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A babá é a mais nova obsessão do CEO romance Capítulo 5

Acordei com o som contínuo de um monitor cardíaco e a sensação incômoda de que algo tinha sido arrancado de mim. Não era dor física. Era lacuna. A filha da puta tinha um namorado. E eu ainda cheguei a sentir pena de tê-la fodido de forma selvagem porque era virgem. Fui um idiota! Enganado por uma ninfeta com uma tatuagem de maçãzinha na bunda.

É! Agora eu entendia porque Adão foi expulso do paraíso! Comer a maçã era praticamente uma obrigação.

Me perguntei se ela realmente era virgem ou levou uma espécie de sangue falso para me enganar. Por um breve momento, lembrei do que houve com meu irmão no passado. E imaginei se tinham feito a mesma armadilha para mim. Seria muito amadorismo. Mas não era impossível.

— Finalmente — disse Aayush, surgindo ao lado da cama. — Achei que ia precisar explicar para o conselho porque o CEO resolveu hibernar num hospital.

— O que aconteceu? — perguntei, atordoado.

— O senhor está no hospital. Encontrei-o desacordado no tumulto da boate. Exames indicam que foi dopado.

A palavra ecoou como um soco no meu estômago. Quem diria, Maçãzinha, com aquela carinha de anjo, tinha vindo diretamente do inferno, sem escalas, para me foder. E eu não me referia a foder no sentido de transar não. Era foder com a minha vida.

— Dopado? — repeti, quase que de forma ingênua, já sabendo por quem.

Aayush cruzou os braços, tentando ser profissional:

— Tivemos o jantar de negócios. Depois, a boate. Em algum momento, entre um e outro… alguém colocou algo na sua bebida.

Fechei os olhos. Os fragmentos surgiram rápido. A música alta, ela me observando o tempo todo, a voz mansa demais, fingindo ingenuidade!

— Foi ela! — minha voz soou alta demais.

— Ela quem, senhor?

— A garota da boate.

Aayush franziu a testa:

— Tem certeza?

Certeza absoluta eu não tinha. Mas tinha instinto. E experiência demais para ignorar os sinais, que estavam visíveis.

— Isso já aconteceu antes, lembra? — o encarei — Com alguém que você lembra muito bem.

— O senhor Asheton? — o semblante dele mudou.

— Garota bonita se aproximando do nada, banheiro, foda rápida. O final sabemos muito bem. Zadock casou com ela. Eu não serei burro como ele.

— A história... não foi bem assim. — Claro que Aayush falaria aquilo, pois viveu praticamente tudo aquilo junto de Zadock e Caliana.

— Eu fui dopado pela Maçãzinha! — suspirei e o encarei — Jamais vou me perdoar por ter pensado com meu pau e não com o cérebro.

— Maçãzinha? — ele estreitou os olhos, confuso.

— Você não acreditaria se eu explicasse!

Aayush suspirou:

— Vocês, CEO’s bilionários, tem cada jeito peculiar de apelidarem suas mulheres!

— Ela não é a minha mulher! — quase gritei, furioso.

Acontece que, mesmo eu estando em fúria, ela me interessava. E isso era o mais perturbador.

Eu não lembrava do rosto dela. Não conseguia reconstruir a imagem completa. Era como tentar lembrar um sonho logo ao acordar. Mas alguns detalhes estavam gravados com uma precisão irritante.

— Ela tinha tatuagens — falei.

Aayush arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, como quem diz: “Vamos lá, conte, abra o seu coração”.

— Um coração pequeno no dedo anelar direito. E… — hesitei, irritado comigo mesmo por lembrar daquela parte com tanta clareza — uma maçã mordida. No lado direito... da nádega.

Aayush franziu a testa:

— Anotado, senhor: mulher misteriosa, tatuada, possível agente de sabotagem. Pode descrevê-la de forma mais clara, por favor? Desta forma encontro com mais precisão nas imagens das câmeras da boate.

— Então... temos um problema!

Horas depois, já em casa, tentei me convencer de que o ambiente familiar ajudaria a organizar meus pensamentos.

Erro clássico!

Davi estava sentado no tapete do escritório, sob a vigilância da governanta, concentrado demais para uma criança de quatro anos. Espalhei cola colorida sobre uma folha grande e empurrei para ele:

— Não jogue no tapete! Não se pinte por inteiro! Não coma! — avisei.

Os olhos dele brilharam, como se eu tivesse acabado de oferecer o maior presente do mundo. Puxou a cadeira com dificuldade e empoleirou-se à mesa:

Enquanto ele colava papéis tortos, pensei no quanto aquele garoto era o único ponto fixo da minha vida, a única coisa que importava. Tudo o que não podia ser ameaçado e o que estava mais bem guardado.

A ressaca não é álcool 1

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