Depois de deixar Cristal na cama, pronta para dormir, eu fui para o quarto de Alex. Ele estava na sacada, pensativo e virou-se ao ouvir a porta abrir.
— Bella! Estava te esperando!— Ele disse vindo na minha direção.
Eu aceitei o seu abraço, mas algo estava errado comigo. Alex percebeu.
— O que aconteceu? Por que está assim? Não queria dormir comigo?
Eu fechei os olhos e respondi:
— Todos os dias da minha vida.
Minhas lágrimas caíram sem que eu pudesse impedir.
— Então, porque está chorando? — Alex ficou desesperado.
Eu saí da sua frente confusa.
— Não queria magoar Cristal!
— E por que lhe magoaria?— Alex insistiu.
Eu estava com crise de consciência. Eu achava que aquela família era perfeita demais para mim. Na minha inocência, eu era a criminosa e Alex a vítima, mas eu esquecia que Alex era acostumado a sentenciar atitudes maldosas e a minha com certeza era.
— Veste sua camisola!— ele disse vindo na minha direção.
Eu aceitei sua mão, como que hipnotizada pela sua voz sedutora.
— Eu não trouxe minhas coisas ainda!
Alex virou-se para o closet e sorriu dizendo:
— Tem uma ali, pode pegar, é sua agora!
Eu fiquei estática.
— Pode pegar, estou te autorizando!— ele insistiu.
Eu obedeci. Abri o closet e comecei a vasculhar. Tinha um espaço vazio, que eu passaria a usar no dia seguinte.
Depois de remexer tudo, porque era tanto armário, eu vi, uma caixa de presente, intacta.
— Meu Deus, ela nunca usou!— eu falei baixinho.
Na minha mente só vinha a minha mãe falando sobre o plano mesquinho de chantagear o Alex.
Eu abri o laço e a caixa pode ser aberta. Havia um papel seda branco envolvendo a lingerie delicada.
Eu a segurei nas mãos. Ela tinha um aroma adocicado.
— Meu Deus, que linda!— exclamei baixinho, me curvando.
Era uma camisola branca maravilhosa. Acompanhava uma calcinha minúscula na mesma cor. Eu a vesti e parecia estar pronta para um desfile.
Eu caminhei na ponta dos pés até aparecer diante de Alex. Os olhos dele ficaram surpresos e emocionados.
Eu estava tensa, não era eu quem devia estar ali. Ele não estava me vendo, eu sabia!
— Meu Deus, você está maravilhosa!
Eu não disse nada, estava muito emocionada também.
Alex tomou a minha mão e me puxou para o peito, depois chorou. Eu ouvi os seus soluços.
— Alex, eu sinto muito!— eu disse acariciando os seus cabelos.
Ele se afastou e me olhou sorrindo em meio às lágrimas.
— Não lamente, você me devolveu a vida! Eu me sinto vivo novamente.
Ele me beijou carinhosamente e eu suspirei. Fazia muito tempo que não sentia uma paz tão grande!
Alex me conduziu pela mão e sentamos à beira da cama.
— Eu comprei para ela, mas ela nunca conseguiu usar. Ficou linda em você!— ele disse acariciando o meu rosto.
— Acho que não foi uma boa ideia, Alex!— eu disse impaciente.
— Não se preocupe, não vamos mais ter filhos, eu só preciso te tocar, por favor.
O pior de tudo para mim, era que Alex não tinha bebido e estava delirando.
Ele encostou o seu membro na minha entrada e eu estranhei o toque por estar usando o preservativo.
Ele me penetrou devagar, com muito cuidado e deu um gemido agudo roçando o meu rosto com a sua babá por fazer.
A maior decepção estava por vir. Ele falou o nome dela, no momento em que gozou:
— Cecilia!
Eu paralisei. Ele não percebeu e beijou meus cabelos sussurrando:
— Meu amor! Você estava maravilhosa! Eu tive todo cuidado para não te machucar!
Eu senti um ódio tão grande de mim! Como eu pude aceitar aquilo! Que droga! Eu amava o Alex, e como se não bastasse eu ser bem mais jovem do que ele, ainda tinha que competir com uma falecida.
Impossível competir com alguém que já não está neste mundo. Mesmo por que, a pessoa quando morre, se torna perfeita, isso é fato!
Eu empurrei Alex sem piedade. Ele se assustou e imediatamente acendeu a luz.
— Ficou louca, garota?
Eu corri para o closet e tirei imediatamente a camisola, e em seguida a coloquei de volta na embalagem de presente.
Eu vesti o meu uniforme novamente e saí de lá.
Alex está sentado na beira da cama segurando a cabeça. Ele se levantou na hora em que me viu.
— Bella, me perdoa!
Eu apertei os meus olhos azuis inundados de lágrimas e ódio, depois disse irônica:
— Não sei se você percebeu, mas a falecida não gozou!
Eu disse isso e saí pisando fundo.

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