Liana foi jogada contra o banco de trás, o coração ainda disparado, o corpo inteiro em estado de alerta. O cheiro de Dante estava forte demais ali dentro, couro, fumaça, algo quente e perigoso, e isso a deixou ainda mais irritada. Mas mais do que no carro, o cheiro dele estava nela impregnado em sua pele, nas marcas que ele tinha deixado, na loucura que fizeram e que ainda fazia pele dela se arrepiar.
Mason acelerou o carro com tudo assim que as duas estavam dentro.
— QUE PORRA É ESSA?! — Babi gritava do outro carro, mas a voz atravessava o vidro aberto. — Vocês são dois psicopatas! Vou denunciar vocês pra polícia!
Liana observou Babi esperneando, chutando o banco de Mason com força suficiente para fazer o carro balançar. Ela mesma já tinha feito aquilo, mas sabia que não adiantava nada por isso estava em silêncio, encarando os olhos de dante pelo espelhinho enquanto ele a olhava de volta sério, o rosto duro e frio.
— Me solta agora! Quero sair dessa merda de carro! — Babi continuava, a voz rouca de tanto gritar. — EU VOU TE PROCESSAR, TE DENUNCIAR, TE…
O carro de Dante freou bruscamente.
Liana foi jogada para frente, segurando o banco com força, quase batendo o rosto no fundo do banco de Dante. O alfa se virou lentamente no banco da frente e os olhos dele não estavam mais totalmente humanos.
O azul havia sido engolido por um vermelho intenso, vivo, predatório. As veias do pescoço saltavam, o maxilar estava rígido demais, os caninos levemente à mostra enquanto um rosnado baixo vibrava no fundo da garganta.
— Cala a porra da boca garota! — rosnou, a voz grave, distorcida, atravessando o espaço como uma ordem impossível de ignorar.
Babi congelou no mesmo instante.
O medo bateu forte, abrupto, e Liana sentiu o corpo da amiga tremer ao lado dela. Automáticamente a ruiva envolveu a amiga com os braços, a apertando também sentia medo, mas, estranhamente, não sentia mais tanto medo assim.
— Não fala assim com ela! — ela falou, o coração disparado. — Vocês arrastam a gente como se fosse nada e espera o que? Que a gente fique rindo feito duas idiotas?
Dante virou o rosto para encará-la, o lobo ainda estava ali, evidente, pulsando sob a pele.
— Vocês precisam…
— A gente não precisa de merda nenhuma! — Liana interrompeu, os olhos verdes queimando de raiva. — Não cansa de sair me carregando pra lá e pra cá como se eu fosse um vaso de plantas?
Por um segundo longo demais, Dante apenas a encarou, os olhos voltaram ao azul frio de antes o rosto voltou aos traços humanos e a fúria diminuiu um pouco. Dante virou o rosto de volta para frente sem dizer uma palavra e acelerou o carro novamente.
No banco de trás, Liana puxou Babi para perto de si, envolvendo a amiga num abraço apertado.
Babi estava tremendo.
— Lili… — ela murmurou, a voz falhando. — Que porra tá acontecendo?
Liana fechou os olhos por um segundo, respirando fundo.
— Agora não — pediu, baixo. — Por favor… fica calma agora. Vamos conversar quando estivermos sozinhas, tá? Prometo te contar tudo, amiga…
Babi assentiu, ainda chocada demais para discutir.
A cidade foi ficando para trás, o concreto deu lugar às árvores.
As luzes artificiais foram substituídas pela escuridão da mata, quebrada apenas pelos faróis cortando o caminho de terra.
O coração de Liana apertou, ela conhecia aquele lugar, a floresta parecia viva, observando, respirando junto com eles. Quando os grandes portões da alcateia Blackstone surgiram à frente, algo pesado se assentou em seu peito. Estava de volta, levada a força de novo, mas porque agora nã sentia tanto medo? Porque uma parte dela sentia felicidade por estar naquele lugar que quase a matou?
“Você tá completamente maluca, Liana”, pensou, soltando Babi e olhando pela janela. “Completamente maluca!”
O carro de Dante diminuiu a velocidade.
Antes mesmo que ele parasse completamente, a porta da casa principal se abriu com força.
— PAPIIIII!
Kian surgiu correndo pelo caminho de pedra, descalço, o pijama amassado, o cabelo bagunçado, o rostinho iluminado de esperança e ansiedade.
— PAPI! — ele gritava, correndo o mais rápido que podia.
Sandra veio logo atrás, o vestido claro esvoaçando, o rosto tenso, parecia, como sempre furiosa e irritada demais.
— Kian! Volta aqui! — ela chamou, apressada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa