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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 36

A mansão estava silenciosa demais.

Dante permanecia sentado na sala, o corpo largado no sofá como se estivesse descansando, mas nada nele estava realmente relaxado. Um braço apoiado no encosto, a outra mão fechada em punho sobre a perna, os olhos fixos em um ponto qualquer à frente.

Kian já dormia havia horas.

O cheiro do filho ainda estava no ar, misturado ao da casa, à madeira antiga, à floresta do lado de fora. Normalmente, aquilo o acalmava. Normalmente, o silêncio da noite era um alívio.

Naquela noite, era tortura.

Ela ainda não voltou.

O pensamento vinha e voltava, insistente, como uma lâmina pressionando a mente dele. Dante tentava se convencer de que ela tinha dado a palavra, tentava confiar, tentava ignorar o lobo dentro dele andando de um lado para o outro, inquieto, impaciente, rosnando baixo.

“Ela vai fugir”, Hades rosnou.

“Ela não vai”, Dante respondeu mentalmente, mais firme do que se sentia.

“Você a deixou sair. Foi imprudente.”

O som da porta da frente se abrindo cortou o silêncio como um estalo.

Dante ergueu o rosto no mesmo instante.

Liana entrou.

Por um segundo, apenas um segundo, o peito dele afrouxou. Os ombros relaxaram quase imperceptivelmente, os olhos percorreram o corpo dela rápido demais, conferindo se estava inteira, se estava ali de verdade.

Ela estava.

O alívio durou pouco.

O cheiro veio logo depois, conhecido, o acertando como um soco.

Anton.

O corpo de Dante reagiu antes mesmo da mente processar. O ar pareceu se tornar pesado, denso, como se a casa inteira sentisse o mesmo que ele. Os olhos dele escureceram, o azul sendo engolido por um vermelho intenso, vivo, perigoso.

Um rosnado baixo vibrou em seu peito.

— Porra… — ele murmurou, se levantando de uma vez, um rosnado escapando de sua boca sem que ele pudesse controlar.

Liana percebeu a mudança imediatamente.

— Lá vem… — ela revirou os olhos, cansada demais para fingir que não estava vendo. — Se isso for algum tipo de código secreto de lobo, avisa logo porque eu não entendo rosnados.

Ela começou a subir as escadas, mas não deu dois passos até que a mão de Dante se fechou em torno do braço dela com força suficiente para fazê-la parar, mas não para machucar. Ainda assim, foi brusco. Possessivo.

— O que você estava fazendo com ele? — Dante perguntou, a voz grave, vibrando com algo que não era só raiva.

Liana se virou devagar.

— Com quem?

— Não finge — ele rosnou. — O cheiro dele tá em você.

Ela puxou o braço, tentando se soltar.

— Me solta, Dante.

— O que o meu irmão estava fazendo com você? — ele repetiu, agora mais alto. — O que ELE fez?

— Nada que você tem direito de saber — Liana respondeu, os olhos verdes brilhando de irritação. — Até porque você também não anda sendo muito transparente comigo.

Dante deu um passo à frente.

— Ele é perigoso.

Ela riu.

Não foi engraçado.

— Engraçado você dizer isso — retrucou. — Vindo de você.

O golpe foi certeiro.

— Não me compara com ele — Dante rebateu, a voz ficando mais áspera. — Anton é um assassino.

— E você é o quê, exatamente? — Liana devolveu, sem recuar. — Um sequestrador gentil?

O silêncio caiu pesado entre eles.

— Ele quer te usar — Dante continuou, tentando controlar a própria voz. — Ele mente, manipula, vai te destruir se tiver a chance.

— Talvez — Liana disse, cruzando os braços. — Mas pelo menos ele fala alguma coisa.

O vermelho nos olhos de Dante queimou mais forte.

— Do que você tá falando?

Ela respirou fundo.

— Quem é Celeste?

O nome pareceu cair como uma pedra entre eles e Dante ficou completamente imóvel.

O silêncio que se seguiu foi diferente de qualquer outro que já haviam dividido. Não era só tensão, era algo quebrando por dentro.

— O que ele te disse sobre ela? — ele perguntou, baixo demais.

— Isso importa? — Liana rebateu. — Eu cansei, Dante. Cansei de pedaços de verdade, de meias respostas, de sentir que todo mundo sabe de alguma coisa menos eu.

Ele soltou uma risada curta.

Sem humor nenhum.

— Claro… — murmurou. — Ele já começou.

— Começou o quê?

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