Eu despertei num quarto de hospital, uma enfermeira simpática mexia no soro que fazia correr pela minha veio, a medicação.
— Onde eu estou?— indaguei sonolenta.
— Você teve uma queda de pressão e está aqui para fazer alguns exames— A moça explicou.
Eu fui me lembrando aos poucos de tudo e corri os olhos procurando o meu vestido de noiva.
A moça sorriu e disse:
— Tivemos que tirar o seu vestido e colocar essa roupa hospitalar, mas não se preocupe, ele está intacto.
Eu pensei em Alex, e porque não tinha ninguém comigo no quarto? A enfermeira parecia ler os meus pensamentos.
— Todos queriam ficar aqui dentro, mas o médico proibiu até você fazer os exames. O seu noivo ficou muito tempo lá fora, desesperado.
— Alex!
— O nome dele é Alex?
— Sim!
A moça sorriu e saiu.
Eu suspirei resignada e esperei a visita do médico. Ele chegou um tempo depois.
— Senhorita Schmidt! Como está? Eu já falei com o seu noivo, o casamento terá que esperar um pouco.
Eu arregalei os olhos.
— Eu tenho algo grave? E o bebê?
— Estamos tentando salvar!
Eu olhei para baixo, depois ergui os olhos para o soro e fiquei sem entender. O médico explicou :
— Conseguimos estancar o sangramento, mas precisamos esperar um pouco.
— Não posso receber visita?— eu quis saber.
— Dispensei todo mundo, por enquanto, não é bom para você toda aquela pressão, discussão!
Eu me conformei. Imaginei a que ele se referia.
Alex voltou para casa e a minha mãe levou o meu pai para sua antiga casa. Klaus quis saber tudo com detalhes sobre a minha vida. A minha mãe falou até do Marcelo.
— Ela andava pra cima e para baixo com um moleque mais novo do que ela! Um namorico, pelo que sei, nunca nem beijaram na boca. Sempre foram muito amigos! Ele mora aqui, no condomínio.
O meu pai se interessou e quis até conhecer o Marcelo. Não foi difícil, ele estava sempre andando de skate.
— Se gosta da minha filha, tem que aparecer sem esse jeito de moleque!
— Mas ela gosta de mim assim!
— E por isso ia se casar com um homem mais velho!
Essa conversa aconteceu enquanto eu estava no hospital.
— É verdade que nunca se beijaram?— Meu pai não acreditava.
— Eu sempre a respeitei e não era hora ainda!
Meu pai perdeu a paciência.
— E quando era hora? Ela quase se casou, garoto!
Marcelo fechou o semblante segurando o skate junto ao peito.
— Isso foi coisa da mãe dela! Eu até estou trabalhando no escritório do meu pai!
O senhor Klaus meneou a cabeça suspirando.
— O que eu faço com vocês, hein? Duas crianças!
— Eu posso vê-la no hospital?
— Eu acho que ela perdeu o bebê!
— Bebê!— Marcelo se assustou.
Meu pai gesticulou vagamente.
— Era por isso que ela ia se casar com aquele mulherengo!
Marcelo franziu a testa e o meu pai tocou o seu ombro calmamente.
— Deixa pra lá, meu rapaz! Eu vou te levar ainda hoje para vê-la, ela vai gostar, acho que você é o mundo real dela!
Alex estava no seu quarto desolado. Cristal foi tentar o animar, orientada por Mirtes.
— Papai, não fique assim! Ela vai ficar boa e vocês vão se casar!
Alex forçou um sorriso e colocou a filha no colo. Eles estavam na varanda.
Enquanto isso, Mirtes conversava com o marido.
— Que confusão foi essa José? Me explique! Esse Klaus, seu amigo, é pai da Bella?
— Exatamente, e ex-marido da namorada do meu irmão!
Mirtes ficou interessada.
— Por isso ele estava contra o casamento?
Ele veio e me abraçou emocionado.
— Bella, o que fizeram com você! — ele disse segurando o meu rosto.
Eu olhei desconfiada para o meu pai e retruquei:
— Pelo jeito você já sabe de tudo!
— Até engravidar, Bella! Você não se achava preparada para namorar, beijar na boca, nosso namoro era só faz de contas! Lembra, você dizia que nós namorávamos só para ninguém encher o seu saco?
Eu ri sem graça. Será que dava para voltar lá trás? E o meu filho, eu e o Alex? O que eu faria com tudo isso?
Enquanto isso, Cristal já tinha ido para o seu quarto e Alex recebia a visita do pai.
— Filho você se trancou no quarto desde que voltamos do hospital!
Alex ficou cabisbaixo sentado numa cadeira da varanda.
— Eu não sei como agir, pai! Bella não me quer mais!
— Precisa falar com ela! Porque não usou a sua posição de juiz para conseguir uma visita?
Alex suspirou entristecido.
— Se ela perder esse bebê, ainda vai me culpar.
— Vá lá e encare essa situação, não dá para fugir! Sua presença pode ser muito importante!
— Depois daquele alvoroço no hospital, o médico nos quer bem longe!
— Mas agora será só você, o noivo, Alex! vai lá!
Alex ficou animado, mas sua mãe agiu rápido.
— Adriana, ela está envenenada pelo pai. Vai lá, tenta falar com ela. Vai lá como melhor amiga e executa o plano!
A juíza ficou desesperada. Como estava arrasada com o quase casamento do Alex, viu ali uma chance.
Adriana chegou no hospital, antes do Alex.
— Meu Deus, o médico proibiu visitas, senhora!— disse a recepcionista.
— Mas somos muito amigas. Se disser que é a juíza Adriana, ela vai querer me ver!
A recepcionista ficou confusa e pegou a carteira de identidade da visitante, então disse:
— Pode subir, oitavo andar, quarto oitocentos e um.
Adriana alcançou o elevador e segurou o ventre, maliciosa.
— É só plantar a sementinha!— ela disse pensativa.

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