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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 20

O quarto de hóspedes estava silencioso demais.

Liana estava sentada na beira da cama grande, as costas apoiadas na cabeceira, o corpo ainda tenso demais para relaxar. Kian permanecia grudado nela como se tivesse medo de que, se soltasse, ela desapareceria outra vez. As perninhas do menino estavam enroscadas nas dela, a cabeça apoiada em seu ombro, os dedos pequenos segurando o tecido da blusa como uma âncora.

Babi estava parada no meio do quarto.

Imóvel.

O olhar rodava pelo ambiente como se procurasse câmeras escondidas, alguém que surgisse rindo e dissesse que tudo aquilo era uma pegadinha de mau gosto.

— Tá… — ela começou, passando a mão pelos cabelos, andando de um lado pro outro. — Tá, me explica agora. Porque se eu não entender o que tá acontecendo nos próximos trinta segundos, eu vou surtar de vez.

Liana respirou fundo.

Kian se mexeu no colo dela e ergueu o rosto curioso.

— Titia… — ele disse, apontando para Babi. — Quem é essa outra moça?

Liana suavizou o toque, passando a mão pelos cabelos do menino.

— Ela é minha amiga — respondeu, com um sorriso pequeno. — O nome dela é Babi.

Kian analisou Babi de cima a baixo com uma seriedade quase engraçada para alguém tão pequeno.

— Ela é fofa — decretou. — Pode ficar também?

Babi arregalou os olhos.

— FOFA?! — repetiu, quase engasgando. — Eu acabei de ser sequestrada por um cara que parece um armário, tô presa no meio do mato, cercada de gente estranha, e uma criança me chama de fofa?!

Kian sorriu.

— Fofinha.

Aquilo quase arrancou um riso nervoso de Liana.

— Tá vendo? — murmurou. — Ele gosta de você.

Babi apontou para a porta com o dedo trêmulo.

— Lili… — a voz dela baixou um pouco. — Quem são aqueles caras? E por que eles moram NO MEIO DA FLORESTA? Isso aqui parece cenário de filme de terror.

Liana fechou os olhos por um segundo, sabia que aquele momento chegaria.

Não tinha mais como adiar.

— Eles… — começou devagar. — Eles não são pessoas normais.

Babi riu.

Mas não foi um riso de humor.

Foi curto. Incrédulo.

— Claro que não são normais — respondeu. — Um deles me carregou como se eu fosse uma mochila.

Liana abriu os olhos e encarou a amiga com seriedade absoluta.

— Eu tô falando sério.

Babi parou de rir na hora.

— Liana… — ela disse, devagar. — Como… Como assim?

O silêncio se estendeu por alguns segundos, Kian continuava abraçado a Liana, alheio à tensão crescente, parecia pouco se importar com a discussão das duas, apenas brincava com os fios ruivos e vez ou outra mexia as perninhas..

— Aqui… — Liana respirou fundo — tem lobos.

Babi piscou.

— O quê?

— Lobos — Liana repetiu.

— Tá — Babi cruzou os braços. — Agora você tá brincando comigo.

— Não tô.

— Lili, não existe lobo nessa cidade — rebateu. — Nem no estado, na verdade, eles foram extintos há muitos anos, pelo menos foi o que eu vi na national geographic — Ela franziu a testa. — Como poderia ter lobos aqui?

Liana assentiu lentamente.

— Eles existem — disse, com calma forçada. — Mas não lobos normais.

Babi soltou uma risada nervosa.

— Ah, pelo amor de Deus, você tá me dizendo que estamos num condomínio de furrys ou… sei lá… Therians?

Liana se inclinou um pouco para frente, tentando ficar séria, mesmo com as piadas da amiga, afinal, sabia que elas não eram intencionais.

— Lobos gigantes, Babi.

O sorriso morreu no rosto da amiga.

— Como é que é?

— Lobos enormes — continuou Liana, a voz firme. — Pessoas que… Se transformam em lobos enormes, que quase me mataram, que salvaram minha vida. Que… — ela engoliu em seco — que vivem aqui.

O quarto ficou completamente silencioso.

Babi olhou para ela como se estivesse avaliando se aquela era a mesma pessoa com quem dividia café todos os dias.

— Isso não tem graça — murmurou.

— Eu sei.

— Liana…

— Eu vi — ela interrompeu. — Eu vi com esses olhos aqui.

Babi passou a mão pelo rosto.

— Então… — começou, rindo sem humor. — Então aquele ruivo da boate…

— Aparentemente ele também é um… — Liana confirmou.

— E o outro? O grande? O que quase me matou de susto?

O rosnado saiu antes que Mason pudesse se conter, baixo e ameaçador.

— Respeita a minha companheira — ele disse, os olhos amarelos brilhando.

Sandra soltou uma risada curta, amarga.

— Então você enlouqueceu de vez — respondeu. — Igual ao Dante.

— Chega — uma voz grave interrompeu.

Dante havia acabado de entrar na sala e Sandra se virou para ele imediatamente.

— Dante… — começou, com a expressão magoada ensaiada. — Isso tudo está errado, duas humanas aqui, quebrando nossas leis, nossa tradição…

— O que você quer? Eu sou o alfa, eu sou a tradição — Dante perguntou, ríspido.

Sandra engoliu em seco, o olhar dele não tinha paciência.

— Eu só… — ela baixou a cabeça. — Eu só estava preocupada.

— Não esteja — ele respondeu. — Não é problema seu.

Sandra hesitou, claramente querendo dizer mais alguma coisa, mas ao sentir o peso da autoridade dele, apenas abaixou a cabeça e se afastou, saindo da sala em silêncio.

Quando ficaram sozinhos, Dante se virou para Mason.

— É ela? — perguntou, direto. — A humana… é sua companheira?

Mason não respondeu, mas o corpo dele respondeu por ele, os ombros ficaram rígidos, o maxilar se fechou com força, as mãos se fecharam mais forte até os nós ficarem brancos.

Dante suspirou, aproximou-se e colocou a mão no ombro do amigo.

— Eu sei que não é fácil — disse, mais baixo. — Também não foi pra mim, mas você e eu sabemos que a deusa da lua não erra.

Mason fechou os olhos por um segundo.

— Faz um ano — Dante continuou — que eu enterrei a mãe do meu filho. Um ano que eu acreditei que nunca mais sentiria nada assim, e agora… — ele balançou a cabeça. — Agora eu sinto tudo de novo, eu sinto muito mais, coisas que nunca senti com a mãe de Kian… E isso me faz sentir culpa todos os dias.

Mason engoliu em seco.

— Eu passei a vida inteira dizendo que isso não podia acontecer — murmurou. — Que humanas não eram feitas pra nós, que era errado.

— E mesmo assim aconteceu — Dante respondeu. — Não é comum, mas não é impossível, e eu não te aconselharia a rejeitá-la só por causa disso.

Os dois se encararam por alguns segundos, então Mason soltou um suspiro pesado e deu dois tapinhas rápidos no ombro do alfa.

— Merda — resmungou. — Eu tô fodido, não tô?

Dante quase sorriu.

— Estamos — respondeu. — Mas agora não tem mais volta.

Mason assentiu lentamente.

— Elas precisam saber — disse. — Toda a verdade.

— Eu sei — Dante confirmou. — E vão saber.

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