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A Babá e o Juiz romance Capítulo 55

Max tentava animar o sobrinho.

— Eu fiquei de voltar amanhã, vou ver o que faço! Por que não toma coragem e vai falar com ela?

Alex meneou a cabeça entristecido.

— Depois do aborto, ficou uma ferida, tio. Melhor deixar ela no seu canto.

Max passou a mão pela testa, espalhando o suor.

— Luana está enciumada, quer ir embora!

— Não quero lhe prejudicar, tio.

Max inclinou o corpo para frente, falando com os olhos agitados:

— Alex, estou fazendo isso com prazer, não se preocupe! Se Luana quiser ir, que vá, eu já lhe avisei que vou ficar, não sou casado com ela!

Max voltou a encostar o corpo no sofá e riu, retrucando irônico:

— Casamento não é o meu forte, você sabe!

— Sei, o senhor é um mulherengo incorrigível, não foge a fama dos Andradas!

Max ficou inflamado.

— E por falar nisso, o Klaus, aquele imbecil, está espalhando essa história! A sua noiva deve estar contaminada!

Alex ficou pensativo.

— Ainda mais com essa história da Adriana. Como ela teve coragem de ir ao hospital dizer que pode estar grávida, se nem dormimos juntos!

Max achou graça.

— Mulher impetuosa, preciso conhecer!

Eu, na minha inocência, não imaginava que Alex estivesse usando o tio para saber a meu respeito e me sentia triste por sua indiferença, apesar de estar sempre em posição de ataque.

O meu pai andava cantarolando, depois da visita da esposa, e não estava mais com pressa em ir embora.

Quando Max foi me ver novamente, foi outra discussão, eu já estava achando normal aquelas baixarias. Desde o dia do meu, quase casamento, era só isso!

— Max, você sabe se a Adriana está grávida mesmo?— Eu fiquei toda interessada.

Max riu no canto dos lábios e me ofereceu o braço. Caminhamos pela área verde do condomínio.

— Quando se sentir melhor, gostaria de ver a Cristal? Ela ficou abalada com tudo o que aconteceu.

Eu parei de andar e fiquei falando eufórica:

— Max, você faria isso por mim? Teria coragem de trazer a Cristal para me ver?

— Não, isso não, mas posso te levar para vê-la em sua casa!

— Na casa do Alex?— Eu me assustei.

Max achou graça.

— E por que não? Garanto que não é nenhuma criminosa!

Eu fiquei pensativa e expliquei:

— Para o Alex eu sou, Ele é rígido, acostumado a julgar e condenar!

— Vamos deixar as coisas esfriarem, então! Ele vai se acostumar com a situação.

Eu concordei, pois era o que me restava. Começamos a sair todos os dias. Max sempre foi uma boa companhia, alegre, gentil e eu me sentia confortável ao seu lado.

Durante um jantar, num restaurante fino, ele segurou minha mão sobre a mesa, olhando nos meus olhos.

— Seus olhos me hipnotizam, Bella!

Claro que eu fiquei sem jeito, já havia tirado da cabeça que Max me procurava a mando do sobrinho e a vaidade por ser cortejada por um homem tão mais vivido, tomava conta de mim.

Na volta para casa, Max encostou os seus lábios nos meus e ficou esperando que eu tivesse qualquer reação, mas eu fiquei parada, olhos fechados, não o repreendi e tão pouco o correspondi.

Ele riu e se afastou acariciando o meu rosto. Eu suspirei admirando a sua beleza e lhe sorri, depois abri a porta do carro e saí.

Entrei no meu quarto com a lembrança forte do Alex, parecia que o seu cheiro estava impregnado na minha pele. Havia uma confusão na minha cabeça! Se eu saía com o Max, por que tinha que pensar tanto no Alex assim?

Max chegou em casa e encontrou Alex no bar já embriagado.

— Estava te esperando, tio! Por que não a trouxe para mim?

Max ergueu as sobrancelhas rindo e respondeu:

— É, parece que bebeu demais! Não gostaria que ela visse você neste estado, não é?

Alex aceitou subir para o quarto auxiliado pelo tio, mas foi falando até lá em cima.

— Essa garota é uma feiticeira, sabia? Ela é perigosa! Quando você se dá conta, está de quatro por ela!

Max levava na brincadeira, mas acreditava no que dizia em resposta ao sobrinho.

Nesse dia, meu pai me chamou para uma conversa séria. Luana estava junto na sala.

— Filha, eu preciso voltar para a Alemanha. Eu e a Luana vamos retomar o nosso casamento!

Eu olhei para a mulher na minha frente e desconfiada indaguei:

— Você já se resolveu com o seu namorado?

Ela respondeu rápido:

— Eu não dou satisfação para ele desde que começou a se enrabichar atrás de você!

Meu pai ficou sem jeito e disse me abraçando:

— Venha conosco! Se afastei desse homem, ele é perigoso!

— Perigoso como?— eu quis saber.

— Sedutor!— foi Luana quem respondeu.

Meu pai virou-se para ela nervoso e começaram a discutir, eu me levantei e saí falando:

— Eu não vou a lugar algum. Vocês precisam de privacidade!

Os dois ficaram me olhando como se eu estivesse errada.

E no dia seguinte, meu pai viajou, deixando a promessa de que negociaria a penhora da nossa casa com o Alex. Ele deixou um vazio outra vez no meu peito. Chorei durante muito tempo, até que Max veio me consolar.

— Eu imaginei que estivesse mal! — ele disse carinhoso.

Eu deitei a cabeça no peito dele e fiquei abraçada a ele durante muito tempo.

Max ficou sem jeito e impaciente. Ele acariciou os meus cabelos e sentiu o meu perfume.

“ Que mulher cheirosa!”– era a tentação quem falava naquela mente pervertida.

A partir daí, começamos a sair todos os dias e eu já me sentia mais leve. Eu cruzava com o Marcelo no condomínio e sentia que estava muito distante daquela menina inocente que namorava um skatista que sequer lhe beijava os lábios. A minha inocência estava muito distante. Eu era agora uma mulher que conseguia se relacionar com um homem cinquentão.

Max sempre tentava me beijar na despedida, mas eu me saía bem. Passava os meus dedos delicados nos lábios dele e saía sorrindo.

Eu sempre achava que Max iria se afastar de mim sem aviso prévio, mas ele não parecia ter isso em mente.

Um certo dia, ele me faz uma surpresa.

— Vim te buscar para ver a Cristal!

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