Eu saí pelo corredor, chorando assustada.
Os meus pés faziam um barulho enorme ao descer as escadas, o que acordou Giorgia.
Entrei no meu quarto e me tranquei. Se pudesse, saía daquela casa naquele momento. Sim, aquilo talvez tivesse mudado a minha vida, ou não! Para onde eu iria? Qualquer lugar seria melhor do que com a minha mãe. Com a morte do meu padrasto, ela estava desesperada para voltar a ter o padrão de vida que tinha antes, não importava a que preço! Alias, preço esse que eu pagaria!
Giorgia começou a bater na porta insistentemente.
— Abre a porta menina! O que aconteceu? O juiz te fez algum mal?
Eu abri a porta e ganhei um abraço. Era tudo o que eu precisava naquele momento.
Giorgia afastou os cabelos loiros do meu rosto e os meus olhos azuis ainda transbordavam em lágrimas.
— Meu Deus! O que aconteceu?— ela quis saber.
Eu comecei a contar o que tinha acontecido, ainda com a voz chorosa:
— Você não viu? O Alex se embriagou, e está lá em cima com a juíza! A mãe dele me expulsou do quarto!
Giorgia cobriu a boca com as mãos, incrédula.
— A patroa me dispensou cedo ontem! Achei estranho, porque tinha visita. Então era isso, elas deviam estar armando alguma coisa que eu não podia saber!
Eu imaginei que a bruxa não confiava nem na Giorgia. O plano devia ser muito sujo!
Ficamos as duas matutando o poderia ser, mas só nos restava esperar até o dia seguinte e Giorgia se foi.
No corredor, antes que ela chegasse ao seu quarto, encontrou o senhor Andradas e se assustou.
— Como ela está?— ele indagou olhando na direção do meu quarto.
— A bruxa mandou você se inteirar?— Giorgia se irritou.
Andradas se assustou.
— Bruxa! Desde quando se refere a Mirtes desse jeito? Ela tem razão, não dá para confiar mais em você!
— E em você? Quando dá para se confiar?— Giorgia rebateu instantaneamente.
Andradas engoliu em seco e ficou confuso por um minuto, mas logo em seguida saiu a arrastando.
— Vamos sair daqui antes que alguém nos veja!— ele falava afobado.
Giorgia parou na porta do seu quarto.
— Melhor não entrar!— ela disse.
— Deixe de bobagem, não seria a primeira vez!— Andrada insistiu.
— Não!— Giorgia quase gritou.
Mas não adiantou, ela foi empurrada à força para dentro do quarto.
— Melhor ir embora, Zinho! Dona Mirtes pode vir lhe procurar.
— Ela sempre soube de nós dois! — Andradas falava abrindo a camisola de Giorgia como um animal no cio.
Ela o empurrou e disse irritada:
— Chega! Eu não quero os restos que ela j**a aos poucos!
— O que disse?— Andradas ficou surpreso.
Giorgia deu um passo para trás sentindo-se acuada pelo olhar do patrão. Ele reagiu muito mal na última vez em que foi rejeitado, mas isso foi há muitos anos!
— Vá embora, Zinho! Por favor vá embora!
José Andradas! José para os íntimos e Zinho era como ele exigia que as suas amantes o chamassem e não foi diferente com Giorgia.
Andradas empurrou Giorgia na cama e ela caiu desajeitadamente, porque agora era uma mulher corpulenta.
— Ficou louco!— ela exclamou se queixando de dor no braço ao se chocar contra a parede.
Ele não se importou e começou a tirar a camisa, enquanto se aproximava malicioso.
— Não, eu não quero Zinho!
— O quê!— ele parou incrédulo.
— Tem outro?— ele quis saber.
— Tenho! Mais novo que você! — Giorgia mentiu.
Andradas não acreditou.
— Eu te peguei novinha, não pode ter me esquecido!
Giorgia deu uma risada sonora.
— Isso foi há muitos anos, eu tinha só dezoito anos e tinha acabado de chegar aqui, há apenas dois dias, por sinal!
Andradas se agarrou a Giorgia ficando por cima dela na cama.
— Mas você gostou! Tinha muito fogo! Você me queria todos os dias na sua cama!
Giorgia sentiu nojo e empurrou o sem vergonha do patrão, se levantando em seguida.
Andradas ficou sentado na cama, rindo sarcástico.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá e o Juiz