Chegamos à escola de Cristal enfim. Eu vestia um vestido longo, estampado nas cores amarelo e branco e usava os cabelos presos, deixando algums fios caírem junto com uma franja. Os meus olhos nunca estiveram tão azuis!
Cristal me exibia como um troféu para os seus amiguinhos. Me apresentou a sua professora como sua mãe. Eu sorri sem jeito. Não falei nada para não estragar a alegria da menina, eu também imaginava que as professora sabíamos que no máximo eu deveria ser namorada do pai dela!
Eu sentei no meio de uma plateia composta por muitas mãe emocionadas.
— Vai ver como vai chorar, eu choro todo ano! É nova aqui, não é?— Essa era uma mãe puxando assunto comigo.
— Eu sou sim. A minha filha tem quase seis anos!
A mulher olhou surpresa e indagou:
— Quantos anos você tem?
— Vinte cinco!— menti, olhando para o palco.
— Nossa, achei que tivesse menos de vinte!— ouvi ela dizer, apenas sorri educadamente.
Nesse momento, me lembrei de que completava dezenove anos e me bateu uma tristeza por não ter com quem comemorar.
Começou a apresentação das crianças e lá estava a minha Cinderela, recitando um verso para mim.
Eu me emocionei e aplaudi muito, chamando atenção de todo mundo. Eu parecia aquelas mães bem corujas!
Quando terminou, eu fui abraçá- la e a enchi de beijos!
Saímos abraçadas, pelo meio das crianças que corriam e conversavam animada, enquanto as mães chamavam atenção delas o tempo todo. Dávamos risada até que vieram duas meninas mais ou menos da mesma idade que a Cristal e fizeram um comentário desagradavel.
— Essa aí não é a sua mãe, eu sei! A sua mãe já está no céu!
Cristal se entristeceu e eu comprei a briga.
— Eu sou a mãe dela sim, e ninguém vai dizer o contrário! Sumam daqui, vão procurar o que fazer!
Cristal me olhou surpresa sorrindo.
— Você é brava mesmo, hein?
Eu ergui o queixo e segurei o riso. Continuamos caminhando para fora da escola, onde Théo já nos esperava.
Cristal estava eufórica.
— Vamos tomar um sorvete no shopping, Bella? Vamos aproveitar que eu saí mais cedo!
Antes que eu falasse alguma coisa, Théo se antecipou:
— Nem pensar! Giorgia está nos esperando e vai ficar brava se não chegarem logo.
— Nossa, sério?— Eu fiquei surpresa.
Theo explicou:
— Acho que ela está precisando da sua ajuda!
Fomos direto para casa, então. Sempre que chegava da escola, Cristal já subia correndo para o quarto, mas nesse dia, Théo a impediu.
— Venha Cristal! Vá na cozinha avisar a Giorgia que já chegou!
Até eu estranhei, mas fomos todos para a copa. A luz estava apagada e eu me propus a acender.
— Surpresa!— Era Giorgia segurando um bolo.
— Meu Deus, você lembrou!
Eu fiquei tão emocionada que quase chorei, mas Théo me abraçou.
— Nem pense em chorar. Só queríamos que soubesse que aqui você tem uma família!
Cristal também não sabia de nada e ficou toda animada em volta do bolo. Eu a repreendi falando:
— Primeiro mocinha, você vai jantar, depois come bolo. Vai lá no seu quarto se trocar!
Giorgia me reprovou:
— Deixa a menina provar, Bella, ainda é cedo! Você está se saindo uma mãe muito rígida!
Diante disso, sentamos e cortamos o bolo. Foi uma farra!
A noite, quando Alex chegou, me olhou curioso, talvez porque eu estava muito feliz. Eu achava que todos tinham que perceber que estava mais velha.
Eu estava no meu quarto me trocando quando alguém bateu à porta. Eu abri, era Max.
— Feliz aniversário!— ele disse me entregando flores.

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