Amélia se levantou com dificuldade, ajeitando a blusa amassada e sentindo a irritação ferver no peito.
Ela odiava ser ignorada, e odiava, acima de tudo, ser tratada como se não fosse absolutamente nada.
— Você só pode estar brincando… — murmurou, passando a mão pelo cabelo enquanto girava o corpo, pronta para ir atrás do homem bonito e estranho que simplesmente tinha ido embora sem pedir desculpas, sem ajudar, sem sequer olhar para trás.
Ela abriu a boca para gritar.
Para xingar.
Para causar.
Mas então viu.
Do outro lado do corredor largo do shopping, entre vitrines caras e pessoas apressadas, uma cena fez o mundo de Amélia parar por um segundo longo demais.
Liana.
O coração dela deu um solavanco seco no peito.
A irmã gêmea caminhava tranquilamente, com uma criança no colo, rindo de alguma coisa que ela dizia baixinho. Ao lado dela, um homem alto, absurdamente bonito, carregava várias sacolas de lojas de marca como se aquilo não fosse nada. Ele se inclinava levemente para falar com Liana, atento, protetor e… íntimo.
Era Dante Aldrich.
Mesmo sem nunca tê-lo visto pessoalmente antes, Amélia reconheceu na hora. O tipo de homem que não precisava de apresentações, poder exalava dele de um jeito quase palpável.
— Mas que… — Amélia sussurrou, sentindo algo quente e ácido subir pela garganta.
Justin, ao lado dela, também viu, e reagiu imediatamente. O rosto dele ficou vermelho, o maxilar se fechou com força e os punhos se cerraram ao lado do corpo.
— É ela — disse, a voz carregada de incredulidade e raiva. — Aquela é a Liana.
Amélia não respondeu, estava ocupada demais observando. O jeito como Liana parecia… bem. Viva. Inteira. Muito diferente da mulher destruída que tinha fugido de LakeCity dias atrás.
— A gente precisa ir lá — Justin continuou, já dando o primeiro passo. — Agora.
— Vai — Amélia disse, rápido demais.
Justin nem percebeu o tom estranho.
— O quê?
— Vai lá — ela repetiu, forçando um sorriso pequeno. — Eu… vou olhar uma coisa aqui rapidinho.
Justin já estava focado demais na cena à frente para questionar, apenas assentiu e começou a andar, os passos duros, decididos.
Amélia ficou para trás.
Encostou-se numa coluna, parcialmente escondida, os olhos fixos na irmã como se estivesse assistindo a um filme que não conseguia desligar.
— Então é assim… — murmurou. — Então é isso que você anda fazendo, irmazinha…
Justin caminhava rápido, desviando de pessoas sem pedir desculpa, o sangue pulsando nos ouvidos. Cada passo em direção a Liana fazia algo dentro dele se revirar.
Ciúme.
Raiva.
Humilhação.
Ela não tinha o direito, não depois de tudo. Era a noiva dele, afinal! Independente do que ele havia feito.
— Liana! — chamou, alto.
O som da voz dele atravessou o burburinho do shopping e Liana parou no mesmo instante.
O corpo inteiro ficou rígido e, por um segundo, ela achou que tinha imaginado. Que era coisa da própria cabeça cansada, misturando passado e presente de forma cruel.
Mas então ouviu de novo.
— Liana!
Ela se virou, seu rosto ficou pálido, os olhos se arregalaram em choque puro ao reconhecer Justin parado a poucos metros, o olhar duro, carregado de algo que ela conhecia bem demais.
Raiva possessiva.
Por alguns segundos, ela simplesmente… esqueceu de respirar.
Os últimos dias tinham sido tão intensos, tão confusos, que ela realmente não tinha pensado nele, não tinha pensado em LakeCity, não tinha pensado na traição, na dor, na fuga.
Até agora.
Tudo voltou de uma vez.
Como um soco.
— O que você tá fazendo aqui? — ela perguntou, a voz saindo mais firme do que se sentia.
Justin parou à frente deles, os olhos percorrendo Liana, depois a criança no colo dela, depois Dante.
Não totalmente vermelhos.
Mas perto.
— Se chegar perto dela outra vez — ele sussurrou — você vai entender por que as pessoas dessa cidade têm tanto medo de Dante Aldrich.
Liana sentiu um arrepio subir pela espinha.
Ela reconhecia aquela fúria.
Reconhecia o perigo.
E viu Kian encolher levemente no colo dela, assustado com a mudança no ambiente.
— Dante… — ela chamou, segurando o braço dele com a mão livre. — Chega.
Ele não se moveu de imediato.
O lobo dentro dele rugia, exigindo mais.
Mas o toque dela…
O toque dela sempre era suficiente.
Dante soltou Justin com um empurrão seco, o homem cambaleou para trás, ofegante, o rosto vermelho de raiva e humilhação.
— Vamos embora — Liana disse, firme, encarando Justin pela última vez. — E você, me deixa em paz.
— Ei! — Kian disse, sério demais para seus cinco anos, olhando diretamente para Justin.
O menino mostrou a língua.
— Deixa minha titia em paz! — disse, com convicção. — Senão meu papi b**e em você!
Algumas pessoas riram nervosas, Justin ficou parado, sem reação.
Liana ajustou Kian no colo, Dante passou o braço ao redor dela de forma instintiva, protetora, e os três se afastaram, deixando para trás um silêncio pesado.
Do outro lado do corredor, escondida atrás da coluna, Amélia observava tudo.
O sorriso que se formou em seus lábios não tinha nada de humor.
— Então é assim, irmãzinha… — murmurou. — Agora você tem um ricaço te protegendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa