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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 34

Anton não tinha planejado aquilo.

Não daquele jeito.

Não tão cedo.

A ideia sempre fora observar à distância, esperar o momento certo, deixar que as peças se movessem sozinhas até que Liana estivesse exatamente onde ele queria e então levá-la, simples assim. Mas, desde a noite na boate, desde o cheiro dela cravado em sua mente como uma obsessão ridícula, algo dentro dele se recusava a obedecer à lógica.

O lobo não parava quieto.

Reconhecia.

Chamava.

Exigia.

Atlas estava tirando sua paciência e ele mesmo não conseguia se conter não tanto quanto gostaria.

E, agora, ali no beco estreito, com Liana presa entre a parede fria e o corpo dele, Anton sentia aquela sensação conhecida demais para ignorar: o puxão invisível do destino, o mesmo que já o tinha feito perder tudo uma vez.

— Me solta — Liana disse, firme, embora o coração estivesse disparado.

Anton inclinou a cabeça, analisando-a com atenção. O medo estava ali, sim, mas não era paralisante. Era misturado com raiva, com algo mais profundo que ele reconhecia muito bem.

Coragem.

— Não vai gritar, gatinha? — ele comentou, quase com curiosidade. — Gritar, chamar ajuda. Qualquer uma dessas coisas idiotas que humanos fazem aos montes quando estão nervosos.

Ela tentou se afastar, mas ele foi mais rápido, segurando-a pela cintura e puxando-a para mais perto. Não com brutalidade, mas com aquela facilidade irritante de quem sabia que tinha vantagem.

— Eu mandei me soltar — repetiu, os olhos verdes queimando.

— Você manda pouco por aqui, sabe disso — Anton provocou, aproximando o rosto. — Principalmente quando se trata de mim.

A ruiva empurrou o peito dele com força.

— Você e o seu irmão são iguais — disparou. — Dois idiotas que acham que podem decidir minha vida.

O sorriso dele se alargou.

— Iguais? — repetiu, como se a palavra fosse divertida. — Interessante você achar isso.

— São — ela insistiu. — Dois caras com ego gigante, se achando donos do mundo. Achando que eu sou um brinquedo que vocês podem ficar jogando de um lado pro outro.

Anton soltou uma risada baixa.

— Então daria no mesmo você morar comigo ou com ele, nã acha? — disse, casualmente.

A frase atravessou Liana como um tapa.

Foi o suficiente para ela se soltar com um movimento rápido e acertar o rosto dele com a mão aberta.

O estalo ecoou no beco.

Anton ficou imóvel por um segundo.

O lobo rosnou dentro dele, surpreso, instintivo, mas Anton apenas passou a língua pelo canto da boca e sorriu, puxando o ar com força para sentir mais do cheiro dela e então voltando a encará-la.

— Eu não te vejo como um brinquedo — disse, a voz mais séria agora. — Se visse, já teria te levado, seria bem fácil na verdade.

— Então o que você quer? — Liana perguntou, o corpo inteiro em alerta.

Anton se aproximou de novo, mas desta vez não tocou nela.

— Quero que você sobreviva — respondeu. — E isso não vai acontecer por muito tempo naquela alcateia, sabe disso.

Ela sentiu um arrepio subir pela espinha.

— Do que você tá falando?

— Do perigo que você corre lá — Anton continuou. — Você não faz ideia do que estão dispostos a fazer com você quando perceberem quem você realmente é. Dante acha que tem o controle… Mas estão tramando bem debaixo do nariz dele, e eu não sei se estou disposto a perder a oportunidade, sabe?

— Do que está falando? — ela rebateu, sem pensar.

O sorriso de Anton ficou torto.

— Ah, agora você quer falar comigo? — alfinetou. — Meu irmão pode tentar te proteger, mas ele não consegue, principalmente quando souberem por ai o que você é….

Ela franziu a testa.

— Como assim “o que eu sou”?

— Só ofereço informações pra quem está do meu lado — Anton respondeu. — Mas posso dizer que, diferente do meu irmão, eu sei exatamente quem você é.

O coração de Liana acelerou.

— Você não sabe nada sobre mim.

— Sei o suficiente — ele rebateu. — Sei também que o mundo dos lobos não é seguro pra você. E sei que, quando as coisas desandarem, meu irmãozinho ladrão não vai poder te proteger, como não pode proteger a outra.

— Isso não é verdade — ela disse, mas a dúvida já se infiltrava.

Anton se aproximou mais um passo, estendendo a mão e segurando o queixo dela.

— Acha que ele te contou tudo? — perguntou, baixo. — Acha mesmo que conhece o homem com quem está se envolvendo? Eu, pelo menos, sou honesto.

— Para — Liana pediu, sentindo o estômago revirar.

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