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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 38

A casa na floresta estava mergulhada em silêncio.

Anton permanecia sentado à mesa de madeira escura, os cotovelos apoiados na superfície áspera, os dedos entrelaçados à frente do rosto. A iluminação era fraca, vinda apenas de uma lâmpada pendurada no teto, projetando sombras longas pelas paredes antigas. Apesar de meio velho e pouco iluminado, dava para ver que já foi uma bela casa, um lugar que, quando era bem mais jovem e menos rancoroso, ele pensou em transformar numa casa só sua e… de Celeste.

Sacudiu a cabeça mandando para longe qualquer lembrança daquela maldita.

À sua frente, espalhados de forma organizada demais para serem casuais, estavam os papéis.

Fotos.

Relatórios.

Nomes.

O rosto de Liana aparecia em várias imagens: andando pela rua, sentada num banco de praça, saindo da padaria, rindo com Babi, distraída, humana demais para imaginar o que se movia ao redor dela.

Anton observava cada foto como se estivesse tentando decorar algo precioso.

Ao lado dela, outras imagens.

Amélia.

Idêntica.

O mesmo cabelo ruivo, o mesmo formato de rosto, os mesmos traços. Mas o cheiro… o cheiro era outro, ele lembrava disso claramente.

Connan, seu beta, estava de pé ao lado da mesa, os braços cruzados, a postura tensa, o olhar atento.

— O nome dela é Amélia — disse, quebrando o silêncio. — Irmã gêmea.

Anton não respondeu de imediato.

— As duas cresceram em um abrigo — Connan continuou. — Órfãs desde muito novas, mão há registros dos pais. Nada concreto.

Anton ergueu uma sobrancelha.

— Nós sabemos bem quem são os pais dela — murmurou. — Só esconderam as duas muito bem.

Connan assentiu.

— Liana estava noiva — acrescentou. — Com um humano chamado Justin, aquele do shopping, que brigou com seu irmão. Pelo que descobri, o relacionamento acabou de forma… estranha.

Anton soltou um riso curto, quase divertido.

— Claro que acabou — disse. — Homens comuns nunca sabem o que fazer quando perdem algo que achavam possuir. E se ela está com meu irmão agora com certeza o noivado já foi para o saco.

Ele pegou uma das fotos de Amélia, observando com mais atenção agora.

— E a irmã? — perguntou. — O que ela quer?

Connan hesitou por um segundo.

— Dinheiro. Status. Atenção. — Ele deu de ombros. — Parece ressentida, muito ressentida. As duas não tem uma boa relação.

Anton sorriu de canto.

— Ressentimento é uma ferramenta poderosa.

Ele empurrou a foto de Amélia para o centro da mesa.

— Fique de olho nela — ordenou. — Pode ser… útil.

Connan inclinou levemente a cabeça.

— Pretende envolvê-la no plano?

— Talvez — Anton respondeu, levantando-se. — Talvez não, depende do quanto ela está disposta a perder para tirar algo da irmã.

Ele caminhou até a porta, pegando o casaco jogado sobre uma cadeira.

— Vou sair — avisou. — Tenho coisas para resolver.

— Vai até a alcateia? — Connan perguntou.

Anton abriu a porta, a noite fria entrando como um sopro.

— Ainda não — respondeu. — Mas em breve… muito em breve.

***

Na alcateia Blackstone, a madrugada avançava lenta demais.

Liana se revirava na cama pela terceira vez em menos de cinco minutos.

O lençol estava embolado, o travesseiro jogado de lado, o corpo inquieto como se estivesse tentando fugir de algo invisível. O quarto estava escuro, silencioso, mas a mente dela não parava.

Dante.

Anton.

Celeste.

Mentiras.

Ela fechou os olhos com força, tentando dormir.

Não conseguiu.

Com um suspiro frustrado, se sentou na cama, os pés tocando o chão frio. O relógio na parede marcava quase três da manhã.

— Ótimo… — murmurou.

Levantou-se devagar e saiu do quarto, caminhando pelos corredores silenciosos da mansão. Tudo parecia adormecido, como se a alcateia inteira estivesse suspensa num sono profundo, alheia ao turbilhão que consumia a mente dela.

O nome não foi dito, mas não precisava ser, ela sabia que era sobre Celeste.

— Mas dessa vez… — Olivia continuou, sorrindo de um jeito estranho — parece diferente. Parece que ele encontrou a verdadeira companheira.

As palavras ecoaram alto demais.

Liana parou de andar.

— Verdadeira? — perguntou, devagar. — Como assim?

Olivia congelou.

Literalmente.

— Eu… — ela gaguejou. — Eu quis dizer… quer dizer… foi só um jeito de falar.

Liana a encarou.

— Existe outra forma de companheira?

Olivia desviou o olhar, claramente desconfortável.

— Eu falei demais — murmurou. — Desculpa, de verdade.

— Olivia…

— Eu preciso dormir — a ômega interrompeu, forçando um sorriso. — Já tá tarde.

Ela fingiu um bocejo, se afastando rápido demais para parecer natural.

— Boa noite, Liana.

E saiu, quase correndo.

Liana ficou parada no meio do jardim, sozinha.

O vento passou entre as árvores, fazendo as folhas sussurrarem algo que ela não conseguia entender.

— Verdadeira companheira… — murmurou.

Levantou o rosto, encarando a lua.

Algo estava errado.

Muito errado.

— Vocês estão escondendo alguma coisa de mim — sussurrou, sentindo um arrepio percorrer a pele. — Alguma coisa muito séria.

A lua permaneceu silenciosa, mas, no fundo da floresta, algo se moveu.

E Liana teve a estranha sensação de que, quanto mais tentava descobrir a verdade… Mais se enfiava numa história que poderia matá-la.

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