Alex não ficou muito convencido, mas aceitou a ajuda do tio para subir para o quarto.
Giorgia saiu da copa nesse momento e ficou a observar a cena, resmungando:
— O que está acontecendo com o patrão? Voltou a beber, como fazia, logo que ficou viúvo?
No dia seguinte, eu acordei, fiz minha higiene pessoal e ao invés de descer, fui para o quarto de Cristal. A menina estava escovando os dentes.
— Eu já vou tomar banho, Bella!— ela disse sorridente.
Eu fui forrar a cama e em seguida peguei a roupa de balé no armário.
— Acordou cedo!— eu comentei entregando a toalha para Cristal.
A menina sorriu toda animada.
— É que estou feliz por você ter voltado. Eu nem dormi direito!
Eu fiquei emocionada e fui ajudar a secar aqueles cabelos cacheados.
— Você vai se casar com o meu pai novamente?— Cristal não desistia.
Eu a conduzi para fora do banheiro e a fiz sentar à beira da cama, depois eu respondi a sua pergunta da melhor maneira:
— Vamos pensar só que estou aqui por você, está bem? Vamos esquecer esse assunto por hora. Eu e o seu pai não podemos pensar nesse assunto ainda, está muito recente a nossa tentativa desastrosa!
Cristal baixou a cabeça e disse entristecida:
— Eu nunca vou esquecer aquele dia! Você saiu correndo e eu fiquei chorando!
Eu a abracei com carinho. Me sentia tão culpada por não ter pensado em Cristal naquele momento de desespero.
Quando nós descemos para o desjejum, Alex ainda estava na mesa. Eu me surpreendi, porque nesse horário ele já teria que ter saído para trabalhar.
Ele me olhou indiferente e apenas me cumprimentou calmamente.
Eu coloquei Cristal para sentar e fui para a copa buscar o seu desjejum. A alimentação da Cristal era acompanhada por uma nutricionista, por conta do balé. Eu preparava tudo numa bandeja e levava.
E foi isso, eu cheguei com a bandeja na sala de refeições e comecei a dispor as coisas da Cristal sobre a mesa. Nesse momento, Alex se levantou e se despediu friamente.
Eu o acompanhei com o olhar, incrédula. Cristal ficou me olhando parada com a taça de iogurte natural na mão.
Max também ficou me olhando curioso. Mirtes se incomodou e pigarreou, me trazendo de volta à realidade.
Eu me recompus e dei umas piscadas de olhos, sacudindo a cabeça.
Enquanto eu colocava os morangos cortados na taça de iogurte, Max se levantou subitamente e saiu atrás do sobrinho. Ele o alcançou já entrando no carro.
— Ei, Alex! O que deu em você?— ele disse puxando Alex pelo braço.
Theo ficou alerta, mas não conseguiu ouvir nada.
— Por que está fazendo isso, Alex? Mal falou com a moça!— Max insistiu.
— Não era para parecer indiferente?— Alex ironizou.
Max soltou o braço do sobrinho, irritado.
— Com isso só vai fazê-la correr atrás de você!— ele desabafou.
Alex apertou os olhos, impaciente.
— Não era esse o plano, tio?
Max gesticulou aborrecido com as mãos.
— Devia parecer natural, sei lá! Viu como ela ficou incomodada? Vai querer saber o que fez para merecer isso e…
Alex interrompeu o tio:
— É exatamente o meu plano!
— Não foi esse o combinado!— Max protestou.
Alex descansou uma perna e cruzou os braços para falar:
— E qual foi o combinado? Que eu desistisse dela? Ficaria mais confortável para o senhor? Acha que sou algum idiota? Pensa que eu não sei que está apaixonado por ela?
Max ficou sem reação e Alex voltou para o carro.
Theo não entendeu nada, só olhou pelo retrovisor e viu Max inconformado.
Na volta, Theo veio correndo me contar.
— Como assim, se estranharam? — eu quis saber.

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