Dona Esther definitivamente era muito ousada mesmo. Conversávamos no jardim.
— Só na sua cabeça o Alex poderia concordar com um absurdo desse, mãe!
— Você pode convencê-lo facilmente!
Eu estava sem paciência com a minha mãe. O Felippo estava ansioso.
— Deixa eu morar aqui com você, Bella!— ele disse me abraçando.
Eu fiquei emocionada e a dona Esther tirou proveito da situação:
— Olha aí, até o seu irmão gostou da ideia!
Eu suspirei impaciente e desabafei:
— Mãe você não tem noção do que estou passando! O Alex se transformou, ele me odeia!
— Odeia nada! Ele está apaixonado por você, boba! Eu conheço quando um homem está caidinho por uma mulher!
Eu fiquei boquiaberta. As palavras da minha mãe mexeram comigo!
— Vou ver o que faço!— eu disse resignada.
Nesse momento, Giorgia veio lá de dentro como uma leoa feroz.
— O que está fazendo aqui, sua mãe desnaturada! Deixa a menina em paz! Não basta ter estragado a vida da menina!
Minha mãe olhou com desprezo para Giorgia e rebateu:
— Eu sou a mãe dela e você é apenas a empregada do juiz, meu genro, portanto, me respeite!
— Não, você não é mãe. Nenhuma mãe faria o que você fez! Ponha-se para fora daqui! Bella não precisa de você, ela já tem a mim!
Minha mãe riu sarcástica.
— Quando eu vier morar aqui, vou colocar você no seu devido lugar!
Giorgia me olhou surpresa.
— O juiz nunca aceitaria isso, Bella! Por favor, nem pense num absurdo desse!
Eu suspirei nervosa e olhei para Felippo penalizada.
— Eu vou tentar, mas é pelo meu irmão!
Minha mãe sorriu satisfeita e tomou a mão do filho dizendo:
— Anda garoto, se despede da sua irmã logo! Vai garoto idiota!
Eu sabia que a minha mãe tratava Felippo com estupidez para me atingir, e mais uma vez me ter como aliada no seu novo plano.
Eles saíram e eu fiquei desolada. Giorgia me entendeu. Ela me puxou pela mão e saiu falando:
— Venha Bella, não fique assim! Vamos entrar. Eu sei que você se preocupa com o seu irmão.
Eu não sabia por onde começar uma conversa com Alex a esse respeito, mas resolvi mais uma vez enfiar os pés pelas mãos.
Quando Cristal chegou da escola no final da tarde, eu subi junto com ela. Enquanto a menina tomava banho, eu conversava:
— Cristal, estou pensando em trazer minha mãe e o meu irmão para morar aqui, afinal eu vou me casar com o seu pai e não faz sentido eles morarem sozinhos, longe de mim. O que você acha? O Felippo tem a sua idade, vai gostar muito dele!
Cristal ficou eufórica e saiu do chuveiro para responder:
— Eu vou adorar, Bella! Eu vou falar com o meu pai também!
Eu sorri satisfeita, ao menos eu tinha uma aliada.
Quando Alex chegou à noite, Cristal estava jantando e aproveitou que ele veio lhe dar um beijo para tocar no assunto.
— Papai, o irmão da Bella vai vir morar aqui conosco e a mãe dela também.
Alex paralisou.
— Que história descabida é essa, Bella?— ele se alterou.
Eu comecei a gaguejar e não saiu nada, mas Cristal me salvou.
— A mãe dela quer ficar perto da filha, pai! Ela ficou sem o marido, assim como o senhor ficou sem a mamãe!
Alex suspirou impaciente e acariciou os cabelos da filha dizendo:
— Vamos desistir disso tudo, mãe! Você quer dinheiro e Alex tem muito para lhe dar! Dê o seu preço!
Minha mãe deu de ombros e retrucou:
— Mas eu também quero status!
Eu me desesperei.
— Aqui só terá isso! Ele não vai lhe soltar dinheiro algum! Ele não quer ser meu marido, ele me odeia! Faça a proposta, venda o seu silêncio!
Minha mãe ficou pensativa. Ela saiu para falar com Alex e eu fiquei no seu quarto esperando.
Alex estava no quarto e quando a minha mãe bateu na porta, ele achou que fosse eu e franziu a testa, depois abriu.
— A senhora!— ele exclamou lhe dando passagem.
Minha mãe entrou no quarto e foi logo expondo sua proposta sem rodeios.
— Tenho uma proposta para lhe fazer doutor! O senhor fica livre desse casamento indesejável e eu cuido da minha filha, claro que vai lhe custar muito dinheiro! Mas aí, o senhor não precisa ficar preso a esse casamento e poderá se casar com quem quiser! Que tal?
Alex ouvia incrédulo enquanto sorridente, minha mãe achava que era a pessoa mais convincente do mundo!
Alex foi até a porta e a abriu. Olhou para a intrusa, era assim que ele a via, e disse:
— Colocou uma garota virgem para me seduzir e engravidar dentro da minha casa! O que quer mais? Eu topei, não topei fazer o papel de trouxa?
— Mas você aproveitou, não aproveitou?— minha mãe ainda foi sarcástica.
Alex largou a porta e foi encarar de perto a mulher que ele considerava desprezível.
— Aproveitei sim e vou aproveitar muito mais! Terá logo a sua casa de volta, pelo tanto que a sua filha está colaborando!
Dona Esther fechou o semblante. Ela não suportava se sentir derrotada. Ela realmente esperou que ele aceitasse prontamente a sua proposta, e eu também!
Alex voltou a segurar a porta e ela ainda parou na saída para insistir.
— Será melhor para o senhor! Estará livre desse casamento!
— Eu quero a sua filha! Eu quero vê-la todos os dias pagando o preço por tentar me fazer de idiota!— Alex falou entre os dentes.

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