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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 22

— Isso é impossível.

A frase saiu da boca de Liana como uma defesa desesperada, quase uma âncora lançada no meio de um mar que começava a puxá-la com força demais. Ela estava de pé agora, Kian ainda dormindo em seu colo, o corpinho pequeno pesando contra o peito dela como um lembrete cruel de tudo o que estava em jogo.

— Eu sou humana — ela continuou, a voz trêmula, mas firme. — Normal. Não sou nada disso que você está dizendo, não existe deusa nenhuma me ligando a um lobo. Isso é… loucura.

Dante não respondeu de imediato.

Apenas a observava.

O cheiro dela estava diferente. Confuso. Agitado. O lobo dentro dele se movia inquieto, rosnando baixo, exigindo, reconhecendo. Cada célula do corpo dele gritava que aquela mulher à sua frente era dele, não por posse, não por ego, mas por algo muito mais antigo, mais profundo, mais cruel.

Destino.

— Você está mentindo pra mim — Liana disse, sentindo o nó crescer na garganta, então colocou Kian num cantinho da cama. — Ou mentindo pra você mesmo.

E deu um passo em direção à porta.

— Eu vou sair daqui.

Não chegou a tocar na maçaneta.

Dante foi rápido, as mãos grandes se fecharam ao redor dos braços dela com firmeza, puxando-a para trás antes que pudesse escapar. O impacto fez o corpo dela colidir contra o dele, o ar fugindo de seus pulmões por um segundo.

— Me solta! — ela reagiu de imediato, empurrando o peito dele com força.

Mas Dante não soltou, ao contrário, a puxou ainda mais para perto, envolvendo-a num abraço bruto, quase desesperado, como se temesse que ela simplesmente desaparecesse se afrouxasse o aperto por um segundo sequer.

Hades rugiu dentro dele.

“Marque-a.”

A palavra ecoou em sua mente como um comando antigo, primitivo, irresistível. Os caninos pressionaram por dentro da gengiva, a pele dele queimando sob o autocontrole forçado.

Dante fechou os olhos com força.

— Não — murmurou para si mesmo. — Não agora.

Liana estava rígida em seus braços, o coração batendo rápido demais, o corpo reagindo contra a própria vontade à proximidade, ao calor, ao cheiro dele. Ela queria empurrá-lo, queria odiá-lo...

Mas não conseguia.

— Você não pode fazer isso — ela disse, a voz falhando. — Não pode decidir minha vida assim.

Dante inclinou o rosto.

— Então me diz — ele perguntou, baixo, a boca tão perto da dela que as palavras roçavam seus lábios — que você não sente nada.

Ela engoliu em seco.

— Eu…

Ele não esperou.

O beijo veio intenso, faminto, carregado de tudo o que ele vinha segurando desde o momento em que a perdeu. Não foi gentil, não foi calmo, era faminto, desesperado, ele implorava por ela, não só a desejava, ele PRECISAVA de sua companheira.

Liana tentou resistir por um segundo.

Só um.

Então os dedos dela se fecharam na camisa dele, puxando-o para mais perto. O beijo se aprofundou, o mundo se estreitando ao redor deles, o coração dela batendo no mesmo ritmo caótico do dele.

— Você sente — Dante murmurou entre um beijo e outro. — Sente do mesmo jeito que eu.

Ela não respondeu.

Não conseguiu.

Porque sentia.

Sentia algo diferente de tudo o que já havia vivido, não era apenas desejo, era como se algo dentro dela soubesse antes mesmo que a mente aceitasse.

Liana o beijou de novo.

Mais forte.

Mais desesperada.

E isso foi o suficiente para quase fazê-lo perder o controle.

As mãos dele deslizaram pelas costas dela, firmes, possessivas, o corpo dele reagindo de forma brutal à resposta dela. O lobo empurrava, exigia, urrava dentro da mente dele.

Dante a encostou contra a parede sem perceber, o peso do corpo dele bloqueando qualquer fuga, a respiração pesada demais para esconder o quanto estava no limite.

— Para — ela sussurrou, mas não se afastou.

— Diz pra mim — ele pediu, a voz rouca, quebrada — Se disser que nã quer isso que não me quer… Se disser com todas as letras que não sente nada por mim, eu te deixo ir.

Liana fechou os olhos.

— Eu não consigo — confessou, num fio de voz. — Mas isso não muda nada.

Ele encostou a testa na dela, respirando fundo, lutando contra o impulso quase insuportável de levá-la além, de esquecer tudo, de marcá-la ali mesmo.

— Eu não vou desistir de você — Dante disse, com uma calma perigosa. — Mesmo que me odeie, mesmo que me queira longe, eu vou te proteger.

Ela abriu os olhos.

— Me proteger de quem? — perguntou. — De você mesmo?

A pergunta atingiu em cheio.

Dante ficou imóvel por um segundo.

— Quem vai me proteger de tudo o que você traz pra minha vida? — Liana continuou, a voz agora firme, ferida. — Do seu mundo, de você, dos lobos que me atacaram naquele dia e quase me mataram. Quem vai me proteger do seu povo?

Ele não respondeu com palavras.

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