JARIS
Suspirei ao olhar para ela. “Seu cabelo. Precisa ser lavado.”
Ela franziu a testa. Era difícil fazer isso com todo o inchaço em seu rosto. “E-eu não acho que consigo lavá-lo sozinha.”
“Eu sei.”
Continuei andando com ela e, desta vez, ela me deixou.
A deixei lá e disse para esperar por mim enquanto eu ia buscar uma cadeira no quarto.
“Você quer que eu lave seu cabelo?” Ela perguntou com incredulidade quando voltei com a cadeira.
“Sim. Sente-se.” Eu a puxei para a cadeira que estava na frente da pia. Ela gemeu de dor quando a levei. Eu quase tinha esquecido que ela estava machucada em lugares que eu não conseguia ver.
A ajudei a deitar para trás, para que seu cabelo ficasse na pia. Então, peguei uma toalha e coloquei em volta de seus ombros.
Ela não disse mais nada enquanto eu ligava a torneira da pia e começava a ensaboar o cabelo. Eu estava ensaboando quando ela finalmente falou.
“Isso te ajuda a relaxar?”
Sua pergunta fez meus dedos pausarem por um segundo antes de continuarem se movendo.
“Quando eu era mais jovem, costumava fazer isso com o cabelo da Maddy. Era um método que ajudava a controlar meus impulsos doentios.” Olhei para o rosto dela, onde os olhos estavam fechados.
Odiava os hematomas que via nele. Isso me fez lavar o cabelo com mais força.
“Você e a Maddy costumavam ser tão próximas.”
Não respondi. Mas ela já sabia qual era a resposta. Maddy e eu éramos melhores amigos, assim como Caden. Mas tudo desmoronou.
Se alguém me dissesse algumas horas atrás que eu realmente estaria lavando o cabelo de Lyric, eu não teria acreditado. Poucos minutos depois e minha raiva tinha desaparecido completamente.
Percebi que estava mais do que gostando disso. Agora, era além de querer me acalmar.
Quando terminei, usei uma toalha para secar o cabelo e a levei de volta para o quarto. Sentei-a na frente do espelho, peguei uma escova e comecei a pentear.
Ela estava tentando tanto abaixar o rosto, mantê-lo escondido.
“Lyric, você não nasceu assim. Eu realmente não entendo por que você continua escondendo o rosto.” Minha voz estava um pouco repreensiva.
Ela me encarou pelo espelho. “E-eu só...” Seus olhos caíram novamente. “Eu sou apenas feia.”
Suas palavras me chocaram. Ela as disse como se fosse alguém acostumado a ouvir esse tipo de palavras das pessoas. O que havia de errado com ela?
“Você é feia porque tem hematomas por todo o rosto? Você acha que esqueci da bela dama por baixo de tudo isso?”
Ela encontrou meu olhar novamente. O que lhe deu a impressão de que precisava esconder o rosto de mim ou algo assim?
Sim, eu estava com raiva ao ver os hematomas, mas não tinha nada a ver com repulsa por ela.
“Não desvie o olhar novamente. Estou falando sério.” Deixei que ela entendesse o aviso em meu tom.
Felizmente, ela não tentou esconder o rosto até que eu terminasse de arrumar seu cabelo.
Adorei o jeito que ela cheirava agora. Como baunilha e bourbon envelhecido, que era a fragrância do meu xampu.
Hm. Era a primeira vez que alguém compartilhava meu xampu comigo, e acho que gostei.
“Obrigada,” ela murmurou enquanto a levava de volta para a cama. “V-você realmente quer que eu fique aqui?”
“Eu preciso ficar de olho em você.” Isso soou estúpido. Ela ainda estaria segura em seu quarto. Mas a ideia de estar longe dela agora parecia insuportável.
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