O silêncio que se seguiu à pergunta de Dante foi sufocante.
Mason abriu a boca para falar, mas nenhuma palavra saiu de imediato. Ele engoliu em seco, o pomo de Adão subindo e descendo visivelmente. O olhar dele fugiu por um segundo, desviando do alfa, e esse foi o primeiro erro.
— Eu… — começou, a voz falhando. — Ela… ela foi embora.
Dante deu um passo à frente.
— Fale direito — ordenou, a voz carregada de um peso que fazia o ar vibrar. — Onde está Liana?
O beta respirou fundo, recuperando a postura, como quem se lembra de que ainda era o beta daquela alcateia, ou tentava se convencer disso.
— A humana fugiu — disse, agora com mais firmeza. — Depois do ataque, aproveitou a confusão e foi embora sozinha.
O mundo pareceu girar pela segunda.
— Fugiu… — Dante repetiu, devagar demais.
— Sim — continuou. — Pegou o que tinha e sumiu. Eu tentei impedir, mas você estava inconsciente, a alcateia em caos… não dava pra vigiar uma humana o tempo todo.
Os olhos de Dante se estreitaram.
— Você quer mesmo que eu acredite — ele disse, com um tom perigosamente calmo — que uma humana conseguiu fugir sozinha de uma alcateia inteira de lobos?
Mason apertou os punhos.
— Ela já tinha mostrado que era problemática. Sempre correndo, sempre desobedecendo. Não é minha culpa se…
— É exatamente sua culpa! — Dante explodiu.
O grito ecoou pela sala, fazendo alguns lobos recuarem instintivamente.
— Você é o meu beta! — continuou, a fúria crescendo a cada palavra. — Sua função é proteger o território, proteger meu filho… e proteger ela! A principal função da porra de um beta é proteger a Luna na ausencia do alfa e até nisso você consegue falhar? Deixou uma humana ferida, apavorada, sozinha fugir como se isso aqui fosse um maldito acampamento de férias!
Mason sentiu o golpe atingir o orgulho.
— Ela não é uma Luna! Você quase morreu por causa daquela humana! — ele retrucou, finalmente perdendo o controle. — Quase perdemos o alfa e o futuro herdeiro da alcateia, tudo ficou um caos enquanto você dormia sem sabermos se iria acordar! Tudo por causa de uma vadia que nem deveria estar aqui!
A palavra mal terminou de sair da boca dele quando o ar pareceu ficar ainda mais pesado.
Dentro de Dante, algo se rompeu de vez.
Hades ergueu a cabeça em sua mente, os olhos em chamas.
“Ensine ao beta o que é respeito. Ensine o que acontece quando alguém ousa desonrar a companheira do alfa!”
O corpo de Dante reagiu antes que qualquer pensamento racional pudesse intervir, seus dedos se fecharam em punho e ele acertou com tudo o rosto do beta. O punho de Dante atingiu o rosto de Mason com força suficiente para fazê-lo voar para trás e cair contra uma das colunas da sala. O som do impacto ecoou, seguido por um estalo feio.
Mason caiu no chão, atordoado, sangue escorrendo pelo canto da boca.
— Lava a porra boca — Dante rugiu, avançando sobre ele — antes de falar da minha companheira!
Ele agarrou Mason pela gola da camisa e o ergueu parcialmente do chão, os olhos vermelhos brilhando com intensidade sobrenatural.
— Tem coragem de falar dela assim? — Dante continuou, cada palavra vibrando com ódio. — Perdeu a porra do juizo? Esqueceu qual é o seu lugar? Você não tem que achar nada! EU MANDO AQUI!
Os lobos ao redor estavam imóveis.
Ninguém se atrevia a intervir.
Sandra, que até então observava tudo como uma estátua, finalmente reagiu.
Os olhos dela estavam arregalados, o rosto pálido de puro pavor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa