Alex percebeu como Adriana ficou chocada, então pôs-se a falar sério:
— Adriana, eu fui um adolecente muito levado e mulherengo, mas hoje eu eu sou um homem sério, de carater, eu saberia se tivesse feito sexo com você, e provavelmente estaria aqui arrependido, porque sempre lhe quis como uma amiga. Eu não seria tão irresponsável a ponto de estragar a nossa amizade.
Adriana soltou o ar nervosa, depois encarou Alex e confessou:
— Eu sempre te amei, Alex!
Houve um silêncio. Alex estava boquiaberto. Adriana continuou:
— Desde muito novinha, eu já te amava. Eu sofri quando se casou, quando enviuvou, eu passei todas as fases da sua vida do seu lado, como amiga, sem poder falar do meu amor.
Alex ainda estava perplexo, ele se negava a acreditar.
— Como eu nunca percebi, Adriana! Eu sempre te admirei tanto como mulher, como pessoa! As vezes me perguntava porque nunca se casou!
Adriana riu com tristeza, segurando sua taça de vinho branco.
— Eu nunca perdi a esperança de te conquistar. Quando a sua mãe me contou da babá, eu despertei e foi fácil para ela me convencer a te dopar.
— O quê!— Alex ficou chocado.
Adriana suspirou e foi até o fim.
— Ela trouxe o suco e eu coloquei um sonífero.
— Como eu não vi?— Alex gaguejou.
— Sua mãe me passou junto com a bandeja que colocou na bancada. Ela disse baixinho que era o seu suco predileto e que você não se recusaria a tomar. Ela me ajudou a destruí-lo.
Alex apertou os olhos, indignado.
— Como pôde fazer comigo, Adriana?
— Fiz isso por amor! Não queria te ver cair nas garras dessa aproveitadora disfarçada de babá!
Alex baixou a cabeça impaciente.
— Eu não ia ficar com você só por causa de uma noite, Adriana! Eu não ficaria nem se estivesse grávida!
Adriana ficou ofegante, os olhos lacrimejando e retrucou:
— Mas, e se isso vier a acontecer com ela?
Alex ergueu os olhos assustados.
— Isso nunca aconteceria!
— Por que?
Alex engoliu em seco, lembrando das vezes em que não se preveniu e respondeu num fio de voz:
— Nós não queremos isso.
Adriana procurou os olhos de Alex, ansiosa por falar:
— Algo me diz que já correu esse risco com ela! Casa comigo, Alex! Não deixe ela conseguir o que quer! Sua mãe ficou sabendo do plano dela de engravidar de você!
— Isso é coisa de Giorgia! Cuidados em exagero! — Alex rebateu rapidamente.
Houve um silêncio e Adriana suspirou resignada.
— Eu queria te ajudar, mas vejo que está cego ou não quer enxergar!
A comida chegou e eles comeram em silêncio. Alex tinha um ar de preocupação e Adriana de desolação.
Se despediram no estacionamento.
— Bem, Adriana, as coisas estão claras. Espero que voltemos a ser amigos, mesmo você se abrindo comigo com relação aos seus sentimentos e eu não podendo lhe corresponder.
Adriana baixou a cabeça e assentiu.
— A minha proposta está de pé, Alex. Se quiser se casar comigo para não ser obrigado a ceder a esse plano sórdido, estou disposta a te ajudar, mesmo sabendo que não me ama.
Alex ficou penalizado, mas achou a proposta absurda. Ele abraçou a colega com carinho.
— Vamos esquecer tudo isso e vamos voltar a ser amigos! Eu sei me cuidar, eu sei como tratar pessoas que me subestimam, pode ficar tranquila!
Adriana concordou sem jeito e seguiu para o seu carro. Alex suspirou pensativo, depois abriu a porta do seu carro.
Quando chegou em casa, procurou conversar com Giorgia que estava afobada na cozinha.
— Onde está Bella?— ele chegou indagando.

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