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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 29

A manhã nasceu silenciosa na alcateia Blackstone.

A luz do sol filtrava tímida entre as árvores altas, desenhando sombras longas no chão de pedra da mansão. O ar estava frio, mas não hostil, era aquele tipo de frio que parecia observar, atento, como se soubesse que algo estava prestes a mudar.

Babi estava sentada na beira da cama do quarto de hóspedes, os braços cruzados, a perna balançando de forma nervosa. Ela não dormira direito. Na verdade, tinha passado a maior parte da noite xingando, ameaçando chamar a polícia, chorando de raiva e… pensando em coisas que não queria pensar.

Principalmente em Mason, nas mãos dele, no beijo, na sensação estranha e absurdamente quente que sentiu ao ser tocada por ele.

“Maldito filho da puta”, pensou, furiosa.

Quando ouviu passos no corredor, o corpo inteiro ficou em alerta.

A maçaneta girou e a porta se abriu.

Dante estava parado ali, imponente como sempre, vestindo uma camisa escura e expressão neutra. Mason estava logo atrás, os braços cruzados, o maxilar travado, olhando para qualquer lugar, menos para Babi. Liana veio por último, entrando com cuidado, como se estivesse mediando uma bomba prestes a explodir.

— Você pode ir embora — Dante disse, direto, sem rodeios.

Babi piscou.

Uma vez.

Duas.

— Como é que é? — perguntou, desconfiada. — Assim… do nada?

— Não é do nada — Liana respondeu, se aproximando. — A gente combinou isso ontem.

Babi virou o rosto para a amiga imediatamente.

— Lili… — começou, a voz mais baixa. — Você tem certeza?

Liana assentiu, firme.

— Tenho. Tá tudo bem. Eu vou ficar.

Babi mordeu o lábio inferior, claramente lutando contra a vontade de discutir mais uma vez. O olhar dela passou por Dante, depois por Mason, e parou ali por tempo demais.

Mason não olhava para ela.

Não diretamente.

Mas estava atento a cada movimento, cada respiração, cada segundo daquela despedida que ele dizia a si mesmo ser necessária.

— Um motorista vai te levar — Dante completou. — Onde você disser.

— Nossa, que gentileza — Babi respondeu com ironia, mas não havia tanta força na provocação quanto de costume. — Depois de me sequestrar, pelo menos vão me devolver inteira.

Dante não respondeu, Liana deu mais um passo à frente.

— Babi… — disse, abrindo os braços.

A amiga não resistiu.

As duas se abraçaram forte, apertado, daquele jeito que dizia tudo o que nenhuma das duas conseguia colocar em palavras. Liana sentiu o nó na garganta crescer quando Babi enterrou o rosto em seu ombro.

— Você é maluca — Babi murmurou. — Completamente maluca de ficar aqui com essa gente.

Liana riu fraco.

— Talvez.

— Promete que vai aparecer na segunda? — Babi perguntou, se afastando um pouco para encarar o rosto da amiga. — Na padaria. Viva. Inteira. Normal.

— Prometo — Liana respondeu. — Segunda-feira eu tô lá, atrás do balcão, reclamando de cliente chato.

Babi respirou fundo, assentiu.

— Tá… — disse. — Então tá. Mas se você sumir eu bato aqui pra te buscar, e nenhum desses idiotas vai me impedir.

Ela pegou a bolsa, jogando-a no ombro, e caminhou até a porta. Antes de sair, parou e olhou para Mason.

— Tchau, grandão — disse, sem sarcasmo dessa vez.

Mason apenas assentiu com a cabeça.

Nada mais.

Quando a porta se fechou atrás dela, o silêncio pareceu mais pesado do que antes.

Dante observou Mason por alguns segundos.

— Tem certeza de que vai deixá-la ir assim? — perguntou, baixo.

Liana franziu a testa.

— Como assim? — ela perguntou, confusa.

Mason não respondeu nenhum dos dois.

Virou as costas e saiu pelo corredor, os passos firmes, rápidos demais para alguém que estivesse realmente tranquilo.

Liana ficou olhando, sem entender completamente, mas algo no peito apertou.

***

Algumas horas depois, Dante decidiu que o clima precisava mudar, e se Liana iria ficar talvez fosse a hora de mostrar que a vida poderia ser um pouco, ao menos um pouco, normal ao lado dele. Tinha que cumprir sua parte no trato.

— Vamos sair — anunciou, entrando no quarto de Kian.

O menino levantou da cama num pulo.

— Passear?! — perguntou, animado.

— Passear — Dante confirmou, com um sorriso pequeno.

Liana, que estava brincando com o pequeno, hesitou.

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