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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 24

Elena piscou, desesperada.

— Vai sim! Ele vai sentir! Ele vai…

— NÃO VAI. — Sandra se aproximou de Elena com passos lentos, certeiros. — Eu já fiz isso uma vez...

Elena travou.

Cassandra olhou para Sandra com os olhos brilhando, querendo ouvir o resto mesmo que parte dela soubesse o quanto aquilo era errado.

— E Dante nunca soube — Sandra completou, orgulhosa, venenosa. — Nunca. Nem suspeitou. Porque ele queria culpar qualquer um menos… a mulher perfeita que ele achou que eu era.

Elena sentiu o estômago virar.

— Você… — ela sussurrou. — Você tá dizendo que… aquela noite…?

Sandra não respondeu diretamente, só deu um sorriso que respondeu tudo.

Cassandra soltou o ar devagar, como se aquilo confirmasse uma suspeita antiga.

— Então você consegue de novo — Cassandra murmurou, e havia aprovação na voz dela.

Elena virou o rosto para Cassandra, horrorizada.

— Você tá concordando com isso?!

Cassandra deu de ombros.

— Eu tô dizendo a verdade. — Ela se aproximou, a postura firme. — Agora são duas humanas no nosso caminho. As duas não deveriam nem estar aqui, estamos fazendo um favor ao alfa.

Elena apertou as mãos.

— Isso é suicídio.

Sandra soltou uma risada baixa.

— Não é suicídio. — Ela se inclinou um pouco, os olhos brilhando. — É estratégia.

Elena balançou a cabeça, desesperada.

— Dante vai matar quem encostar na mulher humana, e Mason também.

— Ele já quer matar o irmão mesmo, não to vendo nenhuma desvantagem nisso — Sandra respondeu, como se explicasse algo óbvio. — E tenho certeza que Anton vai adorar fazer esse favorzinho.

Cassandra assentiu lentamente.

— Se as humanas saírem do caminho… — ela completou, com um brilho frio nos olhos — tudo volta ao normal.

Sandra respirou fundo, como se finalmente o mundo fizesse sentido de novo.

— Exatamente.

Elena deu um passo para trás, sentindo um frio real subir pelas costas.

— Vocês duas estão insanas, eu não vou fazer parte disso.

Sandra inclinou a cabeça.

— Não, Elena. — Ela sorriu. — A gente só tá lutando pelo que é nosso..

Na floresta, do lado de fora, como se o mundo respondesse a intenção delas, um uivo distante cortou a noite.

Elena fechou os olhos por um segundo.

Sentia medo.

Medo de verdade.

Porque ela sabia… sabia com uma certeza amarga do que Sandra era capaz.

E que Cassandra apoiaria.

***

No andar de cima, no quarto de Kian, o mundo era outro.

Ali não havia vidro quebrado no chão, nem promessas de sangue sussurradas na escuridão. Havia apenas a luz fraca de um abajur, desenhos colados na parede, brinquedos espalhados e o som da respiração tranquila de uma criança dormindo.

Kian estava deitado, enroscado nos cobertores como se nada no mundo pudesse alcançá-lo ali.

— O que tem de errado comigo? — sussurrou, sentindo uma raiva quase triste de si mesma.

Passou a mão pelo rosto, cansada.

— Eu devia fugir… — murmurou. — Eu devia correr o mais longe possível.

Mas só de pensar em sair daquele quarto…

O peito dela apertava como se houvesse um fio invisível amarrado nela e, no outro lado, existisse algo grande demais para cortar.

Um vínculo.

Não queria acreditar, mas o corpo dela já acreditava.

Liana olhou para a porta do quarto, como se esperasse ver Dante ali, parado, observando, como sempre fazia. Como se o mundo tivesse se acostumado com aquele homem invadindo tudo.

Mas a porta estava vazia.

O corredor quieto.

E isso, por algum motivo, deixou tudo pior.

Porque no silêncio…

Ela escutava a própria verdade.

E a verdade era simples.

Cruel.

— Eu não consigo mais ir embora… — confessou, baixinho, como se admitir em voz alta tornasse real demais.

Ela não conseguia deixar Kian.

Não conseguia deixar… o pai dele.

Não conseguia deixar aquele mundo estranho, perigoso, absurdo, onde lobos falavam de destino, deusas e “companheira”.

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