Ele se foi e eu fiquei boquiaberta. Theo chegou preocupado.
— O que houve, Bella? O que deu no patrão? Passou por mim como um raio!
— Ele é autoritário e…— eu gaguejava assustada e não conseguia concluir minha fala.
Theo me abraçou.
— Calma, Bella! Eu sei como ele é exatamente, mas isso tem haver com a profissão dele!
Eu me afastei franzindo a testa, estava desesperada. Falava como uma pessoa desorientada:
— Theo, me ajuda! Eu não quero mais ter um filho dele e nem quero me casar! Pelo amor de Deus! Eu preciso fugir daqui!
Theo riu achando graça e voltou a me abraçar. Ele me tratava como uma irmã mais nova.
— Calma! Não se precipite! Eu vou ficar com você o dia todo!
— Sério?!— eu me surpreendi.
— Eu sou seu amigo! Agora me conte, o que o juiz fez de tão grave para deixá-la assim?— ele falava me olhando sério
Eu suspirei antes de responder:
— Meu amigo, estou sofrendo muito! Eu me declarei para o Alex e simplesmente ele disse que não existe amor entre nós e que somos só amantes! Como suportar tamanha humilhação?
Theo também ficou triste e pensativo.
— Vai passar amiga, ele te ama, eu sei!
Voltamos para onde estava Cristal e entramos na casa, os três.
Dentro de casa, estava um alvoroço, parecia até que ia chegar o presidente da república!
Giorgia trocava a toalha da mesa e dona Mirtes ficava ao seu lado, o tempo todo dando ordens.
Passamos rapidamente para a cozinha e vimos pela porta dos fundos que tinham homens trabalhando na área da piscina. Alex e o pai estavam lá conversando.
— Isso aqui está abandonado, Alex!— O pai dizia meneando a cabeça.
— Desde que Cecília se foi eu perdi o gosto, pai! Na verdade, eu a perdi há muito tempo!
O homem se compadeceu e tocou o ombro do filho, dizendo:
— Eu sei meu filho, eu sei! Eu vou passar um tempo por aqui para colocar as coisas no lugar!
Alex arregalou os olhos, surpreso. O pai riu achando graça e se apressou em explicar:
— Não se preocupe, filho, não estou aqui para lhe julgar! Nunca fui santo!
Alex riu aliviado. Ele ouvia falar da fama do pai no seu ambiente de trabalho, mas por respeito, preferia não comentar.
Eu fiquei observando ao longe como Alex estava bonito. Eu não me cabia de tanto ciúmes!
Cada gesto dele, por mais comum que fosse, eu admirava. A camisa vermelha arregaçada quase no cotovelo, até o relógio de pulso que agora eu podia calcular que fosse caríssimo!
Alex e o pai estavam envolvidos num diálogo e eu não podia imaginar que ele fosse virar o rosto de repente e me flagrar o admirando como uma tonta!
— Ai meu Deus!— Eu entrei falando.
Theo, que estava atrás de mim, riu achando graça. Giorgia foi ver o que me deixava daquele jeito agitada e pôs as mãos na cintura a resmungar:
— Ô menina, larga a mão de ser besta e procura o teu lugar! O juiz não quer nada sério contigo!
Nesse momento, Alex fez sinal para Giorgia se aproximar e ela se queixou para mim:
— Quer ver só, ele vai mandar eu arrumar pra você o que fazer! Ele deve estar incomodado com o seu olhar.
Eu tentei me justificar:
— Não, Giorgia, eu não fiz nada demais! Eu nem estava olhando para ele!
Quando Giorgia saiu, Theo desatou a rir.
— Você é cara de pau, Bella!
Quando Giorgia chegou perto dos patrões, recebeu a ordem sem rodeios:
— Giorgia, quero que leve as coisas da Bella para o meu quarto, agora!
— Sim, senhor, vou dar o recado para ela!
Alex perdeu a paciência.
— Não, não Giorgia, você não entendeu! Eu disse para você levar, entendeu?
— Sim, senhor, claro!— Giorgia disse se retirando.
— Nossa! Parece apaixonado mesmo!— Andradas exclamou brincalhão.
Alex cruzou os braços irritado e desabafou:
— Ela está brincando comigo, pai! Eu lhe dei a ordem várias vezes, eu chego lá em cima e não tem nada dela lá!
Andradas riu cobrindo a boca com a mão.
— Estou errado?— Alex indagou confuso.
O pai encolheu os ombros se fazendo de bobo.
Giorgia voltou alterada.
— Melhor você não se meter nisso! Não me causa problemas!
Eu concordei e apenas disse:
— Deixe minha bolsa que está na cama, por favor. Vou usá-la agora!
Giorgia assentiu com a cabeça e ainda conseguiu me provocar antes de se retirar.
— Aposto que depois dessa visita, ele vai mudar de ideia!
Eu engoli em seco, mas disfarcei.
— Tudo bem! Eu faço questão de trazer de volta!
Theo me olhou indignado com a maldade da mulher.
Um tempo se passou, a comida do restaurante chegou e eu fui com o Theo ajudar Giorgia.
— Assim que as visitas chegarem, vamos servir uns drinks, depois colocamos a mesa!— Giorgia dizia tirando a porcelana do armário.
Eu e Theo ajudamos, mas nos entreolhamos a todo instante.
Levamos a porcelana para a mesa e voltamos para a cozinha.
— Pelo jeito, vamos ter que almoçar aqui, Theo!— eu disse resignada.
— De jeito nenhum! Eu prefiro comer cachorro quente na rua!— Theo protestou.
Eu ri achando graça.
— É bom amadurecer essa ideia, pois se chegarmos para almoçar de última hora vai deixar a dona Esther irritada!
Giorgia chegou agitada da sala.
— Chegaram! Ai meu Deus, que povo chic!
Eu cruzei os braços e revirei os olhos. Theo também fez cara de nojo.
— Só não me peça para servir ninguém!— eu disse nervosa.
Giorgia começou a colocar umas taça com refrigerantes, enquanto falava maliciosa:
— Os homens estão no bar conversando animadamente! Vou servir as damas!
Eu baixei a cabeça entristecida.
— Não fique assim!— Theo veio me consolar.

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