POV: JARIS
Eu já estava na sexta garrafa.
Irritante, porque odiava beber tanto. Sempre mantinha o controle sobre quanto álcool colocava no meu corpo, mas naquela noite... eu queria tudo.
Passei horas no escritório, revivendo cada detalhe na minha cabeça. Beber era a única coisa que me dava um mínimo de alívio.
Nerion entrou, lembrando que já estava tarde e que eu provavelmente deveria descansar.
Ah... o cara responsável. Momentos assim me faziam sentir falta do Kael. Ele teria se sentado comigo, bebido junto, entendendo que eu precisava daquela anestesia temporária.
Infelizmente, ele estava fora, em missão.
E Nerion tinha razão. Estava exausto, e o sono poderia me fazer bem.
Deixei o escritório e segui para meu quarto. E lá estava Marta.
Deitada na cama, vestia um vestido vermelho de noite, transparente, revelando o pequeno sutiã e a calcinha vermelha por baixo. O vestido servia apenas para provocar.
O cabelo liso, preso de lado, e os lábios tingidos de vermelho a deixavam com uma aura de pura tentação.
— Merda, Marta. O que eu te disse? — minha voz saiu menos crítica do que deveria.
— Desculpe — disse em um tom sedutor, se sentando devagar, apoiando as mãos na cama ao lado da cintura. — Estou esperando há um bom tempo.
Minha cabeça girava. Só queria arrancar aquele terno idiota e desabar na cama.
Olhei para o armário, tirei o paletó e comecei a desabotoar a camisa preta.
Marta se levantou.
— Estava preocupada e queria te ver. — Caminhou em minha direção, lenta e calculada. — Não sei o que aconteceu, mas sei que você não age sem motivo. Quero que saiba que estou aqui. E sinto muito pelo que houve.
Seu rosto surgiu no reflexo do espelho, atrás de mim.
Continuei a encarar enquanto tirava a gravata, a jogando na cama, e depois a camisa.
— Tudo vai ficar bem — sussurrou, colocando a mão no meu ombro nu.
Um desejo irritado me invadiu.
Virei de repente e a agarrei, esmagando meus lábios contra os dela. Ela retribuiu imediatamente, jogando os braços ao meu redor.
A pressionei contra o armário, minha mão enroscada em seu cabelo, puxando com força.
Eu precisava extravasar em alguém.
Mas, mesmo beijando Marta, minha mente se enchia apenas de imagens proibidas.
Cabelo molhado. Corpo entregue. Seios fartos. Pernas quentes.
A lembrança me atingiu com violência, dolorosa, latejando em mim.
Marta não era ela. Nunca seria.
Com um empurrão seco, a afastei. Ela me olhou, confusa, ferida.
— Jaris...
— Saia — rosnei, virando o rosto, a cabeça latejando.
— Tem...
— Eu disse para sair! — minha voz saiu carregada, minhas íris pulsando em vermelho.
Aquilo era meu lobo. Ele também queria que ela fosse embora.
Foram quatro dias trancada em casa.
As únicas pessoas que eu via eram as empregadas que traziam minhas refeições, além de Xylon e Xyla, que vinham me visitar. Eles não entendiam por que eu não aparecia, só estranhavam meu sumiço.
Estava envergonhada demais. Envergonhada para sair, para encarar os olhares, para enfrentar os comentários.
Eu já imaginava os rumores:
"O Alfa a deixou plantada no altar até que todos fossem embora."
"Acho que ele quase desistiu, por isso chegou tão tarde."
"Que triste... uma mulher tão bonita quase rejeitada."
Mas no quinto dia, decidi que já bastava.
Vesti algo formal, respirei fundo e saí. Mantive os olhos baixos até chegar ao carro.
Eu queria ser forte o bastante para ignorar o julgamento, mas era difícil. Cada olhar parecia me perfurar.
Suspirei aliviada ao entrar no carro e ainda mais grata pelas janelas escuras. Ali dentro, pelo menos, estava protegida.
No caminho, o celular tocou. Era o gerente do jardim que Marta e eu tínhamos usado naquela noite. Atendi no viva-voz.
— Sim?
— Bom dia, Sra. Dreadmoor. Estou ligando em relação ao seu pedido. Conseguimos a aprovação para liberar as imagens das câmeras de segurança.
Meus olhos se arregalaram.
— Sério?
— Sim. E você estava certa. Outra pessoa entrou no jardim naquela noite.

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