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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 33

Liana acordou com um peso leve caindo sobre ela.

— TITIAAAA!

O impacto foi suave, acompanhado de um riso infantil alto demais para aquele horário. Antes que pudesse abrir os olhos direito, sentiu mãozinhas pequenas segurando seu rosto e uma sequência desajeitada de beijinhos sendo distribuída em sua bochecha, no nariz, na testa.

— Ei! — ela riu, a voz ainda rouca de sono. — Calma, senhor lobinho!

Kian gargalhou, completamente feliz, pulando sobre a cama como se aquilo fosse a melhor brincadeira do mundo.

— Você dorme igual pedra! — ele anunciou, orgulhoso, como se tivesse vencido um desafio.

Liana abriu os olhos de vez, sorrindo sem conseguir evitar. O cabelo do menino estava bagunçado, o pijama torto, o rosto iluminado por aquela alegria pura que parecia não caber dentro de um corpo tão pequeno. Como podia ser tão bom ser acordada por um garotinho que ela mal conhecia?

Não sabia, mas não havia nada melhor do que ver Kian pela manhã.

— Que horas são, hein? — ela perguntou, passando a mão pelos cabelos dele.

— Hora de acordar! — Kian respondeu animado. — E de beijar!

Ele se inclinou de novo, dando mais um beijo estalado na bochecha dela.

— Você vai ficar comigo hoje? — perguntou, esperançoso.

O sorriso de Liana vacilou por um segundo.

Ela estendeu o braço até o criado-mudo, pegando o celular novo. A tela acendeu imediatamente, mostrando o horário.

Tarde demais para continuar enrolando.

— Eu preciso ir trabalhar, meu amor — disse com cuidado. — Mas volto depois.

O rosto dele mudou na hora, ficando mais tristinho.

— Vai mesmo? — perguntou, o tom mais baixo.

Liana sentou na cama, puxando-o para perto.

— Vou, mas vou voltar, tá?

Kian mordeu o lábio, pensativo.

— Promete?

Ela engoliu em seco, suspirando levemente e então ergueu a mão, fechando os dedos e deixando só o mindinho.

— Prometo, de dedinho — disse, firme.

Os olhos dele brilharam, então ele enrolou o mindinho no dela.

— De verdade?

— De verdade!

Kian abriu um sorriso largo e pulou da cama num pulo só.

— Então tá! — anunciou. — Eu vou tomar café! PAPI, A TITIA VAI VOLTAR!

A voz ecoou pelo corredor enquanto ele saía correndo.

Liana ficou sentada por alguns segundos, observando o quarto silencioso agora, passou a mão pelo rosto, respirando fundo.

“Você prometeu, vai ter que voltar”, repetiu para si mesma.

Ela se levantou e começou a se arrumar.

O banho foi rápido, o espelho devolveu uma imagem que ela ainda não reconhecia completamente: olhos atentos demais, ombros tensos, como se estivesse sempre pronta para fugir ou lutar, e estava mesmo, afinal qualquer um ali podia tentar matá-la. Vestiu uma roupa simples, calça jeans e camiseta confortável, prendeu o cabelo e pegou a bolsa.

Quando desceu as escadas, já pronta, o som de vozes veio da sala de jantar.

Dante estava sentado à mesa e Kian estava no colo dele.

Os dois dividiam um prato de frutas, o menino falando sem parar enquanto Dante ouvia, sério, mas atento, segurando o garfo para ajudá-lo.

Era… bonito.

Liana hesitou por um segundo, mas não disse nada, a lembrança da conversa da noite anterior ainda pesava, ou melhor, da falta de uma conversa já que dante não falou nada sobre ele.

Dante levantou o olhar quando a viu.

— Onde você vai? — perguntou, direto.

— Trabalhar — respondeu, sem rodeios. — E nem pense em tentar me impedir, foi o acordo.

Ele ficou em silêncio por um instante, depois olhou para Mason, parado perto da porta.

— Prepara um carro — ordenou. — Leva e busca.

Liana franziu a testa.

— Eu posso ir sozinha.

O restaurante estava tranquilo e ela comeu rápido, mexendo no celular entre uma garfada e outra. A última coisa que queria era ficar enrolando ali, afinal, não estava se sentindo segura e Babi provavelmente ficaria preocupada também.

Quando saiu, o sol já estava mais alto.

Ela caminhou pela calçada apressada passando pelo beco que separava a padaria do restaurante, foi quando sentiu a mão se fechar em seu braço.

Forte.

Brusca.

— Ei! — reagiu, tentando se soltar.

O mundo girou quando foi puxada para o beco estreito ao lado do prédio, seu coração disparou e seu primeiro instinto foi gritar mas uma mão tapou sua boca.

— Calma… — uma voz conhecida murmurou, divertida demais. — Não precisa fazer escândalo, gatinha…

O cheiro a atingiu antes mesmo que o rosto surgisse por completo.

Ela conhecia aquela voz, aquele cheiro que arrepiava sua pele de medo e de… Outra coisa que não sabia nomear.

Liana ergueu os olhos e Anton sorria para ela.

Um sorriso cafajeste, lento, satisfeito.

— Oi, gatinha — disse. — Tá se divertindo brincando de família feliz com o seu alfinha?

O sangue dela gelou.

— Me solta — disse, a voz firme apesar do medo.

Anton inclinou a cabeça, analisando-a como se fosse uma obra de arte.

— Você tá mais bonita — comentou. — Mais… Não sei… Relaxada? Não, acho que relaxada é a ultima coisa que você está naquela alcateia.

Ela se debateu, mas ele a segurou com facilidade, sem parecer precisar usar força de verdade, e a proximidade do corpo dele, aquele calor que passava por suas costas, arrepiou sua pele.

— Dante não te contou tudo, né? — ele continuou. — Nunca contaria, isso é óbvio.

— Eu não quero ouvir você — Liana respondeu. — Sai da minha frente!

Ele riu.

— Devia querer sabia? Assim quem sabe você entenda de verdade onde está se metendo.

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