Theo me deixou em casa e ficamos conversando na porta.
— O que pensa fazer agora, Bella? Não se precipite, eu ainda acho que o juiz te ama, ele ia casar com você!
— Porque foi obrigado, ameaçado pela minha mãe!
Theo suspirou desanimado.
— Eu acho que antes de tudo, o patrão é homem, é fraco pela carne!
— Isso é machismo, Theo! Eu sou mulher e tenho tanto desejo quanto ele, não justifica ele ter feito o que fez, depois de tudo o que passamos!
— Talvez ele quis mesmo que você engravidasse para casar com ele!
Eu abri a porta do carro ainda falando:
— Nada justifica o que ele fez!
Esse foi o ponto final da conversa com Theo, mas eu não escapei da minha mãe que me esperava acordada. Ela vestia um penhoar e tinha os braços cruzados, encostada na entrada do corredor dos quartos.
— Dormiu com o juiz, ao menos? Não caiu na lábios daquele don Juan, caiu?
— Cismou mesmo com o Max, não é?— eu rebati.
Minha mãe sacudiu os ombros e descruzou os braços, me dando passagem.
Dona Esther me seguiu falando sem parar:
— Você tem dois Andradas na mão, não é possível que vá sair desta história sozinha!
— Mãe, que horror!— eu respondi sem interromper o meu trajeto.
Minha mãe ficou parada na porta.
— Você se apaixonou pelo juiz, por isso estragou tudo, até o filho perdeu! Não está na hora de parar para pensar antes de agir? Será que não é tempo de ouvir a sua mãe?
Apesar da minha mãe ter a voz terna, eu não sentia carinho algum nas suas palavras, mesmo assim, por estar me sentindo perdida, resolvi lhe escutar.
— Qual é o plano?
Dona Esther entrou no quarto toda animada, expondo suas ideias.
— Bella, vamos ser racional, o juiz está caidinho por você, certo? Ele está viciado no seu cheio, você tem a idade ao seu favor, então precisa tirar proveito disso!
Eu engoli em seco.
— Vai me aconselhar a engravidar dele novamente?
— Claro que sim!
— Não, eu não concordo!
Minha mãe se assustou e eu continuei:
— Eu amo o Alex, mãe! Eu amo aquele homem, mas quero o amor dele, não só o desejo!
Dona Esther fez uma careta e eu questionei:
— O que foi? Estou querendo muito? Não tenho o direito e ser amada?
Minha mãe sentou-se na beira da minha cama e me trouxe junto, segurando as minhas mãos. Ela se esforçava para controlar o tom de voz para que eu pudesse lhe dar ouvidos:
— Querida, um homem como o juiz, ou mesmo como esse don juan, só pensam em sexo quando vêem uma franguinha como você! O que mais teria em você para lhes causar admiração?
Eu respirei fundo e decidi:
— Vou entrar na faculdade então! Vou fazer advocacia!
Dona Esther zombou de mim.
— Garota, você pode ser madame! Você pode ser a princesa dele, ou de qualquer um deles, não sei, eles são muito ricos!
— O que eu faço, então?— indaguei resignada.
Dona Esther sorriu vitoriosa e foi direta:
— Primeira coisa, volte a ser babá da filha dele.
Eu franzi a testa e fiquei intrigada.
— Sério?
— Exatamente! Se quer conquistar o coração do juiz, tem que atacar pelo seu ponto fraco!
Eu fiquei pensativa. Fazia sentido de fato. Ao menos, o Alex admirava os meus cuidados com a Cristal.
Dona Esther estava eufórica, pela primeira vez eu aceitava de bom grado os seus conselhos.
— Ele vai perceber a sua dedicação pela menina e vai lhe imaginar como uma esposa perfeita!
Eu fiz uma careta.
— Esposa perfeita? Tipo, casamento arranjado?
Minha mãe ficou impaciente.
— Ai menina, não dá para se ter tudo nessa vida!
Eu pensei um pouco e decidi:
— Está bem, vou voltar a ser a babá perfeita, candidata a mãe e esposa, mas não vou ser amante!
Minha mãe se deu por satisfeita e aplaudiu.
— Ótimo! Já é um começo! Ficar aí sem lutar pelo homem que você ama, é que não pode! Levante a cabeça e vá à luta!

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