havia provado muitas iguarias ao longo da vida, mas nada superava a simplicidade saborosa dos pratos de Dona Chu.
— Hmm? Vovó, o jantar já está pronto? — perguntou Yu Yun animada. Ao chegar ao jardim da frente, viu Dona Chu cuidando das plantas, em vez de estar na cozinha.
Durante todo esse tempo, Yu Yun sempre pensou que era Dona Chu quem cozinhava.
Mas Dona Chu sorriu e disse: — Se quer saber se o jantar está pronto, não adianta perguntar para mim. Por que não pergunta ao cozinheiro?
— O cozinheiro?
Yu Yun ficou surpresa na hora.
— Vovó, está dizendo que quem cozinha é o Ye Fan esse tempo todo?
Ye Fan sempre saía da área de treino antes dela.
No começo, Yu Yun achava que Ye Fan estava apenas fugindo dos treinos.
Mas agora via que não era bem assim.
— Quem mais poderia ser? Eu não tenho esse talento todo na cozinha. Ele insistiu em cozinhar, mesmo sem eu pedir. Não disse o motivo, mas imagino que seja por sua causa. Depois que soube que você gostava da comida dele, tomou a iniciativa de preparar as refeições — continuou Dona Chu, elogiando Ye Fan.
— Yun, eu não deveria me meter nas suas mágoas, e é verdade que o Fan foi bem ruim. Mas não percebe que ele está tentando se redimir em silêncio? Não é fácil resolver ressentimentos depois que surgem. Por que não pensa em perdoá-lo? — aconselhou Dona Chu.
Yu Yun ficou paralisada.
Ela não tinha ideia de quantas coisas Ye Fan fazia por ela, sem alarde.
Ao descobrir, o coração de Yu Yun estremeceu.
Ela ficou ali parada, sem reação, como se estivesse diante de um grande dilema.
Yu Yun olhou para a silhueta magra de Ye Fan, ocupado na cozinha. Cerrou os dentes, como se tivesse tomado uma decisão importante, e entrou.
Um sorriso astuto surgiu no rosto de Dona Chu, como se seu plano tivesse dado certo.
— Fan, oh Fan. Só posso ajudar até aqui. O resto depende de você.
Dona Chu era mesmo uma raposa velha.
Ye Fan só se ofereceu para ajudar no jantar porque gostava de Dona Chu e queria ajudar nas tarefas.
Não estava tentando se redimir nem agradar Yu Yun.
Por isso, Dona Chu disse tudo aquilo apenas para tornar Ye Fan mais simpático aos olhos de Yu Yun.
Pelo visto, seu plano funcionou.
— O que está fazendo aqui? O jantar ainda não está pronto. Por que não espera no seu quarto? Eu levo para você quando ficar pronto.
Ye Fan achou que Yu Yun estava com fome ao vê-la na cozinha e logo a mandou embora, irritado.
Yu Yun olhou para Ye Fan e hesitou por um bom tempo antes de dizer friamente:
— Tome banho depois do jantar e vá ao meu quarto às dez da noite. Lembre-se de ser discreto e não deixe ninguém te ver. Se a vovó souber, não vou te perdoar!
As palavras frias e ameaçadoras soaram baixinho.
Ye Fan ficou paralisado na hora.
— O quê? Tomar banho antes de ir ao seu quarto? O que você está aprontando? Olha, vou avisando, não sou desses. Nem sonhe com isso — ameaçou Ye Fan.
— Não esperava isso de você. Vive bancando o certinho, mas no fundo é uma mulher fácil. — Ye Fan abriu um sorriso malicioso, olhando para Yu Yun de um jeito tão atrevido que ela quase quis matá-lo ali mesmo.
— Seu idiota! O que está pensando? Quer aprender o Corpo do Deus Dragão Yin ou não? Se não quiser, não vá. Mas aviso que essa será sua única chance — disse Yu Yun, furiosa e corada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Vingança servida a frio
Esse site é porcaria, comprei moedas mas fica dando erro pra carregar o novo capítulo...
No aguardo da continuação...