[JARIS]
— Papai! — Xyla gritou quando me viu do balcão.
Não perdi a cor que surgiu no nariz de Lyric, no momento em que me viu. Por que ela sempre tinha essa reação perto de mim?
Um pensamento sombrio se instalou em minha mente: Ela também teve essa reação quando deixou Zarek tocá-la?
Afastei o pensamento, decidindo aproveitar o momento.
Me aproximei das crianças, pegando Xylon em meus braços, enquanto plantava um beijo no cabelo de Xyla.
— Bom dia, Alfa. — Lyric baixou a cabeça, seu nariz ainda corado.
Estava começando a ficar irritado com ela me chamando de “Alfa”. Em seu modo de sonho, ela sempre me chamava pelo meu nome. Acho que gostava mais disso.
— Como foi sua noite, Lyric? — Perguntei.
Notei que a cor chegou às orelhas dela também. Mas agora, acho que ela estava envergonhada com algo. Sobre ter aqueles “sonhos”, talvez?
— Foi… Foi bem. — Ela rapidamente voltou a mexer no que estava na panela.
— Papai, olha! Estamos fazendo café da manhã! — Xyla disse animada.
Olhei para a pilha de waffles e panquecas.
— Pensei que você não gostasse de waffles. — Arqueei as sobrancelhas para ela.
— Sim! Mas a tia prometeu que eu ia gostar dos dela. Então, quero experimentar.
Ainda me divertia com o quão bem Lyric lidava com as crianças. Nunca as vi tão livres e felizes perto de Marta ou até mesmo das babás. O que havia com Lyric?
— Então, o que você aprendeu? Consegue fazer waffles sozinha? — Provoquei.
— Sim, papai! Tudo o que você tem que fazer é...
— Mentira! — Xylon a interrompeu, rindo.
— Não estou mentindo! Eu sei fazer waffles! — Xyla o encarou com raiva. Então, ela prosseguiu para dizer a receita.
— Está correto, chef? — Olhei para Lyric, que já estava rindo. Até eu sabia a resposta para minha pergunta. Não precisava segurar uma colher na cozinha, para saber que minha querida filha acabara de falar besteira.
— Sim! Sim, claro que estou certa! — Xyla bateu palmas para si mesma.
Trinta minutos depois, todos nós comemos à mesa.
E assim, o fardo de dois dias atrás desapareceu. Não me preocupei com o DNA, mas me concentrei no precioso momento diante de mim, que era tudo graças a ela.
Se Lyric não tivesse dado o passo ousado de trazer as crianças até mim, nada disso teria acontecido.
Estava começando a ficar confuso com Lyric. Ela conseguia fazer tudo parecer bom em um minuto, e no próximo, estragava tudo. Por que ela tinha que ir dormir com Zarek? Por que… por que ela tinha que estragar o momento perfeito que estávamos construindo?
Por mais que eu tentasse, não conseguia esquecer isso. Era o lembrete constante de que ela poderia fazer isso de novo com outro homem. Alguém mais teria a oportunidade de vê-la sorrir, vê-la rir. Ouvir seus gemidos.
Embora nada disso devesse me incomodar, incomodava.
O som do meu telefone tocando interrompeu o momento. Eu estava recebendo muitas chamadas desde dois dias atrás, a maioria das quais eu ignorava, mas quando vi o nome na tela, sabia que deveria ser importante.
— Oi, Patrick. — Deixei o garfo de lado.
Patrick era um Delegado dos Clãs. Ele supervisionava crimes entre Clãs e principalmente ajudava a manter todos sob controle.
Ele nunca ligava por prazer, apenas quando havia algo importante.
— Alfa Jaris. Acho que você vai querer ir até Willow Way. — ele disse.



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