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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 25

LakeCity

A casa parecia pequena demais para o nervosismo de Justin.

Ele andava de um lado para o outro, o celular apertado na mão, os dedos tamborilando na tela apagada como se, por pura insistência, ela fosse se acender sozinha com alguma notícia. O maxilar estava travado, os ombros tensos, a paciência esgotada havia dias.

— Droga… — murmurou, passando a mão pelos cabelos pela milésima vez.

Já tinha ligado, já tinha mandado mensagens, já tinha ido até o trabalho antigo dela, a faculdade, falado com conhecidos, perguntado para porteiros, vizinhos, qualquer um que pudesse ter visto Liana.

Nada.

Absolutamente nada.

Era como se ela tivesse simplesmente… evaporado.

— Isso não é normal… — ele falou em voz alta, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa. — Ela não faria isso.

Do outro lado da sala, estirada no sofá com as pernas cruzadas e o celular na mão, Amélia suspirou alto, impaciente.

O mesmo sofá onde, dias atrás, Liana tinha parado, imóvel, com os olhos cheios de choque, enquanto via a própria irmã gêmea gemendo em cima do homem com quem ela estava noiva.

Amélia não parecia nem um pouco afetada pela lembrança.

— Você ainda tá nessa, Justin? — ela perguntou, sem nem erguer os olhos da tela. — Já passou tempo demais.

Justin parou de andar e encarou a mulher.

— “Nessa”? — repetiu, incrédulo. — A minha noiva sumiu, Amélia. Sumiu. Faz dias.

Ela revirou os olhos.

— Quanto drama. — respondeu, simples. — A Liana sempre foi assim, some, não fala com ninguém, depois aparece se fazendo de vítima. Aposto que tá em algum lugar tentando chamar atenção.

Justin sentiu algo apertar no peito.

— Você não tem coração,né? — retrucou, a voz mais dura. — Ela pode estar correndo perigo!

Amélia finalmente largou o celular e sentou direito no sofá, cruzando os braços.

— Perigo? — ela riu, sem humor. — Pelo amor de Deus, Justin. A vida tá muito melhor sem a chata da minha irmã aqui enchendo o saco de todo mundo.

Ele cerrou os punhos.

— Não fala assim dela.

— Falo sim — Amélia respondeu, levantando-se. — Porque é a verdade. Ela sempre foi dramática, sempre quis tudo pra ela, sempre fez cena.

Justin soltou uma risada nervosa.

— Não acredito nisso… Já não basta o que a gente fez? E se ela sofreu um acidente naquele dia e morreu por nossa causa?

Amélia deu de ombros.

— Ai seriam detalhes, uma pena… Que dó.

— Detalhes?! — ele elevou a voz. — Você é inacreditável, Amélia!

Ela se aproximou, ficando cara a cara com ele, os olhos cheios de desprezo.

— O que eu não entendo — ela disse, com um sorriso venenoso — é por que você tá todo emotivo agora, se meses atrás tava me comendo e dizendo que queria se separar dela.

O golpe foi certeiro.

Justin sentiu o sangue subir ao rosto.

— Cala a boca! — ele gritou, perdendo o controle. — Uma coisa não tem nada a ver com a outra!

— Ah, não? — ela arqueou a sobrancelha. — Então agora você virou o noivo preocupado?

— EU NÃO SEI ONDE ELA ESTÁ! — ele explodiu. — E isso importa, caralho!

O silêncio caiu pesado entre os dois.

Foi então que o celular de Justin vibrou.

O som ecoou alto demais e ele congelou por um segundo, encarando a tela como se tivesse medo do que ia ver.

— É o detetive… — murmurou.

Amélia fez uma careta.

— Você realmente gastou dinheiro com isso?

Justin não respondeu, só atendeu rápido.

— Alô?

A voz do outro lado veio calma, profissional.

— Senhor Justin? Aqui é o detetive Elvan, nos falamos há alguns dias.

Justin colocou imediatamente no viva-voz, o peito apertado.

— Fala. Você descobriu alguma coisa?

Houve uma breve pausa.

— Sim. — respondeu o homem. — Sua noiva foi vista.

O coração de Justin quase saiu pela boca.

— Onde?! — ele perguntou rápido demais.

Amélia arregalou os olhos, finalmente interessada.

— Ela foi vista em Stormcity — o detetive continuou. — No dia seguinte ao que desapareceu e também na noite passada.

— Sei sim — ela rebateu. — Sempre soube. A Liana sempre quis mais do que merecia.

Justin desligou o telefone sem dizer mais nada ao detetive.

O silêncio voltou a se instalar, pesado.

— Isso não vai ficar assim… — ele murmurou, os olhos fixos em algum ponto distante. — Eu vou descobrir o que tá acontecendo.

Justin foi até a mesa, pegou a carteira, enfiou no bolso com movimentos bruscos.

— Vou atrás dela.

Amélia levantou num pulo.

— Ótimo — disse, pegando a bolsa. — Eu vou com você.

Justin franziu a testa.

— Você não precisa…

— Preciso sim — ela cortou. — Quero ver com meus próprios olhos o que a minha irmã tá fazendo com um homem desses.

Justin respirou fundo, mas não discutiu.

— Então anda.

Os dois saíram do às pressas.

No estacionamento, Justin destravou o carro e entrou, batendo a porta com força. Amélia sentou ao lado, ajeitando a bolsa no colo, os olhos brilhando com algo que não era preocupação.

O motor ligou e, quando o carro saiu da vaga, LakeCity começou a ficar para trás.

Justin apertou o volante com força.

— Se ela estiver em perigo… — murmurou.

Amélia sorriu de lado.

— Ou se estiver vivendo uma vidinha de conto de fadas com um bilionário… — provocou.

Justin não respondeu.

Porque, no fundo, uma coisa estava clara demais agora.

Dante Aldrich não era só um homem poderoso, e era o tipo de homem que não soltava o que considerava seu.

E, sem saber, Justin e Amélia estavam dirigindo direto para o centro de algo que não compreendiam.

Um jogo antigo.

Selvagem.

E mortal.

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