Kathleen empurrou Samuel e sentou-se; seu rosto pálido estava confuso. “Por que você fez isso?”
“Porque senti saudades de você”, respondeu ele enquanto abotoava a camisa e arrumava o resto da roupa lentamente.
Observando Samuel voltar a ser o elegante e nobre senhor que ele era, Kathleen não conseguia associá-lo a uma autoagressão. Ele não parecia capaz de fazer algo assim.
Samuel é um homem egocêntrico. Por que ele se prejudicaria por sentimentos? Além disso, seria uma forma grave de autoagressão. A cabeça de Kathleen estava um caos.
Samuel dirigiu-se a ela com aqueles olhos escuros e insondáveis. “Kate, sinto o mesmo que você. Também sinto falta das crianças.”
Ela ficou paralisada.
“Devido aos meus erros, eu causei danos aos meus próprios filhos, e minha amada esposa me deixou.” Um sorriso amargo apareceu naquele rosto refinado enquanto o homem seguia: “Não consigo me perdoar por arruinar com minhas próprias mãos o que poderia ter sido uma família cheia de amor.”
O coração de Kathleen doeu ao ouvir isso.
“Não mereço morrer?”, perguntou Samuel com a voz rouca, seus olhos escuros fixados profundamente nela.
Kathleen não sabia como responder.
Enquanto ele olhava para a expressão perdida e inquieta da ex-mulher, tinha cada vez mais certeza da resposta dela. Ela quis que eu morresse.
Enquanto isso, Kathleen também não conseguia explicar seus sentimentos. Quando ela perdeu o filho, de fato, ela quis que Samuel morresse. Se não fosse por ele, seu filho estaria são e salvo.
No entanto, naquele momento, ao ver o estado em que Samuel se encontrava, ela não queria que ele perdesse a vida.
As feridas internas dela não haviam sido curadas. Ao contrário, elas foram enterradas profundamente em seu coração. Apesar disso, Kathleen sabia muito bem que não podia mais aceitar Samuel.
Mesmo naquele estado, ela sentia que voltar era inaceitável. Kathleen começou a soluçar. Era demais para ela. Achava que poderia ser fria, mas foi pega desprevenida e abruptamente desabou ao ver a ferida no corpo de Samuel.
Samuel se aproximou cautelosamente para abraçá-la. “Sinto muito por fazê-la passar por tudo isso.”
Kathleen soluçou: “Samuel, as coisas não voltarão a ser como antes. Não podemos mais voltar. Não importa o que você diga ou faça, sempre haverá um espinho no meu coração. Quanto mais perto de mim você estiver, mais dor eu sinto.”
Ele ficou gelou.
“É doloroso demais”, Kathleen disse com dificuldade. “Já faz um ano, e pensei que as coisas mudariam. No entanto, percebi que nada mudou.”
Samuel ficou um pouco apavorado. “Não chore. Não estou tentando fazê-la ter pena de mim. Não estou mesmo.”
Ele realmente não queria que ela se sentisse mal. Disse aquilo apenas porque ela perguntou e não queria mentir para ela. Ele já havia perdido a confiança dela antes e disse que nunca mais mentiria novamente.
Infelizmente, ele ainda mentiu para ela mais uma vez, embora tenha sido exposto por ela no fim. Ele acariciou suavemente as costas de Kathleen, confortando-a com gentileza. As sensações de impotência e medo o varreram novamente.
Honestamente, ele sabia melhor do que ninguém que, uma vez que começassem a discutir o assunto, ele e Kathleen não teriam mais um futuro juntos.
Não é que ele quisesse desistir dela. Porém, não suportaria vê-la passando por um momento tão triste. Ele abraçou a mulher e a colocou em seu colo. Então, pediu a Tyson que voltasse para o carro.
Tyson não ousou fazer perguntas e se concentrou apenas na condução.
Samuel também não disse nada. Tudo o que fez foi segurar a jovem em seus braços com ternura e cuidado. Não havia outra expressão naquele rosto bonito, mas Kathleen, que estava em seus braços, tinha um olhar cheio de conflito.
Logo chegaram ao destino.
Samuel pediu para Tyson sair do carro e fazer os preparativos necessários.
Kathleen já havia parado de chorar. Ela permaneceu em silêncio e aninhada nos braços de Samuel.
Ele acariciou gentilmente a cabeça dela. “Trouxe seu kit de maquiagem?”
Ela assentiu.
Ele sorriu gentilmente. “Sua maquiagem está borrada, sua gatinha sapeca.”
Kathleen levantou a cabeça. “Samuel, eu…”
Ele colocou o dedo nos lábios vermelhos dela, a silenciando: “Apenas me permita isso uma vez, tudo bem?”


Samuel a olhou em silêncio com um olhar indecifrável. Isso é bom. Ela pode deixar para trás os problemas no seu coração e aceitar uma nova vida. Isso é a melhor coisa que poderia acontecer.
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