POV: JARIS
Levantei a cabeça do laptop para encarar o rosto dele.
— Do que você está falando? — chequei o relógio. — São onze. — E ela tinha saído da festa há muito tempo. Eu achava que estava indo para casa.
— Você tentou ligar para ela? — peguei meu telefone.
— Tentei. Ela não atende. Também mandei várias mensagens. Sem resposta.
Que diabos estava acontecendo?
Disquei o número dela, mas o resultado foi o mesmo.
— Deixa. Deve estar só fazendo drama — dispensei Nerion.
Mas, à uma da manhã, ela ainda não havia voltado e, agora, eu estava muito irritado.
Onde diabos ela estava!? Tinha ido encontrar Zarek ou outro amante secreto?
Kael e Nerion ligaram para o pai dela e até para o amigo dela, mas nenhum dos dois sabia onde ela estava.
Minha mente pulou para os ataques dos renegados. As notícias mencionavam algumas vítimas. Não foi perto de Darkspire.
E se ela estivesse pela área quando aconteceu?
Merda.
Avancei em direção ao carro.
— Para onde estamos indo? — Nerion já tirava a chave do bolso.
— Para o local do ataque dos renegados.
Estendi a mão quando chegamos ao carro.
— Eu vou dirigir.
Ele hesitou, mas acabou me entregando as chaves.
Em menos de um minuto, eu, Nerion e Kael estávamos na estrada, e eu pisava fundo.
Quarenta e cinco minutos depois, chegamos ao local. Os guardas-lobo tinham controlado a cena; alguns ainda estavam ali.
Eles se surpreenderam ao me ver.
— Alfa Jaris.
— Preciso ver as vítimas — cortei. Não estava ali pra cerimônias.
Ele apontou para a traseira de um caminhão. Corri até lá. Três corpos cobertos. Descobri os rostos: dois homens, uma mulher.
— Ela não está aqui — Nerion disse atrás de mim.
É. Não estava.
O alívio me atingiu.
Me afastei dos corpos, puxei o telefone e liguei para Rhys.
— Ei, cara…
— A Lyric não voltou para sua festa depois que eu saí, voltou? — cortei.
— Jaris, a festa acabou.
Lá se foi minha última esperança.
— Mas ela está aqui. Na minha casa — acrescentou, me pegando de surpresa.
Foi como se tivessem me dito que eu tinha nascido mulher.
— Do que você está falando? — zombei, a confusão torcendo meu rosto.
— Pelo visto, minha companheira e a irmã dela viraram amigas dela na festa. A Juan está fazendo uma minifesta só de garotas e convidou a Lyric. Todas estão aqui, se divertindo horrores.
De jeito nenhum. Eu preocupado, e Lyric… se divertindo?
Encerrei a ligação e entrei furioso no carro com Kael e Nerion. Ainda bem que estavam comigo, porque eu não sabia o que faria quando finalmente visse Lyric Harper. Ou Dreadmoor. Qualquer que fosse.
Mais quarenta e cinco minutos até a Alcateia de Rhys. Droga, devia estar dormindo, considerando o dia cheio que tenho amanhã.
Rhys me esperava do lado de fora.
— Você não precisava vir, Jaris. Ela está bem — tentou me acalmar.
— Me leva até ela, Rhys. Agora.
Fui contornar o carro.
— Você é cruel com ela e nem deixa a menina se divertir!
O quê?
— Ei, querida. Tá tudo bem — Rhys segurou a mão dela.
A mulher dele devia estar bêbada. Porque, sóbria, Juan não teria a audácia de me enfrentar.
E desde quando Lyric andava contando sobre nós, para quem acabou de conhecer?
— Ela é incrível, Jaris! Se você não a quer, a deixe ir. Tem um milhão de homens que morreriam por ela! — Juan quase gritou enquanto eu abria a porta de trás.
Sim. Definitivamente bêbada.
— Põe uma corrente nela, Rhys. Ou melhor, na boca — fitei Rhys e me inclinei para entrar no banco de trás.
A bêbada da Lyric pôs a cabeça para fora da janela.
— Não se preocupa, Juan! A gente não vai ficar junto por muito tempo! — acenou, sorrindo de canto.
Uma dor cortou meu peito. Olhei pra Lyric e senti a raiva crescer de novo.
A puxei para dentro e fechei o vidro.
Nerion assumiu o volante, Kael se sentou ao lado. Pegamos a estrada.
Lyric seguia murmurando e cantarolando bobagens. O que me incomodava mesmo era ela estar encharcada, molhando meu banco.
Molhada. Naquele vestido casual.
Contra a vontade, meus olhos desceram para o peito dela. O contorno do sutiã preto sem bojo era nítido. Eu tinha visto a calcinha quando Rhys a trouxe. E pensar que ele provavelmente também viu.
Forcei o olhar para longe, expulsando a imagem.
Ela riu e, de repente, fez algo insano: encostou a cabeça no meu ombro. Cabelo molhado no meu ombro.
— Ah. Você não devia ter vindo — resmungou. — Divertido. Estava divertido. Sem você.
Quando olhei, os olhos dela estavam fechados, mas um sorriso descansava nos lábios. Será que ela realmente era infeliz comigo? Em Darkspire? Preferia a companhia dos outros?
“Ela já fez pior com você, Jaris.” minha consciência rosnou. “Ela merece estar infeliz.”

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