— Certo, então. Já decidiu como vai passar o resto do seu tempo? — Mesmo diante de tal situação, Kathleen parecia distante.
As palavras dela fizeram Samuel parar no meio do caminho.
Como quero passar o resto do meu tempo? Quero passar com você. Mas será que você aceitaria?
Percebendo a expressão dele, Kathleen ficou surpresa. — Por que está me olhando assim? Não me diga que...
— Não vou te colocar em uma situação difícil — garantiu Samuel. Seu rosto bonito não demonstrava emoção alguma.
Kathleen ficou paralisada.
Ele não vai me colocar em uma situação difícil? Isso significa que ele está pensando nisso.
— Decida por si mesmo. Afinal, o problema é seu. — Não havia calor na voz de Kathleen.
Isso fez Samuel se sentir ainda mais miserável.
De lado, Richard não aguentou mais assistir. — Sra. Johnson, parece que esqueceu que é médica. Esqueceu seu dever?
— Não, não esqueci. Porém, o Sr. Macari não pediu minha ajuda — retrucou Kathleen, com um olhar indiferente.
Imediatamente, Richard olhou para Samuel.
— Você sabe como me salvar? — perguntou Samuel.
— Não posso te prometer nada, mas vou fazer o meu melhor — respondeu Kathleen com cautela.
Lançando-lhe um olhar significativo, Samuel disse: — Tudo bem. Vou confiar minha vida a você.
— Mas já aviso: não tenho certeza se posso te curar. Se eu ficar sem opções, vou te contar honestamente. Não venha me culpar quando isso acontecer — alertou Kathleen.
— Não se preocupe. Ele não vai te culpar — interveio Richard.
As palavras dele renderam um olhar fulminante de Samuel.
Ei, só estou tentando te ajudar!
Samuel desviou o olhar e voltou-se para Kathleen. — Faça o que puder.
Kathleen assentiu. — Certo. Vá se trocar agora. Vou entrar em contato com especialistas sobre o assunto para que possam dar suas opiniões sobre seu caso.
Apesar do que ela disse, Samuel continuou olhando para ela, sem se mover.
— Você não está ocupado com o trabalho? — questionou Kathleen.
— Estou.
— Então por que ainda está aqui? — Kathleen estava confusa.
— Estou morrendo. Não posso escolher como quero viver? — Samuel devolveu a pergunta com calma.
Um brilho gelado passou pelos olhos claros de Kathleen, que parou por um instante. Então, disse: — Desculpe. Fui indelicada. Você é livre para fazer o que quiser, Sr. Macari. Vou me retirar agora, pois tenho coisas a resolver.
Dito isso, ela se virou e saiu do quarto.
Uma expressão sombria tomou conta do rosto de Samuel.
— Pare de olhar. Ela não se importa com você — comentou Richard.
Samuel permaneceu em silêncio.
— Por que não aproveita para pedir algo absurdo? Talvez possa pedir para ela se casar com você de novo, já que está morrendo — sugeriu Richard.
— Ela só vai me odiar ainda mais se eu fizer isso. Já estou satisfeito com o que tenho agora.
— Acho que não. — Observando o semblante abatido de Samuel, Richard provocou: — Olha só como você está miserável. Nem parece mais você! Se Kathleen não tivesse perdido a memória, estaria te consolando agora. Agora, ela só quer que você vá trabalhar porque nem quer te ver. Caramba, o destino realmente cobra seu preço.
Samuel lançou-lhe um olhar cortante. — De quem você é amigo? Meu ou dela?
— Seu, claro. Mas minha namorada, Gemma, é a melhor amiga da Kathleen. E a Gemma acha que você merece isso.
Sem querer continuar a conversa, Samuel se levantou e foi trocar de roupa.
Enquanto observava a figura alta e solitária de Samuel, Richard ficou sem palavras.
Lançando um olhar para Kathleen, Richard disse: — Deixe a Dra. Johnson explicar para vocês.
Os olhos de Kathleen brilharam, mas ela falou de forma impassível: — X-9 é a versão mais recente de um medicamento capaz de fortalecer a capacidade de regeneração das células humanas. Se o paciente tomar esse remédio, sua capacidade de regeneração celular será restaurada. Assim, seu corpo se recuperará no menor tempo possível e poderemos operá-lo o quanto antes.
Todos a olharam, perplexos.
— Existe mesmo esse remédio?
— Claro. Vários cientistas já criaram medicamentos assim, mas a eficácia era péssima.
De repente, Xienna se levantou da cadeira. — Eu me oponho! Não podemos deixar o Sr. Macari tomar esse remédio. Nunca foi testado clinicamente, não podemos usar em humanos! Quem vai se responsabilizar se algo acontecer com ele?
Kathleen lançou um olhar gélido para Xienna.
Ela se lembrava dela.
Quando Kathleen foi baleada duas vezes por Theodore e levada ao navio por Samuel, foi Xienna quem a operou.
Era verdade que Xienna era habilidosa na medicina.
No entanto, Kathleen também percebeu naquela época que Xienna gostava de Samuel.
— Pode sugerir uma alternativa melhor? — perguntou Kathleen, sem emoção.
— No momento, não. Mas não vou permitir que tratem Samuel assim! — protestou Xienna.
Richard não pôde deixar de erguer as sobrancelhas. — Você não tem voz nessa decisão. Se Samuel concordar com nossa proposta, ninguém mais pode se opor.
Xienna ficou sem palavras.
Com uma expressão fria, Richard acrescentou: — Já que você não tem alternativas agora, vai deixar Samuel esperando até quando? Até vê-lo morrer em seis meses?
Xienna apertou os lábios e ficou em silêncio.
A voz de Kathleen soou naquele momento: — O Dr. Zimmer tem razão. No fim, é Samuel quem decide. Se alguém tiver outra opinião ou solução, sinta-se à vontade para falar. Também podem ir diretamente até Samuel e contar a ele. Se ele concordar, ninguém vai impedir.

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